A Associação Nacional de Deputados Estaduais do PMDB, composta por 154 parlamentares, divulgou uma nota na tarde desta quinta-feira (17) pedindo a saída imediata do partido do governo federal.
No Executivo, o PMDB comanda sete ministérios, além de ter o vice-presidente Michel Temer, eleito na chapa de Dilma Rousseff (PT).
A nota assinada pelo presidente da associação, o deputado gaúcho Gabriel Souza, diz que o PMDB tem "grande responsabilidade com o país" e que "deve construir um projeto próprio que resulte na volta do crescimento econômico do Brasil".
"Não tem como ficar num governo que não tem moral para governar. Ela [Dilma] já está impedida politicamente de governar porque não tem apoio do Congresso e muito menos da população", disse Souza à reportagem.
O deputado estadual explica que o pedido de "desembarque" do PMDB é "é um movimento para dentro do partido" para pressionar a legenda na próxima convenção nacional, que decidirá se o partido fica ou sai do governo.
"Temos hoje um escândalo atrás do outro, envolvendo altas autoridades. O cenário de crise é esse, que se esgotou. Na hipótese do impeachment, defendo um governo de união nacional", disse.
Sobre os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB), investigados em diversos inquéritos da Lava Jato, Souza diz que eles "têm direito de defesa" e, "caso comprovado qualquer irregularidade, tem que sair da vida pública".
"Não interessa o partido, se for o Eduardo Cunha, o Lula (PT), o Aécio Neves (PSDB). Não pode ser dois pesos duas medidas", disse o deputado.
Entretanto, ele não defende a expulsão de Cunha e Calheiros e ressalta que o único processo de expulsão é do deputado Mauro Lopes (PMDB-MG), que assumiu o ministério da Aviação Civil após a decisão do PMDB de não ocupar novos cargos no governo.
O também peemedebista e governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, disse a jornalistas nesta quinta (17) que os últimos eventos ligados ao Planalto, como o áudio da conversa entre Dilma e Lula, "não têm antecedentes na vida nacional" e que "tudo deve ser apurado severamente".