Os 22 delegados lotados na Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande fizeram um abraço simbólico no prédio e cobraram do Congresso aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 412/09, que trata sobre a autonomia administrativa e financeira da corporação.
O protesto, promovido pela Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF), aconteceu no começo da tarde desta sexta-feira (18) na Capital e teve ramificações em outras delegacias pelo país.
Os participantes também comentaram que os policiais ligados à Operação Lava Jato, que na quinta-feira (17) completou dois anos, devem sofrer pressões. A unidade de Curitiba (PR) desenvolve o principal elo dessa investigação.
"Estamos prestando apoio. Eles precisam de uma blindagem e a ADPF presta seu apoio público", explicou a diretora regional da associação, Fabiana de Araújo Macedo.
Durante o ato, Fabiana destacou que a recente mudança política no quadro do Ministério da Justiça, com a posse de Eugênio José Guilherme de Aragão na quinta (17), pode colocar em risco a autonomia da PF. Um dos principais movimentos analisados pela ADPF como prejudiciais seria a troca do atual comando da corporação.
AUTONOMIA
A PEC defendida pela associação é de 2009 e prevê que a Polícia Federal seja autônoma, como acontece hoje com o Ministério Público Federal, e possa gerir seu próprio orçamento. A proposta está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.
Como exemplo da dependência que a polícia tem atualmente, foi citado procedimentos obrigatórios como a necessidade de autorização do ministro da justiça para que um policial possa ficar mais de 40 dias em diligência. Se uma operação depender de cinco ou mais policiais, também é necessário a assinatura do ministro.
"Precisamos ser uma polícia de Estado e não de governo", defendeu Fabiana de Araujo Macedo, diretora regional da ADPF.
Para demonstrar a atual condição de trabalho e dependência, ela citou também a falta de pagamento da conta de energia da Superintendência de Curitiba por parte do Ministério da Justiça, dois meses atrás. A Justiça Federal precisou quitar o valor para evitar corte.