Oposição na Câmara dos Deputados comemora a falta de quórum para que se inicie votação da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB, nesta quarta-feira (25). É necessário que, no mínimo, 342 deputados federais compareçam para que se inicie a votação do relatório da denúncia.
O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Dagoberto Nogueira (PDT), disse que está 'vibrando' com o andamento da sessão. “Estamos ganhando por enquanto”, disse o parlamentar que faz parte da oposição ao governo federal.
A estratégia dos opositores a Temer é não garantir o quórum suficiente para abrir a sessão e, assim, barrar a votação da denúncia. Isto porque eles sabem que há possivelmente número necessário para impedir a autorização do processo contra o presidente no Supremo Tribunal Federal (STF).
Conseguindo impedir abertura da sessão, a oposição acredita que terá mais tempo para convencer parlamentares a votarem contra Temer.
Diante deste cenário, oposição também comemora falta de quórum porque se a denúncia não for votada ainda hoje, o governo ficará submetido a esse relatório por mais duas semanas, já que semana que vem será feriado e não terá sessão.
Do outro lado, deputados da base governista estão se mobilizando e ligando para demais parlamentares comparecerem ao plenário para que a votação ocorra.
Apesar de comemorar a falta de parlamentares presentes na Câmara, Dagoberto declarou que não adianta os demais parlamentares, que dizem votar a favor da denúncia, comparecerem ao plenário e declarar voto.
“Eles estão a favor do Temer, só a presença deles no plenário provam que eles estão a favor. Isso é uma grande mentira”, atacou Dagoberto. O deputado se referia aos representantes por Mato Grosso do Sul Elizeu Dionísio (PSDB) e Tereza Cristina (ex-PSB), que na primeira denúncia acabaram votando contra Temer.
Ainda pelo Estado, votam a favor de Temer Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Geraldo Resende (PSDB). Contra devem votar Vander Loubet e José Orcírio Miranda (ambos do PT).
DESCONFORTO
O desconforto urológico que o presidente teve no dia de hoje não poderá ser usado para adiar a votação. A base governista já declarou que Temer está bem e que o caso não é grave.
Apesar da oposição tentar adiar a votação, sozinha ela não consegue obstruir a base governista que garante que a votação será feita ainda hoje.
SESSÃO
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) está presente e nova sessão foi iniciada com discussão, mas em seguida já foi encerrada.
“Foi uma estratégia vitoriosa de todos os partidos da oposição, conseguimos assegurar que 191 deputados não votassem, o que obrigou o governo a fazer nova sessão”, disse o deputado José Guimarães (PT-CE) ao site da Câmara. Os parlamentares contrários ao governo não marcaram presença em plenário para tentar adiar a votação.
O presidente da Casa de Leis fez apelo aos parlamentares. “Eu não comando a agenda de cada deputado, mas é importante que a Câmara possa deliberar porque quanto mais tempo isso se prolongar, mais demora a recuperação da economia”, afirmou.
DENÚNCIA
O Plenário analisará a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente da República, Michel Temer, e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) por organização criminosa e obstrução de Justiça (SIP 2/17).
O pedido de autorização para que Temer e os ministros sejam processados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) será votado pelo Plenário e, para ser aceito, precisa do apoio de 342 deputados.