O imbróglio provocado por indefinição, avanço e recuo está fragilizando o DEM no processo de negociação de aliança. Um exemplo dessa insegurança aconteceu ontem pela manhã, quando fechou acordo com PSDB na residência do presidente regional do partido, ex-prefeito de Dourados Murilo Zauith. O governador Reinaldo Azambuja participou da reunião para avaliar os termos da aliança em troca das vagas de vice-governador e senador.
Azambuja saiu do encontro seguro da aliança com o DEM. Mas, horas depois, tudo voltou à estaca zero, por conta da resistência oferecida pelo deputado federal Luiz Henrique Mandetta. Ele não aceitou o acordo e, para complicar mais os planos dos simpatizantes à aliança com PSDB, colocou-se como pré-candidato a governador.
Era tudo que Murilo não esperava. Agora, o partido terá de esperar mais algum tempo para definir de uma vez por toda o rumo a tomar na sucessão estadual. Até porque ninguém no partido leva a sério a pré-candidatura de Mandetta. A cúpula não consegue se entender e provoca desgaste ao partido.
Mandetta afirmou que a sigla precisar ter candidatura própria depois da mudança no cenário político de Mato Grosso do Sul – se for mantida a prisão do ex-governador André Puccinelli, pré-candidato do MDB à sucessão estadual. Mas não é esse o desejo dos democratas.
Murilo teria ficado surpreso com a posição de Mandetta. “Ontem à noite [terça-feira], Mandetta tinha aceitado [o acordo]”, comentou Murilo. “Agora, vamos esperar. Quando ele voltar, passa essa proposta [de se candidatar a governador] pro partido”, afirmou. “Ele está pensando nele, mas e os outros, como ficam? Será que terão espaço?”, observou.
Murilo, no entanto, tem dúvida sobre a construção de chapa nessa altura dos acontecimentos, com os partidos definindo alianças. “Tem chapa? Dá pra formar chapa na proporcional, federal e estadual? Ele [Mandetta] tem que cuidar dos deputados e discutir isso!”, alertou o dirigente do DEM. Para o partido, seria mais cômodo fazer aliança e, de preferência, com PSDB, como foi acertado ontem pela manhã.
Como o acordo com PSDB durou apenas poucas horas, as lideranças dos democratas terão de esperar mais tempo para definir o rumo no processo eleitoral. “Vamos discutir isso mais pra frente”.
Os demais grandes partidos já definiram posição na sucessão. O impasse no DEM, na avaliação de Murilo, sempre se deu mais por insegurança e medo dos deputados federais de conseguir a reeleição na chapa da aliança tucana. A situação estava mudando, ressaltou Murilo, com aceitação do acordo pelos federais Tereza Cristina e Mandetta. Só que o último recuou logo depois do acordo ser selado com o governador Reinaldo Azambuja.
“Tereza Cristina aceitou e se sentiu segura e, ontem à noite [terça-feira], o Mandetta tinha aceitado [aliança com PSDB]”, afirmou. “Tudo caminhou para o acordo com PSDB”, enfatizou.
Mandetta não participou da reunião de ontem pela manhã, na residência de Murilo, porque tinha reunião com o presidente nacional do DEM, prefeito de Salvador, ACM Neto.