"Aprendemos que política é coisa do diabo." A frase do pastor Eliazar Ceccon, presidente do Conselho Político da Convenção Geral da Assembleia de Deus, ecoava em uma das salas do Hotel Nacional, em Brasília, quando Henrique Meirelles entrou vagarosamente, cumprimentando com sorrisos e apertos de mão os bispos e pastores evangélicos da plateia.
O pré-candidato do MDB ao Planalto seguiu até o palco empurrado pelo alento de Ceccon, que veio na sequência: "E a gente abriu mão, dando ao diabo o direito de exercer a política do jeito que ele quisesse. Mas o ausente nunca tem razão. Se não participarmos, não poderemos cobrar".
Empacado com 1% nas pesquisas, Meirelles participou nesta terça-feira (31) de evento da Assembleia de Deus para tentar mostrar que a política é um importante instrumento para resolver os problemas do país -narrativa que pretende empregar em seus discursos daqui para a frente, como mostrou a Folha de S.Paulo.
Meirelles se sentou diante dos participantes do encontro intitulado "Assembleia de Deus: 107 anos trabalhando e orando por um Brasil melhor" e lá ficou por duas horas.
Seu objetivo é tentar conquistar parte do eleitorado evangélico -historicamente ligado à presidenciável da Rede, Marina Silva, e simpático ao capitão reformado Jair Bolsonaro (PSL), que também disputa o Planalto. Ambos estão em primeiro e em segundo lugar nas pesquisas, respectivamente, na ausência do ex-presidente Lula.
O ex-ministro da Fazenda rivalizou com Marina e disse que "divergências naturais" fizeram com que a ex-senadora perdesse força entre os evangélicos. "Ela era forte, não é mais, mas não me preocupei em ficar discutindo a Marina", disse Meirelles antes de entrar na reunião.
Em seu discurso, o presidenciável disse que fez um balanço sobre a situação da economia no país, destacando seu papel como o líder do processo de recuperação durante o governo de Michel Temer.
Segundo ele, sua biografia confiável e sua experiência como ministro da Fazenda e presidente do Banco Central (durante os governos de Lula) fazem com que ele seja a melhor aposta para outubro.
"Quando conhecem minha história, as pessoas tendem a me escolher", afirma Meirelles.
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