Política

ELEIÇÕES 2018

Campanha ao governo não empolgou eleitores

Sociólogo disse que efeito é comum, com base na realidade da política nacional

Faltam exatos 44 dias para as eleições e o desânimo da população em Campo Grande com relação à política é grande. As pessoas não sabem em qual candidato votar para presidente da República, governo estadual, deputado federal e estadual ou senador. Mas esse cenário de desânimo não é atual. Nas eleições de 2016, 22,32% dos eleitores campo-grandenses não foram às urnas no segundo turno.

Quando a reportagem do Correio do Estado abordou os amigos Paulo Torres Guimarães, 66 anos, funcionário público, e Edson Oliveira, 52, contador, eles conversavam sobre a indecisão com relação aos candidatos, na Praça Ary Coelho, região central da Capital. Paulo tinha candidato ao governo do Estado, o ex-governador André Puccinelli (MDB), que disputaria as eleições deste ano, mas desistiu da disputa no dia 29 de julho, nove dias após ser preso. Agora, não sabe em quem votar. “Sou fã dele, fez muito por Campo Grande quando foi prefeito, mas, agora com a prisão, não sei em quem votar”.

Para presidente, Paulo tem candidato, mas Edson ainda não. “Nunca fiquei indeciso, essa a primeira vez que não tenho candidato. O que aconteceu nesses últimos quatro anos, com a Dilma [Rousseff] ter sofrido impeachment e o Michel Temer assumindo, eu perdi a esperança”, desabafou.

Os amigos concordam e têm esperança de melhoras.  “Daqui para frente, vai melhorar nossa situação política. Talvez não agora, mas, daqui 15 anos, pode ser que volte ao eixo”. 

O aposentado Nedson Pedroso, 66, não sabe nem quem são os candidatos, de tão desanimado que está com o cenário político. “Não é a primeira eleição que eu desanimo com a política, mas essa está sendo a pior”, contou.

Na opinião de Nedson, não existe político de confiança. O aposentado criticou o governo de Michel Temer. “Esse é o pior presidente que o País já teve. Mas não vou deixar de votar, vou esperar até o último momento e na hora escolho um menos votado, mas não voto nulo nem branco”. 

A operadora de caixa Jemita Lopes, 25, também está desanimada com o cenário político. “Por enquanto, não tenho candidato. Na eleição passada, foi bastante difícil escolher”, explicou. Mas, assim como Nedson, Jemita também não quer anular o voto.

“Não pretendo anular nem votar em branco. A gente desanima com a política por causa da corrupção”, explicou. 

A funcionária pública Renilda Teixeira, 53, admitiu não dar tanta atenção para a política, mas este ano está pior. “É difícil saber quem realmente está disposto a fazer alguma coisa pelo povo”, avaliou.

COMUM

Esse desânimo da população com relação à política não é de hoje. De acordo com o sociólogo e professor Paulo Cabral, o quadro é coerente com a realidade política apresentada.

“Não é de agora esse desencanto do eleitorado. Se pegar a proporção dos votos nulos e branco dá algo em torno de 30%. Um terço do eleitorado se recusa a participar do jogo”.

Cabral disse ainda que a porcentagem deve crescer, segundo previsões de institutos de pesquisas. “O desencantamento é geral. O Brasil tem trajetória histórica complicada na política. As pessoas querem soluções mágicas e isso não existe. Da mesma forma que não existe salvador da pátria”, comentou.

Sobre votos nulos ou brancos, ele diz ser preciso buscar uma forma de governo melhor. “Temos um problema no País em que os partidos nem sempre oferecem aos eleitores alternativas razoáveis. As pessoas se veem obrigadas a escolher não um candidato com requisitos fundamentais, mas um monte de figuras que estão mais ativas aos seus projetos pessoais”, analisou.

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