Política

ELEIÇÕES 2018

Mulheres dominam eleitorado de MS, mas são poucas representadas

Estado elegeu apenas três deputadas estaduais, uma federal e uma senadora em 2014

Representando 52,121% dos eleitores em Mato Grosso do Sul as mulheres ainda são poucas em representatividade dentro das casas de leis e na gestão das cidades. Na Assembleia Legislativa são apenas três deputadas, dos 24 eleitos em 2014, e na Câmara Municipal de Campo Grande apenas duas vereadoras, dos 29 eleitos em 2016. Conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS), são 978.830 eleitores do sexo feminino que estão aptos a votar no pleito de outubro, contra 899.152 do sexo masculino.

Desde 1997, a lei eleitoral brasileira exige que os partidos e as coligações respeitem a cota mínima de 30% de mulheres na lista de candidatos para a Câmara dos Deputados, a Câmara Legislativa, as Assembleias Legislativas e as Câmaras municipais. Em 2018, o percentual precisa ser respeitado para as coligações de deputados estaduais, federais e distritais, mas ainda sim não é suficiente para que as mulheres sejam representantes.

Em Mato Grosso do Sul no pleito de outubro todos candidatos ao Governo do Estado são homens e quatro são vice, apenas na chapa do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e do juiz federal aposentado Odilon de Oliveira (PDT) o cargo ficou para homens. 

Entre as parlamentares da Assembleia Legislativa, apenas a deputada Mara Caseiro (PSDB) vai buscar a reeleição, suas colegas Grazielle Machado (PSD) e Antonieta Trad (MDB) desistiram do pleito. Grazi anunciou que vai deixar a cadeira para o pai, Londres Machado, e Antonieta declarou que vai colaborar para a eleição de Junior Mochi (MDB) ao Executivo estadual. “Não tenho dúvida de que o universo da política é mais dificultoso em função de a gente ser mãe, esposa, dona de casa, vem a questão profissional. Dificulta o nosso desprendimento para ser candidata. A mulher ainda tem dificuldade em confiar na mulher, nós temos que fazer uma autoavaliação da importância do nosso papel na política e confiar mais”, disse Mara Caseiro.

Representando o eleitorado feminino na Câmara Municipal de Campo Grande, apenas as vereadoras Dharleng Campos (PP) e Cida Amaral (PROS) foram eleitas em 2016, quando houve renovação de 62,07% no plenário. O número de mulheres deve ficar ainda menor, caso a representante do PROS seja eleita como deputada federal, cargo que disputa na eleição deste ano. 

“Acredito que daqui pra frente a mulher vai se inserir cada vez mais na política. Eu sou da questão da paridade, agora é uma necessidade, porque mesmo com as cotas não estamos atingindo. Acredito no feminismo de direitos iguais. As mulheres estão começando a perceber a nossa força, os nossos lugares. A política também é nossa. Eu quero mais mulheres”, afirmou a enfermeira Cida Amaral. 

O sociólogo Paulo Cabral explica que a cultura brasileira é muito recente com relação à mulher na política. “No império até a República Velha, 1930, as mulheres ainda que alfabetizadas não tinham direito à participação política, teve o movimento das sufragistas para que pudessem votar e serem eleitas, não tem um século”, destacou. Segundo ele, o patriarquismo ainda influencia nos eleitores e falta consciência de gênero. “Em Campo Grande, a primeira vereadora eleita foi no meio da década de 50 e a deputada no final. A mesma mulher, Oliva Enciso, no Mato Grosso ainda uno. Quando você vê a baixa representatividade feminina no Executivo ou no Parlamento, passa um pouco por essa história e pela dificuldade de se construir uma consciência de gênero, se houvesse mulheres votariam em mulheres”, afirmou o sociólogo. 

No Congresso Nacional, o número de representantes sul-mato-grossenses também é menor, de oito deputados federais apenas uma é mulher, Tereza Cristina (DEM), e de três senadores, Simone Tebet (MDB) é a única representante.

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