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Por Previdência, Guedes quer prensa no Congresso

Por Previdência, Guedes quer prensa no Congresso

Redação

06/11/2018 - 20h15
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O futuro ministro da Economia de Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes, defendeu nesta terça-feira (6) uma prensa no Congresso Nacional para que o atual texto da reforma da Previdência seja aprovado até o fim deste ano.

Em sua primeira visita a Brasília após a vitória, o presidente eleito e sua equipe econômica travaram uma queda de braço declaratória com membros do Congresso sobre o prosseguimento das mudanças na aposentadoria.

"O presidente tem os votos populares, e o Congresso, a capacidade de aprovar ou não. Prensa neles. Se perguntar para o futuro ministro, ele está dizendo 'prensa neles', pede a reforma, é bom para todo mundo", afirmou Guedes.

Ele se reuniu à tarde com o atual ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

Parlamentares, no entanto, disseram ver dificuldades na aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) ainda nesta legislatura e reagiram mal às declarações de Guedes.

"Na minha cabeça hoje tem Previdência, Previdência, Previdência. Por favor, classe política nos ajude a aprovar a reforma, nos ajudem a fazer isso rápido", disse o futuro ministro.

Segundo ele, a iniciativa mais importante na transição é aprovar a reforma. Ele afirmou que o texto atual é menos profundo do que o que estão preparando, mas "limpa o horizonte" para reformas estruturais a partir de 2019.

"O ótimo é inimigo do bom, se eu puder aprovar o bom agora, aprova. É a reforma ideal? Claro que não", disse o futuro ministro da Economia.

Guedes disse ainda que a aprovação da reforma ainda neste ano seria excelente para o país e "um belo encerramento para o governo [Michel] Temer".

O texto proposto pelo emedebista deverá gerar uma economia de pouco menos de R$ 500 bilhões, o que é considerado pouco por Guedes.

Caso o tempo de esgote e o projeto de Temer não avance, a nova equipe econômica apresentará outra proposta de reforma, o que poderá atrasar a tramitação em um ano.

Sua equipe pretende apresentar uma nova reforma, que implantaria o regime de capitalização (em que a aposentadoria é resultado da poupança do trabalhador). Os detalhes do projeto ainda não foram revelados.

O economista minimizou a dúvida de Bolsonaro em apoiar a mudança de regimes. Na segunda-feira (5), o presidente eleito disse ter desconfiança da capitalização.

"É natural, e a desconfiança não é só dele, é geral da classe política, é muito natural que falem 'vamos fazer essa transição com calma'."

Bolsonaro, que esteve no Congresso para a comemoração dos 30 anos da Constituição e foi ao Ministério da Defesa, confirmou que tratará da aprovação da reforma com Temer em reunião marcada para quarta-feira (7) no Palácio do Planalto.

"Tem de sair [alguma aprovação neste ano]. Gostaríamos que saísse alguma coisa. E não é o que nós queremos ou o que a equipe econômica quer, mas o que a gente pode aprovar na Câmara ou no Senado", afirmou.

Falta, porém, articulação política.

Questionado sobre a declaração de Guedes sobre a prensa no Congresso, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), riu. Ele já havia afirmado que a reforma deve ser debatida apenas no próximo governo.

O presidente o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também não vê condições políticas para aprovação da reforma. "Acho muito difícil, com prensa ou sem prensa."

"Não é assim que se resolvem as coisas na relação entre o Executivo e o Congresso. Talvez a falta de experiência na vida política, na relação com o Congresso, faça com que ele pense assim", afirmou.
Maia disse que é "muito difícil" que a reforma seja aprovada, por causa do curto tempo que há nesta legislatura, que termina em fevereiro de 2019.

Para ser aprovada, a reforma teria de passar por votações em dois turnos na Câmara e mais dois no Senado. São necessários 60% dos votos nas duas Casas.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que o "momento exige diálogo". "Não é com prensa que se resolvem algumas questões."

"O que tem de apelar é para o espírito publico daqueles que ainda estão com mandato, em nome do país, e buscar fazer o que for possível. Prensa, não. Acho que ele se expressou mal", afirmou Pauderney Avelino (DEM-AM).

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