O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), demonstrou indignação com a atitude dos vereadores de culpá-lo pelo projeto de aumento salarial dele, da vice-prefeita Adriane Lopes (PATRI), dos secretários municipais e de alguns servidores, como os fiscais de renda. “Eu não entrei com projeto nenhum. Quem aumenta salário de vereador é o próprio vereador”, disparou Trad.
A declaração, no entanto, é oposta ao que foi afirmado pelos vereadores na sessão de terça-feira (18), ocasião em que foi votada, por unanimidade, a retirada dos artigos da Proposta de Emenda à Lei Orgânica 79/18 que previam aumentos salariais ao Executivo, incluindo prefeito, vice-prefeita e secretários.
Durante a sessão, os vereadores se alternaram nas acusações contra o prefeito. “Pessoas que pediram [aumento], agora não querem. Jamais iríamos propor sem que não tivesse sido provocado. Nos foi trazido uma reivindicação de um entendimento que houve lá [prefeitura]. Vieram pessoas falar comigo que têm representatividade. Eu acredito na palavra”, afirmou o presidente da Câmara, vereador João Rocha (PSDB).
“Quem ia ser beneficiado sabia de tudo. O jogo tem que ser bem aberto. Não quero ser envolvido em coisa que se ouve lá e aqui muda”, disse o vereador do PP Valdir Gomes. Na tribuna, o vereador Dr. Lívio Leite (PSDB) culpou o Executivo pelo desgaste que a Câmara sofreu com o projeto de aumento salarial.
“Essa questão do aumento tem que ficar bem clara para a população. Fomos colocados nessa situação e muitos estão aqui com esse sentimento [de se serem usados]. Espero que o prefeito seja decente e coerente”, declarou Leite.
Questionado sobre as acusações dos vereadores, Marcos Trad rebateu: “Eles falam que o salário deles é também pegadinha?”. A indagação do prefeito diz respeito à proposta de elevação do rendimento dos vereadores a partir de 2021.
Com salário atual de R$ 15,8 mil, os integrantes da atual legislatura encaminharam ao Executivo matéria estabelecendo reajuste de 48% no vencimento deles. O prefeito pode aprovar, vetar ou silenciar o projeto até o fim do prazo, no início de 2019.
Caso decida pelo veto ou sanção, a proposta volta para a Câmara Municipal. Se optar por não se posicionar, o reajuste dos parlamentares é promulgado pelo Legislativo automaticamente.