Política

NO CHILE

Acordos em nome da governabilidade levaram Temer à prisão, diz Bolsonaro

Acordos em nome da governabilidade levaram Temer à prisão, diz Bolsonaro

Redação

21/03/2019 - 21h00
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Ao desembarcar no Chile nesta quinta-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que "acordos políticos em nome da governabilidade" levaram à prisão do ex-presidente Michel Temer.

"O que levou a essa situação, parece, foram os acordos políticos em nome da governabilidade, mas a governabilidade você não faz com esse tipo de acordo. No meu entender, você faz chamando pessoas sérias e competentes para integrar o seu governo, como eu fiz", disse Bolsonaro.

"Cada um responda pelos seus atos, a Justiça nasceu para todos", afirmou o presidente, que está no Chile para uma cúpula com outros líderes sul-americanos.

Sobre as manifestações programadas para ocorrer contra ele nesta sexta (22) e sábado (23), em Santiago, organizadas por organizações sociais e grupos feministas, Bolsonaro disse: "Tenho esse problema em qualquer lugar do mundo a que eu vá, mas o importante é que no meu país eu obtive uma vitória excepcional, apesar de não termos televisão, nem recursos para a campanha, tivemos o voto que veio e que é uma procuração do povo."

"Acho que essas pessoas que se manifestam contra mim queriam que o nosso Brasil caminhasse para a situação em que se encontra a Venezuela, onde o povo luta bravamente para se libertar das garras do socialismo", afirmou Bolsonaro.

Indagado sobre os opositores que foram convidados pelo governo chileno ao almoço em sua homenagem, neste sábado, e que disseram que não irão por discordar de suas ideias políticas, Bolsonaro disse: "Os convidados para o almoço não foram feitos pela minha assessoria, obviamente quem convidou aqui no Chile sabia quem estava convidando."

Bolsonaro minimizou sua recente queda de popularidade, de 15 pontos percentuais, afirmando que "as pesquisas no Brasil não podem ser levadas a sério" e lembrou que sondagens eleitorais do ano passado "diziam que eu não ganharia no segundo turno".

O presidente foi questionado também sobre as declarações do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que afirmou que o general Augusto Pinochet, ex-ditador do Chile (1973-1990), "teve de dar um banho de sangue" no país e que isso era "triste", porém, teria fixado "bases macroeconômicas" que "nem oito governos de esquerda mexeram".

A isso, Bolsonaro respondeu que não tinha vindo ao Chile para falar de Pinochet.

"Tem gente que gosta dele, tem gente que não gosta. O regime militar aqui foi muito parecido ao do Brasil. Eu acho que essa questão da ditadura aqui no Cone Sul tem que ser levada à luz da verdade, nós chegamos a uma conclusão e pacificamos. Não podemos dar voz à esquerda que sempre tem um lado para dizer que aquele lado estava certo e não o outro."

Já sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro afirmou que "esse problema parece estar resolvido" no Chile, e que o modelo chileno era uma das inspirações para o que deseja implementar no Brasil.

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