A sessão ordinária desta terça-feira (10) na Assembleia Legislativa foi substituída por uma solenidade para homenagear as mulheres, em alusão ao Dia Internacional a elas dedicado, no último domingo (8). Embora o regimento autorize o procedimento exclusivamente para essa data, os parlamentares chegaram à 14ª reunião em plenário sem aprovar ou discutir um projeto sequer.
Em anos anteriores, as homenagens eram feitas no saguão e depois as atividades normais eram retomadas. “Fui pego de surpresa. Não imaginava que (a homenagem) seria sessão solene” disse o deputado Renato Câmara (MDB).
Hoje, além de interromper os trabalhos legislativos, as homenageadas reclamaram que sequer tiveram a chance de ocupar a tribuna para agradecer a honraria ou discursar sobre luta feminina por espaço igualitário na sociedade.
“Houve atraso muito grande para compor as comissões e já estamos no terceiro mês e nada de projetos, embora essa sessão esteja legalizada pelo regimento interno de duas legislações anteriores”, criticou o deputado estadual Pedro Kemp (PT).
Questionados sobre a ausência de trabalho legislativo, outros parlamentares não quiseram comentar. “Cobra a Comissão de Constituição e Justiça, não pertenço a ela. Prefiro não opinar”, disse Márcio Fernandes (MDB).
COMENDA
Mesmo diante de todas as polêmicas, a homenagem correu como o programado. Foram homenageadas 24 mulheres, entre promotoras, personalidades políticas e a gari Jossina Velasquez Chacon, cuja comenda foi a mais emocionante e aplaudida entre os presentes.
Ela é boliviana naturalizada brasileira há sete anos. Casada, mãe de quatro filhos, trabalha das 18h às 3h e mora no bairro José Teruel. “Sou muito feliz nesta cidade e em meu trabalho, porque sei da importância de minha contribuição para que as pessoas encontrem tudo limpo. E, trabalhando neste horário, tenho como cuidar de minha família durante o dia”, disse Jossina.