Política

Covid-19

'Que agora pense nos mais pobres', diz Mandetta sobre teste positivo de Bolsonaro

Ex-ministro da Saúde ainda afirma que infecção do presidente era 'questão de tempo' já que ele não tomava cuidados básicos

Nyelder Rodrigues

08/07/2020 - 15h35

A infecção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo novo coronavírus, causador da covid-19, causou repercussão mundial e gerou reações em toda a sociedade brasileira, incluindo parlamentares, lideranças políticas e especialistas. Nas duas últimas se encaixa o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Demitido em plena ascensão da pandemia no Brasil, Mandetta revelou ao Correio do Estado esperar que a situação faça o seu ex-chefe repensar na maneira como publicamente trata a doença. Ele também frisa que, mais cedo ou mais tarde, o Bolsonaro seria contaminado pelo novo vírus, já que não tomava as devidas precauções.

"É natural até que isso aconteça. Brasília (DF) é uma cidade em que a transmissão está muita intensa e o governo local decidiu liberar tudo, comércio, aulas. Os contágios serão cada vez mais comuns lá. Costumamos dizer que esse vírus é muito democrático, ele não escolhe classe social, atinge de presidente à chofer", comenta o ex-ministro.

Mandetta ainda completa que "era uma questão de tempo" para que Bolsonaro se infectasse e espera que agora, apesar da doença não mostrar alto indíce de letalidade se comparado a outras doenças na métrica de mortes por cada mil casos confirmados, Bolsonaro use o momento para refletir sobre os reais impactos da covid-19.

"As pessoas só mudam suas posturas quando querem. Esse seria um bom momento para ver que ele tem estrutura a sua disposição, eletrocardiograma, hospital com leitos. Fez ressonância já no primeiro dia. Ele teria que refletir sobre aquele cidadão que mora na periferia, em um cômodo só, divide quarto e não tem nada disso", dispara.

O ex-ministro, que em Mato Grosso do Sul foi deputado federal e secretário de Saúde de Campo Grande, prossegue dizendo que, se Bolsonaro conseguir fazer essa reflexão, talvez colha algo positivo da situação. "Que agora pense nos mais pobres".

Live na Câmara Municipal  

Nesta quarta-feira (8), Mandetta participou pela manhã de live na Câmara Municipal em que abordou vários assuntos, desde política de saúde até o envolvimento da política eleitoral e jogo de poder nas decisões sanitárias, desaprovando muitas delas.

"Estamos à deriva, em uma nau sem rumo. Faz 60 dias que estamos sem Ministro da Saúde. De 10 medidas de combate à pandemia, 9 saíram do Legislativo", argumenta o ex-ministro. "Isso já passou de qualquer limite do razoável, e não é inteligente tornar isso uma discussão política", frisa Mandetta.

Além disso, ele também mostrou preocupação com o uso da ivermectina no tratamento da covid-19 e como medida de prevenção. "Deve se ter muito cuidado. Tem muitos que defendem a cloroquina, tem muitos que defendem a ivermectina, que é um remédio aqui no nosso Estado muito conhecido porque entrou pelo uso veterinário".

Apesar de já ter sido introduzido também no uso para humanos, Mandetta ressalta que a ivermectina é muito usado em gado. "Tem os que defendem o Anitta, tem outros que defendem a heparina, tem outros que defendem o corticoide”, finaliza o ex-ministro.

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