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ENTREVISTA

“2021 será um ano de inúmeras incertezas e a Assembleia deve estar preparada”, diz Paulo Corrêa

Presidente da Alems fala sobre a pandemia de Covid-19 e os principais desafios para os próximos dois anos
28/12/2020 10:00 - Flávio Veras


O presidente reeleito da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) avaliou seu primeiro biênio no comando da Casa de Leis (2019-2000). Além disso, Paulo Corrêa falou sobre as ações no combate à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e quais serão os desafios enfrentados pelo Legislativo, governos do Estado e federal nos próximos dois anos. De acordo com Corrêa, 2021 é um ano que chega com muitas incertezas, “uma vez que o País ainda enfrenta, de maneira um pouco nebulosa, a liberação de um plano nacional de vacinação”.

Paulo Corrêa foi reeleito para presidir a Assembleia por mais dois anos. O parlamentar não encontrou dificuldade para permanecer no comando da Mesa Diretora e teve uma reeleição tranquila. Após ser eleito, ele agradeceu a confiança depositada nele novamente pelos colegas da Casa.  

“Reconduzido para o novo biênio, minhas primeiras palavras são de gratidão e confiança renovada. Com humildade acolho esta recondução: entendo que é a maior missão na minha vida. Diante de uma pandemia do coronavírus, o Poder Legislativo, nos seus limites constitucionais, tem respondido com presteza a este momento. É nos momentos mais ásperos que a Assembleia tem se engrandecido”, enalteceu.

Confira a entrevista com o presidente da Alems.

Correio do Estado: Quais serão os maiores desafios para os próximos dois anos?

paulo Corrêa: Entraremos em 2021 ainda com muitas incertezas oriundas da pandemia da Covid-19, uma vez que o País ainda enfrenta, de maneira um pouco nebulosa, a liberação de um plano nacional de vacinação que possa, efetivamente, imunizar todo o País. Logo, acredito que a retomada da economia e da vida no pós-pandemia devem ser temas que estarão, sem dúvidas, nos radares de todos os gestores públicos e de toda a sociedade.

Neste ano vocês perderam um colega, Onevan de Matos, para a Covid-19. Quais as lições que os parlamentares podem retirar desta pandemia?

A pandemia pegou o mundo todo de surpresa e tem deixado um rastro triste de mortes e sofrimento. O Estado perdeu um grande homem público, nós perdemos um nobre colega de parlamento e a família perdeu um pai, um marido e um amigo. Fica uma lição de esperança e de união. Ninguém vence uma guerra contra um inimigo tão letal e invisível sozinho, foi preciso que todos – gestores, políticos, cientistas, profissionais de saúde e sociedade em geral – se unissem em torno de um objetivo maior. E isso só é possível com muito trabalho. Não paramos de trabalhar um dia sequer.  

A pandemia é um dos maiores desafios enfrentados pelos gestores e legisladores de todo o mundo. Partindo deste ponto, como o senhor avalia o trabalho da Assembleia ao longo deste ano perante a pandemia?  

Infelizmente, 2020 ficará marcado pela pandemia e, consequentemente, por toda uma série de impactos e consequências em todo o mundo. O Brasil já se aproxima de 200 mil mortos e quase sete milhões de contaminados, são números aterrorizadores e que deixaram um rastro de sofrimento no País. Todavia, mesmo com todas as dificuldades, a Assembleia Legislativa de MS não parou. Tivemos de nos readequar e lançar mão da tecnologia para manter as sessões, que aconteceram com presença maciça dos deputados. Destinamos mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares para os 79 municípios do Estado, para auxiliar no enfrentamento à Covid-19, e analisamos inúmeros projetos de leis que tratavam de medidas de prevenção, autorização de pagamentos, suspensão de consignados, novo Refis, entre outros, além de dezenas de proposições e indicações. São inúmeras lições e tantas mudanças – o advento de um novo normal já bate à porta e nos obrigará a uma adaptação em todas as áreas. Será preciso, repito, união e muito trabalho.  

Como o senhor verifica essa politização da vacina em nível nacional. Acredita que seja necessário governos e legislativos estaduais fazerem suas próprias leis de vacinação, diante de incertezas e polêmicas que tumultuam programas de saúde pública?

Apesar de a gestão de saúde ser tripartite, compartilhada entre União, estados e municípios, no caso da vacinação, a responsabilidade é do governo federal, uma vez que o Brasil conta com um programa nacional de imunizações anterior, inclusive, ao próprio SUS. A compra e a distribuição de vacinas cabe ao governo federal, logo, esperamos que, tão logo a Anvisa libere um imunizante, os brasileiros recebam um calendário de vacinação exequível. 

Qual será a importância da Assembleia no pós-pandemia e na retomada econômica?  

Os 24 deputados estaduais foram fundamentais na parceria com o governo estadual para os números positivos da retomada da economia regional, que já estão aí e que colocam Mato Grosso do Sul em posição de destaque no cenário nacional, com saldo favorável na geração de emprego, na capacidade de investimento e no aumento do PIB de MS, com projeção de assumir a ponta no País para o próximo ano. Existe um respeito e uma harmonia entre os Poderes, fundamentais em uma relação republicana, e essa interlocução será fundamental na tramitação de projetos e propostas com vistas ao desenvolvimento de MS. Essa é uma das bandeiras do nosso Legislativo, o crescimento do Estado, a geração de emprego e renda e o fortalecimento do agronegócio e do setor industrial.