A defesa do tratamento precoce contra o novo coronavírus, o chamado Kit Covid, tem aumentado entre os políticos sul-mato-grossenses. A última a se render ao coquetel de medicamentos, que não tem comprovação científica de eficácia, foi a deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), que acabou ocupando o cargo após a morte do deputado estadual Onevan de Matos (PSDB), por coincidência vítima da doença.
Seu colega de legenda e também parlamentar, Herculano Borges,defendeu a inalação por cloroquina líquida, que nada mais é que o composto do medicamento diluído em soro fisiológico para aspiração.
Além deles, outros dois parlamentares oriundos do ramo da medicina, também se destacam nessa defesa: O deputado federal Luiz Ovando (PSL) e o vereador de Campo Grande, Sandro Benites (Patriota).
A parlamentar causou polêmica após gravar um vídeo e publicar em suas redes sociais, onde afirmou que 8 pessoas de sua família fizeram "tratamento precoce”, e por esse motivo, não precisaram de internação.
Hoje me senti na obrigação de dizer minha experiência com a Covid-19. Acredito que esteja havendo muita politização dessa doença, porém não precisamos permitir isso no momento. Precisamos trazer a luz experiências que deram certo, não posso afirmar que o sucesso na minha família seja em todos, pois cada organismo reage de um jeito.[..]. Fizemos o tratamento com o kit em oito pessoas da minha família e ninguém precisou ser internado”, revelou.
Porém em outro trecho do vídeo ela se contradiz ao dizer que “mesmo assim, outros familiares foram internados e chegaram a falecer infelizmente. No entanto, eu tive a doença e todos em minha casa também foram contaminados e, imediatamente, começamos o tratamento já nos primeiros sintomas [...] O único que precisou fazer o uso da cloroquina foi meu filho, que teve agravamento pulmonar. Estou dizendo isso, pois se existe alguma luz para que a gente possa evitar que pessoas sejam internadas e intubadas, nós precisamos lançar mão disso”, defendeu.
Após críticas de eleitores e especialistas, a deputada vem abastecendo suas redes sociais com falas de especialistas defensores do Kit Covid em depoimentos ou entrevistas.
Já Ovando, é o maior entusiasta do uso das medicações. Por exemplo, O Correio do Estado apurou que, das últimas nove postagens em seu Instagram, seis eram falando em defesa do tratamento precoce. De acordo com médico, o que atrapalha o uso do coquetel medicamentoso é a politização em torno da discussão, que deveria ser científica.
No entanto, esses medicamentos não têm eficácia comprovada contra a doença. Até a farmacêutica Merck, responsável pela fabricação da ivermectina, fez um comunicado dizendo que não há dados disponíveis que sustentem que o medicamento funciona contra a Covid-19.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma diretriz pedindo que a hidroxicloroquina, por exemplo, não seja usada para tratamento preventivo da Covid-19.
A Associação Médica Brasileira (AMB) também disse que esses remédios não têm eficácia para o tratamento ou prevenção da doença e que o uso deve ser banido. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também não indica o kit.
Já Herculano, que faz tratamento contra a doença em casa, afirmou que faz o uso da nebulização da cloroquina diluída em soro. Porém, a Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) alertou médicos, a não fazerem o procedimento com comprimidos triturados para tratar pacientes com Covid-19.
Os medicamentos dessa forma, podem causar danos ao sistema respiratório e o procedimento também pode contaminar o ambiente com partículas virais, disse a entidade.
Já o médico Sandro Benites também é outro defensor do tratamento precoce, o que gerou dividendo políticos e o alçou ao posto de vereador por Campo Grande.
Em entrevista ao CE, no início deste ano, o parlamentar revelou que ele lidera um grupo de 200 profissionais da área da saúde que indica tomar de forma preventiva a hidroxicloroquina, no que ficou conhecido como Kit Prevenção.