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OPORTUNISMO?

Deputados e vereadores questionam ação da Santa Casa em ano eleitoral

Hospital está endividado e presidente é pré-candidato a prefeito
07/02/2020 10:00 - Fábio Oruê


Deputados e vereadores questionam ação da Santa Casa em ano eleitoral - Fábio Oruê
 

Ação social realizada pela Santa Casa de Campo Grande no próximo sábado (8), no Bairro Moreninhas 2, não está sendo bem vista por vereadores da Capital  e deputados estaduais de Mato Grosso do Sul. Alguns deles definiram o evento como uma “agressão” aos pacientes que esperam por cirurgias no centro de saúde ou como “incoerente” já que a dívida ativa da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), mantenedora da unidade, atualmente é de R$ 13.623.094,27.

Deputado estadual Pedro Kemp (PT), disse que esta situação precisa ser levada até o Ministério Público. “Tem que acionar o Ministério Público, para que essa situação seja analisada. Achei isso muito estranho, a Santa Casa vive chorando que não tem dinheiro, então, se está sobrando dinheiro para fazer ação social tem que investigar isso. Por que os outros serviços não estão acontecendo? Ainda mais agora que ele [Esacheu Nascimento] é pré-candidato. Sempre faltou transparência da administração”, comentou Kemp.

O vereador Hederson Fritz (PSD) questionou a método de escolha do Moreninhas 2, um dos mais populosos da cidade. “A gente tem indicadores de saúde que determinam qual a atividade aquela localidade precisa, eu não sei se a Santa casa avaliou isso. O que nos causa estranheza é a questão de o presidente atual alegar falta de recurso ano passado utilizar um monte de recurso no ano eleitoral. Ele se filiou, lançou, é pré-candidato e começa utilizar aquela máquina que é uma instituição privada com objetivos filantrópicos para dar uma visibilidade ao trabalho dele, é questionável, mas não compete a mim julgá-lo”, ponderou ele.

A entidade passa por constantes crises financeiras, chegando a atrasar salários dos funcionários por várias vezes no ano passado - e também anteriormente. Além disso, quase 80% de sua receita vem dos cofres públicos. Conforme balanço divulgado pela entidade no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), durante o ano de 2018 o hospital recebeu do Sistema Único de Saúde (SUS) R$ 250.268 milhões por atendimentos feitos.

Já o vereador Chiquinho Telles (PSD), foi enfático ao condenar o uso da “deficiência na saúde para fazer palanque eleitoral”. “Para a população é bom, mas o que estranha muito é o milagre de ter recurso no ano eleitoral. Alguns meses atrás estava dizendo que não tem dinheiro [...] É uma ação eleitoreira, ele se filiou ao PP e sempre foi contra a gestão do Marquinhos [Trad], ele estava ameaçando fechar leitos, fechar atendimentos, por falta de recursos, agora milagrosamente [tem recurso] e eu não acredito em milagres. Eu acho estranho as pessoas usarem a deficiência na saúde para fazer palanque eleitoral”, disse.  

 

 
 

ENDIVIDADA

O valor da dívida da ABCG está publicado na relação dos inscritos na dívida ativa federal e, conforme o documento é referente a tributos federais não pagos (R$ 12.680.948,18) e ao não depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de alguns servidores (R$ 942.146,09).

Deputado estadual Lídio Lopes (PATRI) relacionou o fato da unidade apresentar tantos problemas e seu presidente ser pré-candidato. “A Santa Casa é um problema de anos. O hospital trancou os portões e agora faz ação social, isso é muito incoerente. Muito forte isso, ainda mais pelo fato dele ser pré-candidato”, comentou.

O evento discutido, denominado “Santa Casa nos Bairros”, será realizado das 8h às 16h na Associação dos Moradores das Moreninhas 1 e 2 e promete exames preventivos (papanicolau), mamografias e exame para câncer de próstata, além de consulta com oftalmologista - com aferição de pressão ocular, prevenção do glaucoma -, aferição de pressão arterial para diagnosticar e tratar hipertensão, teste de glicemia, consultoria jurídica. O Hemocentro Coordenador de Mato Grosso do Sul (Hemosul) também participará do evento com orientação sobre doação de sangue e campanha de conscientização. A ação terá ainda espaço infantil com animação para as crianças, aula de zumba, shows musicais, cortes de cabelo e maquiagem.

Para o vereador Wilson Sami, o evento é uma falta de foco e relembrou que em 2019 a Santa Casa estava com produtividade baixa pelo recurso que recebia do Executivo Municipal. “A população não está precisando de corte de cabelo ou maquiagem, mas sim de cirurgia eletiva, precisa ter o foco certo. A saúde pública é coisa séria, temos 40 mil pacientes na fila de espera. É uma agressão para quem está aguardando uma cirurgia”, reclamou ele, que é formado em medicina.

Além dos serviços serão oferecidas palestras de orientação sobre prevenção à dengue e a importância da doação de órgãos e medula óssea. Ambas sob a responsabilidade de funcionários da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), por meio do Coordenadoria de Controle de Endemias de Vetoriais (CCEV). Entretanto, a Sesau solicitou que seu nome fosse retirado do material de divulgação do evento. De acordo com o titular da pasta, José Mauro de Castro Filho, a pasta não foi chamada para a organizar a ação e o convite foi feito próximo a realização do evento.

“É uma ação individual do hospital. A gente pediu só para notificar porque a gente não foi chamado a participar da estruturação desse evento a gente não pode ser também agregado a esse evento, até mesmo a gente não pode estar diante de uma situação política”, declarou Filho.

 
 

*Colaboraram Bruna Aquino e Izabela Jornada

Felpuda


Pré-candidatos que em outras eras cumpriram mandato e hoje sonham em voltar a ter uma cadeira para chamar de sua estão se esmerando em apresentar suas folhas de trabalho. O esforço é grande para mostrar os serviços prestados, mas estão se esquecendo que a cidade cresceu, os problemas aumentaram e aquilo que já foi tido como grande benefício hoje não passa da mais simples obrigação diante do progresso e das novas exigências legais. Assim sendo...