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ELEIÇÔES

Após reportagem, candidata a vice-prefeita procura a Justiça e vai responder por fraude

Juliana Zorzo se deu por citada no dia em que Correio do Estado publicou denúncia de promotor sobre fraude em licitação
03/10/2020 10:08 - Eduardo Miranda


A candidata a vice-prefeita de Campo Grande pelo MDB, Juliana Zorzo, registrou seu comparecimento espontâneo no processo em que é acusada pelo crime de fraude em licitação.  

A iniciativa de Zorzo, integrante da chapa pura do MDB, em que Márcio Fernandes é candidato a prefeito, ocorreu no mesmo dia em que o Correio do Estado publicou reportagem informando que o promotor de Justiça do Patrimônio Público Humberto Lapa Ferri pediu ajuda ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) para encontrar Juliana Zorzo.  

O pedido feito por Ferri, autor da denúncia, ocorreu depois que Zorzo tornou pública sua candidatura. A Justiça já havia feito pelo menos três tentativas de encontrar Juliana Zorzo: uma por oficial de Justiça e outras duas por edital.

Sem ter sido encontrada até se lançar candidata, Juliana Zorzo seguia processada à revelia pelo Tribunal Regional Eleitoral.  

No dia 1º de outubro, logo após denúncia feita pelo Correio do Estado, a equipe de Juliana Zorzo enviou sua explicação para o ocorrido: “O fato de ainda não ter sido localizada pessoalmente para o recebimento do mandado de citação no referido processo não decorre, em hipótese alguma, de desídia da parte da nossa cliente”, informou o advogado Felipe Barbosa. O advogado também fala que não houve citação pessoal, pois no mandado de citação havia um endereço diferente do dela.

 

CARTAS MARCADAS

O crime de fraude em licitação ocorreu em 2014, quando Juliana Zorzo era vereadora e acabou nomeada pelo então prefeito Gilmar Olarte para assumir a Fundação de Cultura de Campo Grande (Fundac). Conforme o Ministério Publico Estadual, ela comandou um esquema de cartas marcadas para legalizar os serviços que a empresa Fino Traço já vinha prestando à Fundac.  

Juliana trouxe da Câmara Municipal de Campo Grande a Fino Traço, que já atendia seu gabinete. Para isso, ela, servidores da Fundac e mais duas empresas participaram do esquema para simular a concorrência e “esquentar” serviços que ela já havia solicitado da empresa – sem procedimento licitatório algum.

“Ao assumir o cargo de diretora-presidente da Fundac, Juliana Zorzo, de forma dolosa, contratou verbalmente a empresa Fino Traço para prestar serviços à Fundac, sem qualquer procedimento licitatório ou formalização dos serviços prestados”, afirmou o promotor Huberto Lapa Ferri na denúncia.

“Visando dar ‘ares de legalidade’ aos indevidos serviços prestados pela empresa Fino Traço, a denunciada Juliana Zorzo, juntamente com os demais denunciados (servidores e proprietários das empresas requeridas), forjou uma licitação, na modalidade convite, que tinha por objeto a contratação de uma empresa para prestação de serviços gráficos à Fundac, contando com a conivência das empresas Fino Traço, RR Nogueira e Grafscreen”, complementou o promotor.

Conforme a denúncia, a Prefeitura de Campo Grande ordenou o pagamento de R$ 128,5 mil (R$ 49.250,00 e R$ 79.250,00) à Fino Traço.

Além de Juliana, o promotor de Justiça denunciou Clarindo Cleber Gimenes, ex-diretor da Fundac, e os outros ex-diretores da mesma fundação: Raquel Marin Lugo Magdalena e Dyego Cavalari Ferreira Brandão. Também foram denunciados o ex-assistente administrativo da Fundac Gustavo Henrique Alves Lima, Fábio de Almeida Serra Souto, Ruth Barros dos Santos e Mario Justiniano de Souza Filho, servidores que na época estavam na Comissão Permanente de Licitação, além de Laís Ferreira Paulino Borges, Luiz Antônio Mossini, Douglas Kostsantinos Gutterres Liokalos, todos ligados à Fino Traço; Renato Aparecido da Silva, da empresa RR Nogueira; e Joel Lopes dos Reis Junior, da Grafscreen.