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JUNTOS, PORÉM DISTANTES

Azambuja deixa para o PSDB discutir apoio a Trad: "não vamos misturar política e pandemia"

Azambuja e Marcos Trad têm entendimentos opostos sobre ações para conter o coronavírus em Campo Grande
04/08/2020 16:44 - Eduardo Miranda, Gabrielle Tavares


“Não discutimos as questões de pandemia e de política juntas”. Foi assim que o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), respondeu ao ser perguntado se o apoio dele à reeleição do prefeito Marcos Trad (PSD), está mantido.  

Desde que o contágio e o número de óbitos por Covid-19 em Campo Grande e, consequentemente, no Estado, se aceleraram, há 20 dias, que governo de Mato Grosso do Sul e prefeitura da Capital não tem tido o mesmo entendimento e estratégia sobre as formas de se reduzir a transmissão do coronavírus na cidade.  

O governo do Estado classificou por duas vezes Campo Grande no nível extremo de seu programa desenvolvido com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Prosseguir. Este nível, de cor preta, indica a quarentena quase total - com somente as atividades essenciais abertas - para conter a disseminação do vírus.  

Trad, porém, atendeu os apelos da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), manteve as atividades abertas, e ainda flexibilizou o “lockdown” de fim de semana que havia decretado na última quinzena de julho.  

ENTENDIMENTOS OPOSTOS

Na última sexta-feira (31 de julho), o prefeito Marcos Trad (PSD) chegou a dizer, em entrevista ao telejornal MS2, que caberia ao governador reunir os prefeitos da macro-região de Campo Grande para uma decretação de lockdown (quarentena).  

“Independentemente das ações da política, cada um tem a sua, a unidade de pensamento da secretaria estadual (da Saúde) com a secretaria municipal de Campo Grande pode levar ações concretas e conjuntas, para evitar este exponencial crescimento aqui na nossa Capital”, disse Azambuja.

“A questão política quem discute é o partido. Aí o PSDB, os vereadores da Capital - que vão disputar as eleiçoes - estão conversando politicamente, e eu tenho certeza que eles vão buscar o melhor entendimento”, complementou o chefe do Executivo estadual.  

 
 

JUNTOS, PORÉM DISTANTES

Azambuja afirmou várias vezes ao longo de 2019 e no início deste ano, que apoiaria a reeleição de Marcos Trad (PSD) como uma escolha pessoal, uma forma de retribuição ao apoio que recebeu no segundo turno das eleições de 2018.

Integrantes do partido do governador, o PSDB, não escondem o desejo de o partido ter candidatura própria. O mesmo se aplica ao diretório nacional, que chegou a orientar que nas capitais, o partido tivesse seus próprios candidatos.  

Trad, por sua vez, tem conversado com integrantes de outros partidos, como do DEM, por exemplo. A vaga de vice na chapa de reeleição de Trad, ainda não está definida.

Ao finalizar sua resposta sobre se o apoio a Trad está ou não mantido, Azambuja lembrou de decisões de cunho científico, e de respeito à autonomia municipal. “Isso não se mistura, sobre essas decisões de cunho cientifico. A gente tem respeitado a autonomia municipal, mas orientado as decisões que devam ser feitas", lembrou.

 

Felpuda


Entre sussurros, nos bastidores políticos mais fechados, os comentários são que história apregoada por aí teria sido construída para encobrir o que realmente foi engendrado em conversa que resultou em negociata. 

O script foi na base do “você finge que é assim, e nós fingimos que acreditamos”. 

Batido o martelo, a encenação prosseguiu e, conforme o combinado, deverão ser apresentados novos episódios.

Ah, o poder!