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BRASÍLIA

Parlamentares de Mato Grosso do Sul divergem sobre influência de crises nas eleições

Representantes de MS avaliam se cenário atual, com crise na Saúde e na Economia, pode afetar a votação para escolher os presidentes da Câmara e do Senado
25/01/2021 10:00 - Clodoaldo Silva


Fatos recentes externos ao Congresso Nacional envolvendo o Palácio do Planalto dividem opinião da bancada federal sul-mato-grossense sobre o quanto podem interferir nas eleições dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, previstas para 1° de fevereiro. 

O caos registrado em Manaus por falta de oxigênio, a campanha de imunização nacional com a vacina chinesa por não existir outra opção e o crescimento da campanha pelo impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), podem favorecer as candidaturas intituladas independentes.  

Entre os que falam em autonomia em relação ao Palácio do Planalto, os nomes mais fortes são Baleia Rossi, na Câmara dos Deputados, e Simone Tebet, no Senado, ambos do MDB. São candidaturas que se opõem a Arthur Lira (PP), na Câmara, e Rodrigo Pacheco (DEM), no Senado, que têm apoio do presidente Jair Bolsonaro.

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Para o deputado federal sul-mato-grossense Beto Pereira (PSDB), “esses fatos [que ocorrem fora do Congresso Nacional] contribuem, sim, para que a oposição se fortaleça na disputa do Senado e da Câmara. Somado a isso, as declarações antidemocráticas do presidente. O parlamento não pode ficar de joelhos diante do autoritarismo do chefe de governo”.

Outro parlamentar que avalia que ações e atos do presidente vão influenciar na votação é o deputado Dagoberto Nogueira (PTD). 

“Daqui para frente todo mundo vai querer se afastar do [presidente] Bolsonaro. As pessoas estão tomando conhecimento de quem é ele. A cada dia que passa, essa ignorância dele não tem mais como ser escondida. Isso vai ficando cada vez mais claro, e ele vai se isolando. Logicamente, onde ele põe a mão tem risco de perder”.

OUTRA VISÃO

Porém, para os deputados Fábio Trad (PSD) e Vander Loubet (PT), desdobramentos de atos do Executivo não devem interferir nas eleições nas duas Casas. Trad enfatizou que “a eleição ainda está muito corporativa. A sociedade não entrou na disputa. 

Ela, a campanha, está interna demais. Por isso, ainda o que prevalece é a força político-partidária interna das duas Casas. Por enquanto”.

Já Loubet destacou que “essas questões citadas – o caos em Manaus, a vacinação com vacina chinesa que teve [João] Doria como protagonista e o crescimento da campanha pelo impeachment de Bolsonaro – não vão interferir tanto na eleição da Mesa Diretora da Câmara. 

A eleição do Senado acompanho mais de longe, então não sei qual pode ser o peso dessas questões na eleição. Na Câmara, as disputas costumam ser muito acirradas, principalmente porque a posição individual de cada deputado tem muito peso”.  

“Este ano em particular, a impressão que tenho é a de que os líderes partidários não estão conseguindo ‘liderar seus liderados’, por assim dizer. São 513 deputados, então é muito difícil fazer o que é feito no Senado, onde os candidatos conseguem conversar e estabelecer seus acordos e consensos com cada senador – e onde os candidatos e líderes conseguem monitorar melhor a intenção de voto. Então, o resultado na Câmara pode ser qualquer um”, completou o deputado petista.

Loubet se refere ao fato de líderes partidários terem declarado apoio a uma candidatura ou outra, mas vários parlamentares da legenda manifestam posição contrária, afirmando que não vão seguir a orientação do líder.

Um dos casos é o deputado federal sul mato-grossense Loester Trutis, do PSL.  

O partido declarou apoio a Baleia Rossi, só que o deputado falou que vai votar no candidato do governo, Arthur Lira, por um simples fato: “Atendi a um pedido do [Palácio do] Planalto”, alegou o deputado Trutis.