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DEMISSÃO

Bolsonaro demite Mandetta e escolhe Nelson Teich para substitui-lo a na Saúde

Desde o início da crise do coronavírus, ministro e presidente vinham se desentendendo
16/04/2020 15:13 - Estadão Conteúdo


 

Após semanas de desavenças, o presidente Jair Bolsonaro demitiu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta quinta-feira, 16. O oncologista Nelson Teich vai assumir o cargo. O anúncio deve ser feito ainda hoje, mas Mandetta já confirmou a demissão no Twitter. 

Teich se reuniu com o presidente pela manhã, quando, segundo interlocutores do presidente, causou boa impressão.

Desde o início da crise do coronavírus, ministro e presidente vinham se desentendendo sobre a melhor estratégia de combate à doença. Enquanto Bolsonaro defende flexibilizar medidas como fechamento de escolas e do comércio para mitigar os efeitos na economia do País, permitindo que jovens voltem ao trabalho, o agora ex-ministro manteve a orientação da pasta para as pessoas ficarem em casa. A recomendação do titular da Saúde segue o que dizem especialistas e a Organização Mundial de Saúde (OMS), que consideram o isolamento social a forma mais eficaz de se evitar a propagação do vírus.

Os dois também divergiram sobre o uso da cloroquina em pacientes da covid-19. Bolsonaro é um entusiasta do medicamento indicado para tratar a malária, mas que tem apresentado resultados promissores contra o coronavírus. Mandetta, por sua vez, sempre pediu cautela na prescrição do remédio, uma vez que ainda não há pesquisas conclusivas que comprovem sua eficácia contra o vírus

As últimas atitudes do ex-auxiliar elevaram a temperatura do confronto e, na visão de auxiliares, o estopim da nova crise foi a entrevista dada por Mandetta ao programa Fantástico, da Rede Globo, na noite de domingo. O tom adotado pelo ministro foi considerado por militares do governo e até mesmo por secretários estaduais da Saúde como uma “provocação” ao presidente.

Na terça-feira, em entrevista da série “Estadão Live Talks”, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que Mandetta "cruzou a linha da bola” quando disse, no domingo, que a população não sabe se deve acreditar nele ou em Bolsonaro. “Cruzar a linha da bola é uma falta grave no polo. Nenhum cavaleiro pode cruzar na frente da linha da bola”, explicou o vice. “Ele fez uma falta. Merecia um cartão”, continuou Mourão.

O ministro admitiu a auxiliares ter cometido um erro estratégico e que tentaria nos próximos dias sair do foco da crise. Auxiliares do presidente observam que Bolsonaro só não dispensou o ministro ainda porque faz um cálculo pragmático.

Interlocutores dos dois lados afirmam que tanto Mandetta como Bolsonaro estão calculando a melhor forma de troca no ministério. Ambos querem fugir do ônus da mudança de comando da saúde em plena covid-19.

Pesquisas mostram que Mandetta, hoje, é mais popular que Bolsonaro e sua demissão, neste momento, poderia agravar a crise. Por isso a solução caseira, de manter Gabbardo no comando da pasta, passou a ser cogitada.

Em conversas reservadas, Mandetta já chegou a confidenciar que só não tomou a iniciativa de deixar o governo antes por receio de ficar com o ônus de quem abandonou “o barco” – ou “o paciente”, como tem dito – no momento mais dramático.

 

Felpuda


Apressadas que só, figurinhas tentaram se “apoderar” do protagonismo de decisão administrativa. Não ficaram sequer vermelhas quando se assanharam todas para dizer que tinham sido responsáveis pela assinatura de documento que, aliás, era uma medida estabelecida desde 2019. Quem viu o agito da dupla não pode deixar de se lembrar daquele pássaro da espécie Molothrus bonarienses, mais conhecido como chupim, mesmo. Afe!