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JANELA

Cinco vereadores mudam de partido; dois vão para o PSD

Grupo do prefeito Marcos Trad ganha mais aliados para concorrer as próximas eleições
05/03/2020 08:00 - Natalia Yahn


 

Com o período da “janela partidária” - opção para os parlamentares mudarem de partido sem prejuízos ao mandato atual -, que começa hoje e segue até o dia 3 de abril, pelo menos cinco dos 29 vereadores de Campo Grande vão se filiar a novas siglas. O PSD, partido do prefeito Marcos Trad, até agora é o partido com maior quantidade de novos integrantes, Otávio Trad que deixa o PTB e Valdir Gomes (PP).  

Mas o número ao PSD, que atualmente tem apenas o vereador Hederson Fritz como representante, pode aumentar. O vereador Ademir Santana (PDT) também pode serguir para a sigla mais desejada do Legislativo. “Eu recebi vários convites, do DEM, PSDB e PSD. Ainda vou definir. Por enquanto vou ficar sem partido. Como mudou a lei, estou vendo a parte legal, se é automático quando filio a outro partido. Mas que vou sair do PDT é certeza. O histório dele é de brigar, arrumar confusão”, observou.

A mágoa de Santana com o partido é antiga, da época que o juiz federal aposentado Odilon de Oliviera concorreu ao governo do Estado - em 2018. “Na campanha do Dr. Odilon fiquei sozinho, só eu. os outros vereadores ficaram na coligação e apoiaram o Reinaldo (Azambuja - PSDB). Fiz a campanha inteira. Claro que o (Odilon de Oliveira) Júnior não ia ficar contra, o Betinho (Republicanos) concorria como deputado federal e o Gilmar (da Cruz - Republicanos) como senador”, observou.

Já a filiação de Otávio Trad e Valdir Gomes ao PSD é a formalização de um namoro antigo. Trad é herdeiro de um dos maiores aglomerados políticos, neto do deputado federal falecido Nelson Trad. O clã político-familiar tem mandatos no Senado (Nelson Trad Filho), na Câmara dos Deputados (Fábio Trad), além do Executivo Municipal, já citado, e todos estão filiados atualmente ao PSD.  

“Como tudo que faço na minha vida, quero sair do PTB pela porta da frente. Vou lá agradecer por estes anos dentro do partido e posteriormente irei procurar o PSD para fazer a filiação. Com certeza as novas filiações demonstram a força do prefeito e do partido. E principalmente a união de pessoas que veem no projeto do Marquinhos Trad o melhor para Campo Grande nos próximos quatro anos. Olha o jeito que o prefeito pegou esta cidade em 2017 e como está hoje”. Ele também falou sobre a ligação familiar com o partido para onde está de mudança. “É consequência do trabalho, temos (ao lado dos tios) um pensamento para Campo Grande que acaba sendo similar. Para o futuro da nossa cidade, todos nós temos  que tentar contribuir cada vez mais”, finalizou.

Em entrevista ao Correio do Estado, o senador Nelson Trad Filho - que também é presidente estadual do PSD -, tem o mesmo discurso do sobrinho vereador. “É natural, quem puxa a locomotiva e uma candidatura majoritária, no caso reeleição, tenha um número maior de parlamentares que o acompanha. Isso principalmente se está fazendo um bom trabalho. Com a nova mudança da legislação, que não é mais permitido coligação, o fortalecimento é no próprio partido. É tendência natural que os partidos busquem se agrupar”.

SAÍDAS

O PP, partido do ex-prefeito Alcides Bernal e que tem o presidente da Santa Casa Esacheu Nascimento como pré-candidato, perdeu além de Gomes a vereadora Dharleng Campos. Ela anunciou na terça-feira (3) que vai se filiar ao MDB. A confirmação ocorreu após visita do ex-governador André Puccinelli e outros líderes do partido - deputados Eduardo Rocha e Márcio Fernandes, pré-candidato da sigla - ao gabinete dela na Câmara.  

Mas para o vereador Derly de Oliveira, o Cazuza, que é presidente municipal do PP, as duas saídas não foram surpresas. “Estou vendo as notícias. Oficialmente não recebi nenhum comunicado de desligamento da Dharleng. Com relação ao Valdir já sabia há um tempo atrás, mas estou esperando oficializar. É normal cada um seguir seu caminho e achar o partido mais interessante para seus pensamentos”. Mesmo com as baixas, Cazuza acredita que no próximo pleito o partido tem chance de ter mais eleitos. “Tivemos chapa pura em 2012 quando elegemos dois vereadores e em 2016 com três. Vamos colocar 44 candidatos e buscar no mínimo 3 e quem sabe ampliar para quatro”, disse.

O vereador Odilon de Oliveira Júnior (PDT) também deve mudar de partido. Ele foi procurado para falar do assunto, mas não deu resposta até o fechamento desta edição. Também há boatos sobre a saída de André Salineiro do PSDB, maior bancada da Casa com seis vereadores. Ele não atedeu as ligações da reportagem.

O vereador Eduardo Cury, que está sem partido há oito meses após deixar o Solidariedade, deve se filiar ao DEM. “Eu recebi vários convites, mas estou fechado com o DEM. Vamos organizar com a executiva municipal uma data para filiação junto com os ministros Luiz Henrique Mandetta e Tereza Cristina, que são extremamente ocupados. Mas deve ser agora em março”.

 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.