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NOTA DE REPÚDIO

Conselho MS pede que STF investigue declaração de Bolsonaro contra Dilma Rousseff

Conselho Estadual de Direitos Humanos publicou nota de repúdio contra discurso onde Bolsonaro questiona tortura sofrida por Dilma
04/01/2021 11:42 - Gabrielle Tavares


O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de Mato Grosso do Sul (CEDHU-MS) publicou nota de repúdio contra Jair Bolsonaro (sem partido) e pediu que Supremo Tribunal Federal e o Congresso no Nacional Brasileiro apure as declarações do presidente.

No dia 28 de dezembro, Bolsonaro questionou a veracidade das torturas sofridas pela ex-presidente Dilma Rousseff no período da ditadura militar (1964-1985).

Em conversa com seus apoiadores, ele disse que “dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio-X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio-X”.

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O Conselho Estadual afirmou que as declarações são “desrespeitosas” e que Rousseff foi vítima de atitudes “covardes” de agentes do Estado, “conforme atesta farta documentação avaliada, confirmada e disponibilizada pela Comissão Nacional da Verdade do Brasil”.

“Em nosso entendimento, os comentários públicos do Presidente Jair Bolsonaro, ironizando e duvidando da tortura perpetrada contra a Ex-presidente, é muito desrespeitosa, não somente em relação à Ex-presidente Dilma Rousseff, mas desrespeita, também, todos os familiares e as vítimas da famigerada ditadura civil-militar brasileira”.

A nota assinada pelo presidente do CEDHU, Paulo Ângelo de Souza diz ainda que este tipo de ato é inaceitável e que neste momento a defesa da saúde da população deve ser priorizada pelo Governo Federal.

“O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de Mato Grosso do Sul se solidariza com a Ex-presidente Dilma Rousseff e com todas as vítimas da ditadura e seus familiares. Ao tempo que solicita ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso no Nacional Brasileiro a apuração sobre o referido caso”, conclui.

Repercussões

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva também manifestaram apoio a Dilma Rousseff após as declarações de Bolsonaro.

"O Brasil perde um pouco de sua humanidade a cada vez que Jair Bolsonaro abre a boca. Minha solidariedade à presidenta Dilma, mulher detentora de uma coragem que Bolsonaro, um homem sem valor, jamais conhecerá", escreveu Lula em sua conta no Twitter.

FHC também se manifestou pelas redes sociais. "Minha solidariedade a ex-Presidente Dilma Rousseff. Brincar com a tortura dela — ou de qualquer pessoa — é inaceitável. Concorde-de ou não com as atitudes políticas das vítimas. Passa dos limites".

Em nota enviada a imprensa, Dilma rebateu a provocação de Bolsonaro.

“Como não respeita nenhum limite imposto pela educação e pela civilidade, uma exigência a qualquer político, e mais ainda a um presidente da República, desmoraliza mais uma vez o cargo que ocupa. Mostra-se indigno ao tratar com desrespeito e com deboche o fato de eu ter sido presa ilegalmente e torturada pela ditadura militar. Queria provocar risos e reagiu com sórdidas gargalhadas às suas mentiras e agressões”, disse a ex-presidente.

O presidente não se manifestou novamente sobre o assunto.

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