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CAMPO GRANDE

Educação será bandeira de Tiago Vargas: “Ela salvou minha vida”

Ex-policial, Tiago Vargas, vereador mais votado da Capital, mora no Jardim Los Angeles e quer mais oportunidades na periferia
21/11/2020 10:30 - Flávio Veras


Candidato a vereador mais votado em Campo Grande nas últimas eleições, com 6.202 votos, Tiago Vargas (PSD) é ex-policial civil e mora até hoje no bairro onde nasceu, o Jardim Los Angeles, região sul da Capital e que, até o início da década passada, era uma das regiões mais violentas da cidade.  

Demitido da Polícia Civil após vários processos administrativos, Vargas ficou conhecido por liderar movimentos grevistas na instituição. Filiado ao PSD, do prefeito Marcos Trad, promete lutar pela bandeira que o permitiu superar as dificuldades para chegar onde chegou: a educação.  
 

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Ex-servidor da segurança pública, Vargas promete defender não somente o setor pelo qual passou, mas também o combate à criminalidade, seja ela a violenta ou do colarinho branco.  

Sobre a educação, Vargas disse que foi ela que abriu as portas para ele. No Jardim Los Angeles, onde mora, muitos garotos da geração dele ou foram assassinados ou se envolveram com o crime. Tiago superou todas estas dificuldades e diz que o ensino público foi sua “salvação”. “Me abriu as portas”, alega.

 

SALVOU MINHA VIDA

“A educação salvou minha vida, pois eu moro em um bairro que já foi considerado um dos mais perigosos do Estado. Além disso, estudei na escola estadual Marçal de Souza Tupã-y, a qual já foi considerada a pior instituição de ensino público para se trabalhar em Mato Grosso do Sul, devido à taxa alta de criminalidade na região. Portanto, eu sou um exemplo do que a educação é capaz e o quanto ela pode ser transformadora nos jovens mais pobres”, destaca.  

Após concluir o Ensino Médio, o ex-policial se formou em História pela Uniasselvi. Depois de graduado, lecionou na Marçal, a escola em que ele concluiu seu Ensino Médio. “Veja como educação é importante, eu fui professor na escola onde eu estudei. Com o ensino público também fui capaz de correr atrás do meu objetivo de ser policial. Na minha época, tínhamos dois sonhos: um deles era ser jogador de futebol, e o outro, ser policial. Eu optei pela segundo, sendo que em 2013 prestei o concurso para investigador e passei como o terceiro melhor colocado”, ressalta.

Nessa linha, Vargas afirmou que pretende usar as escolas dos bairros periféricos da Capital para viabilizar cursinhos preparatórios para concursos públicos. “Existem muitos cursinhos que preparam alunos de baixa renda para o Exame Nacional do Ensino Médio [Enem], que serve para ingressar na faculdade. No entanto, não existem aqueles que preparam para prestar concursos. Assim como aconteceu comigo, o concurso público pode mudar a realidade de um jovem pobre”, argumenta.  

 
 

DEMISSÃO

Depois de ter sido professor e ter ingressado na Polícia Civil, Vargas foi excluído da instituição. Foi a atuação dele, controversa – pois há quem elogie e quem critique –, que o ajudou a se tornar conhecido.  

Ele foi exonerado em julho deste ano por cometer nove infrações disciplinares previstas na Lei Complementar nº 114/2005, que dispõe sobre os direitos e as obrigações dos membros da instituição. Ainda conforme a corporação, a conduta do ex-policial, combinada a infrações disciplinares do Art. 172 da Lei Orgânica, prevê pena de demissão.

Segundo Tiago, os motivos da demissão dele se deram pelas denúncias feitas contra a administração estadual.  

“Esse fato nunca ocorreu dentro da instituição. Eles alegaram que minha conduta não condizia com os parâmetros impostos pela instituição. Isso me doeu muito, pois não foi apenas uma exclusão; viramos policiais devido a um sonho. Eu não entrei na instituição apenas atrás de estabilidade e salário, eu prestei o concurso porque ser investigador era um objetivo de vida”, lamentou.  

Vargas se candidatou pelo PSD, partido do prefeito eleito Marcos Trad, que foi apoiado pelo PSDB do governador Azambuja, alvo de muitas de suas críticas quando era policial. Questionado pelo Correio do Estado se esse fato não seria contraditório, o ex-investigador afirmou que seu mandato será independente.  

“Estou no PSD porque foi o único partido que me abriu as portas. Os dirigentes da legenda me procuraram e falaram que queriam me lançar candidato. No entanto, meu mandato será independente, como foi minha campanha. Eu não levantei bandeira de nenhum candidato a prefeito, eu fiz ela sozinho, com poucos recursos e com a ajuda da minha mãe, a qual foi minha maior cabo eleitoral. Portanto, o que for de benefício à população, estarei com o prefeito Trad, o que não for, terei minha independência”, relatou.

 
 

REDES SOCIAIS

Desde então, o vereador eleito intensificou ainda mais sua atuação nas redes sociais. Hoje com 45 mil seguidores no Instagram, Vargas afirmou que as mídias sociais foram fundamentais para a vitória expressiva que teve nas urnas, alcançando o posto de vereador mais bem votado, com 6.202 votos conquistados.

“Acredito que as redes sociais foram fundamentais na minha vitória. Somando o Instagram e meu perfil no Facebook, tenho pouco mais de 100 mil seguidores, e esse fato refletiu no número de votos que eu tive”, avaliou.  

 

QUATRO FRENTES

Filho de empregada doméstica, Tiago falou que sua campanha foi, assim como será o seu mandato, baseado em quatro frentes: segurança pública, na qual é oriundo; combate à corrupção, o que fomentou sua atuação política; saúde; e educação. Essa última, segundo o vereador eleito, é o seu principal foco, pois, de família pobre, o ensino público foi capaz de mudar a sua realidade. 

Felpuda


Outrora bons de votos – faziam adversários temerem o confronto nas urnas –, agora, por mais que tentem, alguns políticos não conseguem, nem de longe, alcançar patamar de outros tempos e voltar ao que eram. 

O pior é que, a cada disputa, a preferência popular só vem diminuindo. Neste ano, a eleição municipal demonstrou que muitos já estão com prazo de validade vencido e rótulo gasto.

E faz tempo, hein?!