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INQUÉRITO

Decanos do STF divergem e depoimento do presidente Jair Bolsonaro é adiado

Celso de Mello havia negado depoimento não presencial do presidente, porém Marco Aurélio adiou a declaração e levou a decisão ao plenário
18/09/2020 16:26 - Flávio Veras


O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu na última quinta-feira (17) suspender a tramitação do inquérito sobre suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. O ministro determinou o adiamento do depoimento do chefe do Executivo previsto para a próxima semana e levou essa questão para o plenário da corte.

No entanto, a decisão do magistrado diverge do decano do Supremo, Celso de Mello que negou o pedido feito pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, para que o presidente pudesse optar por depor de forma escrita no inquérito. 

O decano está afastado dos trabalhos devido a problemas de saúde e possivelmente, só retorna no próximo dia 26. Ele se aposentará compulsoriamente no início de novembro quando completará 75 anos.  

Neste cenário, segundo a assessoria do STF, a responsabilidade recai sobre Marco Aurélio, por ser o segundo mais antigo, depois de Celso.

"Considerada a notícia da intimação para colheita do depoimento entre 21 e 23 de setembro próximos, cumpre, por cautela, suspender a sequência do procedimento, de forma a preservar o objeto do agravo interno e viabilizar manifestação do Ministério Público Federal", disse Marco Aurélio. 

Ele ainda pediu nova manifestação do PGR. "Determino a suspensão da tramitação do inquérito até a questão ser submetida ao Pleno", completou.

ENTENDA

O inquérito foi aberto em abril após o ex-ministro da Justiça Sergio Moro ter acusado o presidente de ter tentado interferir no comando da PF. Mais cedo, o ministro do STF já havia falado à Reuters sobre sua decisão de adiar o depoimento e justificado a iniciativa.  

"Como não sou adepto da autofagia não vou apreciar o ato do meu colega", disse o ministro em entrevista Agência à Reuters.Para levar a questão ao pleno, para que não haja perda de objeto do recurso do presidente, eu terei que congelar tudo, colocar tudo em stand by, para que se aguarde o crivo do plenário, já que a Polícia Federal designou os dias 21, 22 e 23 para ouvir o presidente", explicou.  

Após ouvir a manifestação da Procuradoria-Geral da República, caberá agora ao atual presidente do STF, Luiz Fux, marcar o julgamento do recurso em plenário.  

 
 

Felpuda


Comentários maldosos nos meios políticos dão conta que duas figurinhas que se rebelaram contra os próprios colegas poderão ficar no sereno político e, de forma indireta, serem personagens das próprias manifestações.

Um deles defendeu a redução do número de vereadores, e o outro disse ter vergonha de exercer o cargo. Agora enfrentam altos e baixos na campanha eleitoral.