Política

JAQUES WAGNER

Denúncias envolvendo ministro da Casa Civil ligam alerta no governo

Ministro-chefe da Casa Civil pode estar ligado à propinas investigadas pela operação Lava Jato

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O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, continua no centro das atenções da Operação Lava Jato e liga um alerta no governo.

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró afirmou à Procuradoria-Geral da República que a campanha de Wagner ao governo da Bahia em 2006 teria recebido propina de uma obra da estatal em Salvador. 

Cerveró afirma que o dinheiro teria sido desviado da Petrobrás e dirigido pelo então presidente Sérgio Gabrielli.  O documento - também obtido pela BandNews FM - faz parte de um resumo que ex-diretor da Petrobras apresentou antes de fechar o acordo de delação premiada com a Policia Federal.

Os papéis foram encontrados no escritório do senador Delcídio Amaral, preso sob acusação de atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato. 

Jaques Wagner chegou a ser eleito em 2006 e reeleito em 2010. A Casa Civil informou que o ministro não vai se pronunciar por não saber na íntegra da denuncia. 

Além disso, Jaques Wagner também é investigado pela proximidade com um dos empreiteiros condenados na Lava Jato, o empresário Léo Pinheiro da OAS. Os dois teriam negociado transações milionárias e apoio financeiro a campanhas eleitorais

CAMPO GRANDE

Após reuniões em Brasília, André deve anunciar hoje decisão sobre seu futuro

O ex-governador encontrou-se com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para bater martelo sobre pré-candidatura

20/06/2024 08h00

O ex-governador André Puccinelli e o deputado federal Baleia Rossi, presidente do MDB

O ex-governador André Puccinelli e o deputado federal Baleia Rossi, presidente do MDB Foto: Arquivo

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Após reuniões durante todo o dia de ontem em Brasília (DF), o ex-governador André Puccinelli (MDB) deve anunciar hoje a decisão sobre o seu futuro político, ou seja, se continuará ou não como pré-candidato a prefeito de Campo Grande, se vai disputar a eleição para vereador ou se vai se recolher até as eleições gerais de 2026.

O ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo do Brasil, Carlos Marun (MDB), disse, na noite de ontem ao Correio do Estado, que André Puccinelli se reuniu com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, mas que o teor da conversa entre ambos somente o ex-governador poderia revelar.

Já o presidente estadual do MDB, o ex-senador Waldemir Moka, disse que não acompanhou André Puccinelli na viagem a Brasília e, portanto, também não poderia saber o que ficou definido sobre o futuro político do ex-governador, enquanto o deputado estadual Junior Mochi (MDB) disse que hoje a cúpula do partido deve se encontrar com o pré-candidato.

Ao Correio do Estado, André Puccinelli disse, na terça-feira, que iria para a capital federal falar sobre a sua pré-candidatura. “Só defino depois das reuniões em Brasília. Estou indo em busca da minha candidatura”, assegurou.

A reportagem tentou falar com o ex-governador na noite de ontem, porém, até o fechamento desta edição, não obteve sucesso.

PRIORIDADE

O Correio do Estado apurou que o presidente nacional do MDB já teria informado aos pré-candidatos a prefeito das capitais que a legenda vai priorizar com recursos financeiros a campanha de reeleição do atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.

Diante disso, as chances de André Puccinelli obter mais recursos da Executiva nacional do MDB para a sua campanha política ficam praticamente impossíveis, o que obrigará o ex-governador a recuar do sonho de voltar ao cargo de prefeito da Capital pela terceira vez. 

Em abril, o próprio Puccinelli disse à reportagem que, caso não conseguisse o recurso necessário, abriria mão da pré-candidatura. “Sem o dinheiro necessário, não vou concorrer. Sem recursos, é melhor ir pescar e cuidar dos netos”, assegurou.

No Estado, nem as lideranças do partido não acreditam mais na candidatura de Puccinelli e, conforme já divulgou o Correio do Estado, ele está pensando seriamente em disputar uma vaga na Câmara Municipal, podendo ser um campeão de votos e, dessa forma, ajudar na eleição de mais dois pré-candidatos do MDB.

Além disso, de acordo com apuração da reportagem, o ex-governador teria acertado com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) um possível apoio à campanha de reeleição da atual prefeita Adriane Lopes com o compromisso de contar com a força política dela na campanha para deputado federal ou senador em 2026.

Porém, o PSDB, do ex-governador Reinaldo Azambuja, também estaria interessado no apoio de André Puccinelli ao pré-candidato do partido, o deputado federal Beto Pereira, e, inclusive, aceitaria ceder a vaga de vice para a filha mais nova do ex-governador, a advogada Denise Puccinelli, conforme já foi divulgado pelo Correio do Estado.

Além da falta de recursos necessários para a campanha, outro agravante para a viabilização da pré-candidatura é o sonhado apoio do PL em Campo Grande, porém, o próprio ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, já teria definido caminhar com o PP de Tereza Cristina, como o Correio do Estado também já divulgou. 

Ou seja, o PL estará no arco de alianças da prefeita Adriane Lopes e, portanto, sem esse apoio, o próprio André Puccinelli afirmou que não teria como disputar a prefeitura de Campo Grande, pois seria muito complicado.

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CASO CLAUDINHO SERRA

Delator cita em "esquema" empresa que faz assessoria técnica para 25 prefeituras

O Instituto Multidisciplinar de Consultoria (Imdico) oferece assessoria técnica especializada no segmento administrativo

19/06/2024 08h00

Tiago Basso, ex-servidor da prefeitura de Sidrolândia, durante depoimento ao Gecoc e Gaeco

Tiago Basso, ex-servidor da prefeitura de Sidrolândia, durante depoimento ao Gecoc e Gaeco Foto: Reprodução

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O ex-servidor municipal de Sidrolândia, Tiago Basso da Silva, citou, na delação premiada aos promotores de Justiça do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) sobre a suposta estrutura criminosa que seria comandada pelo vereador licenciado Claudinho Serra (PSDB) na prefeitura do município, o envolvimento do Instituto Multidisciplinar de Consultoria (Imdico) no esquema fraudulento.

Fundada por ex-funcionários da CN&A Consultoria, onde assessoraram diversas prefeituras e câmaras municipais em Mato Grosso do Sul, a Imdico oferece assessoria técnica especializada na área administrativa para prefeituras e órgãos governamentais. 

No site da empresa, há a informação de que mais de 25 municípios são atendidos, incluindo importantes cidades como Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã. Além disso, o Imdico reforça no seu portal na Internet que sua equipe é multidisciplinar, composta por profissionais de diversas áreas, como Administração, Contabilidade, Economia e Direito. 

De acordo com a empresa, essa abordagem integrada permite oferecer soluções personalizadas que atendem às necessidades específicas de cada município, sempre com foco na qualidade da gestão, na otimização dos recursos e no bom desempenho da máquina pública, permitindo aos gestores fazer solicitações e acessar relatórios atualizados a qualquer momento, conferindo maior transparência e agilidade à gestão governamental.

No entanto, em um dos depoimentos prestados aos promotores de Justiça Adriano Lobo Viana de Resende e Bianka Machado Arruda Mendes, Tiago Basso colocou em xeque a idoneidade do Imdico, sugerindo que a empresa de assessoria técnica especializada na área administrativa estaria envolvida no esquema de notas frias que seria coordenado pelo vereador licenciado Claudinho Serra, que na época era o titular da Secretaria Municipal de Finanças, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia (Sefate).

A empresa aparece na delação quando o promotor de Justiça Adriano Lobo Viana de Resende questiona Tiago Basso quem seria a pessoa chamada apenas de “Rafael” – não confundir com Rafael Soares Rodrigues, que estava à frente da Secretaria Municipal de Educação de Sidrolândia e foi exonerado após ser preso por envolvimento no esquema – e que foi citada em alguns momentos do depoimento.

“Esse Rafael é sobrinho da prefeita {Vanda Camilo, do PP}. Ele sempre estava lá, junto com nós (sic), lá na Secretaria {Sefate}, sempre estava na minha sala. Até o pessoal brincava que a minha sala já era bem pequeninha e que não cabia ninguém lá, mas entravam o Carlos {ex-secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Alves da Silva, o Pitó} e o Rafael lá e ficava sentado o dia inteiro”, explicou Tiago Basso ao promotor de Justiça, entretanto, o Correio do Estado apurou que Vanda Camilo não tem nenhum sobrinho com o nome de Rafael.

Em prosseguimento ao depoimento, o delator disse que estranhou o Rafael, pois, na primeira vez em que ambos se encontraram na sua sala na Sefate ele já trouxe uma nota fiscal da Imdico.

“A primeira vez ele me trouxe uma nota da empresa chamada Imdico, Imdico com ‘M’, né? Imdico com ‘M’. E ele deixou lá comigo”, revelou.

Neste momento, o promotor de Justiça interrompe Tiago Basso dizendo que, em relação a esse caso, o assunto seria tratado em outro anexo, pois não faria parte da investigação principal.

“Vamos tratar por anexo, se for diferente de uma outra situação, vamos se limitar aqui. Esse Rafael não tinha a ver com o que está descrito na denúncia?”, questionou Adriano Lobo Viana de Resende.

Em resposta, o delator fala que não.

“Não, o Rafael não tem a ver com essa parte da denúncia. Ele é um sobrinho da prefeita que vivia lá”, recordou, reforçando outra vez que o rapaz seria sobrinho da prefeita, sem saber que ela não tem nenhum sobrinho com esse nome.

Mais uma vez o promotor de Justiça explica que essa questão será tratada em um outro anexo, o qual o Correio do Estado não teve acesso.

“Tem outro anexo que vai ser específico sobre outros assuntos. Da denúncia que o senhor lembra, tem mais alguma coisa?”, perguntou novamente, recebendo como resposta uma negativa do delator. “Não, o que eu lembro é isso daí”, finalizou Tiago Basso.

A EMPRESA

O Correio do Estado fez uma consulta rápida sobre o Imdico e apurou que a empresa tem como CNPJ o nº 13.814.929/0001-04, sendo fundada no dia 26 de maio de 2011 e com capital inicial de R$ 400 mil. 

A empresária Ana Lucia Piroli aparece como sócia-administradora e o endereço comercial é no Edifício Evolution Center, localizado na Avenida Afonso Pena, 5.723, sala 1.002, Bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande (MS).

Pela Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE), o Imdico tem como atividade principal atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica, enquanto as atividades secundárias são representantes comerciais e agentes do comércio de mercadorias em geral não especializado e consultoria em tecnologia da informação,

O Imdico ainda atua com tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na Internet, atividades de contabilidade, atividades de consultoria e auditoria contábil e tributária, aluguel de máquinas e equipamentos para escritório, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial e, por último, outras atividades de ensino não especificadas anteriormente.

PCC

Também em sua delação ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Tiago Basso apontou o envolvimento da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) com o esquema.

Ele contou que, quando foi preso com Ueverton da Silva Macedo, o “Frescura”, e Roberto Valenzuela no Presídio de Trânsito em Campo Grande, em julho de 2023, percebeu que o PCC estaria envolvido na estrutura criminosa.

“Nós três ficamos no corró {gíria para o local onde os presos recém chegados são colocados}, na sexta-feira, no sábado, no domingo e, na segunda-feira, a gente já foi transferido para a mesma cela, a cela 8 do presídio. Então, nós ficamos juntos na mesma cela e todo mundo na época ficou abismado lá, porque geralmente as pessoas não saem do corró com menos de 10 dias”, contou, citando que tinham detentos no corró há mais de 14 dias e eles ficaram só três dias.

Na cela 8, o ex-servidor disse que conversava muito sobre a “Operação Trumper” e o “Frescura” falou para ele ficar tranquilo, que eles iriam sair em 15 dias no máximo.

“Mas, quando eu vi que realmente não era isso, que a coisa era bem mais séria do que eles me falavam, questionei o Frescura sobre a possibilidade de eu fazer, de nós fazermos, uma delação premiada. Ele ficou alterado e no dia não quis mais conversar comigo”, revelou.

Tiago Basso explicou que “Frescura” só falou com ele dois dias depois.

“No domingo, ele me chamou para conversar. Aí a gente foi caminhando pela quadra, só nós dois conversando, ele falou: ó, vou ser bem honesto com você, se você tomar a decisão de fazer uma delação premiada, você pode ter certeza que antes da minha mãe chorar, a mãe que vai chorar vai ser a sua”, recordou a ameaça feita.

O ex-servidor pediu para falar com o seu advogado e ele o aconselhou a tentar se afastar do “Frescura”, conversando o mínimo possível até sair do presídio.

“Porque dava para ver a ligação que ele tinha com os presos lá, o contato que ele tinha com os presos, todo mundo conhecia ele lá dentro. Todo mundo tinha um vínculo de amizade ou de favor que devia pra ele ir lá. E o presídio que a gente ficou era uma unidade faccionada do PCC, o PCC comanda ali, aquela unidade. Então dava para ver que ele tinha muito contato com aquelas pessoas ali e aquilo me deixou atônito na época e falei para o meu advogado que não queria mais conversar, não queria mais nada, que queria só ficar no meu canto”, afirmou.

Tiago Basso revelou ainda que, quando eles ficaram sabendo que ele estava pensando em fazer a delação premiada, o seu advogado foi procurado por um advogado chamado Douglas Matos.

“Ele foi até o presídio e mandaram eu falar com ele, sendo que o Frescura foi junto comigo. Ele não chamou só eu para conversar, ele chamou o Frescura junto, então entrou nós dois na sala junto para conversar”, lembrou.

Ainda conforme o delator, Frescura teria sido bem direto com o advogado.

“Ele falou diretamente ao advogado: eu só quero saber se o senhor veio falar em delação premiada. O advogado disse que não, nem pensar em delação premiada. O Frescura disse que era para eu ficar tranquilo, que o meu pagamento seria por parte deles. Inclusive, disse que a minha família lá fora, enquanto eu estivesse preso, eles iriam cuidar”, ressaltou.

O Correio do Estado ligou para o telefone comercial da empresa, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve sucesso. O espaço continua aberto para a manifestação do Imdico, caso queira comentar a delação.

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