Política

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Dieta obrigatória

Dieta obrigatória

Redação

16/04/2010 - 20h46
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SCHEILA CANTO

Contém glúten. Você, com certeza, já deve ter lido esta frase em alguma embalagem de alimento, bebida ou cosmético. E, seguramente, muitas vezes já se perguntou o que é esse tal de glúten e porque todas as embalagens de produtos trazem este aviso em destaque perto das informações nutricionais ou da fórmula. O Correio do Estado foi atrás desta questão para tirar suas dúvidas e, principalmente, para fazer um alerta para sua saúde.

Glúten nada mais é que uma proteína encontrada no trigo, cevada, aveia, centeio e malte. Como esses cereais são ingredientes de vários alimentos, é fácil constatar que vivemos cercados de glúten. Mas se é algo natural, por que tanta preocupação com ele? Simples. Algumas pessoas têm alergia à substância. São os portadores da doença celíaca, uma doença autoimune que  pode surgir na infância, geralmente entre o primeiro e o terceiro ano de vida, ou manifestar-se em qualquer idade, inclusive no adulto.

Alerta
Não é à toa que o aviso se contém ou não glúten é obrigatório nas embalagens. De acordo com o gastroenterologista Hernani Trefzger Cândido, nos doentes celíacos, o consumo da proteína pode levar a complicações graves, principalmente nas crianças. Os portadores da patologia não conseguem fazer a quebra da proteína, ou seja, não conseguem digeri-la. O glúten altera as vilosidades (dobras) do intestino delgado, parte do corpo responsável pela absorção dos alimentos que nós consumimos. As vilosidades diminuem de tamanho, tornando-se achatadas, conforme o número de inflamações provocadas pelo consumo do glúten. Com isso, diminui a possibilidade de absorção de nutrientes. “Portanto, entre as consequências da doença estão a desnutrição, retardo no crescimento, déficit intelectual e outras doenças decorrentes da falta de nutrientes”, alerta o médico.
A nutricionista Elda Regina Leite Galvão de Ávila, presidente da Associação dos Celíacos do Brasil, regional Mato Grosso do Sul (Acelbra/MS), destaca que o glúten faz mal para os indivíduos geneticamente suscetíveis. “Ninguém deve eliminá-lo da alimentação, porque eles contêm fontes importantes de nutrientes. É perigoso sair copiando modismo de celebridades que aparecem na mídia dizendo que emagreceram porque cortaram o glúten da dieta. É claro que isso vai acontecer, afinal cortam-se massas, pães, bolos, alguns queijos, café, achocolatados, embutidos e até mesmo bebidas alcoólicas como cerveja e uísque”, enumera.

Atenção aos pequenos
A doença celíaca é genética, identificada geralmente nos primeiros anos de vida das crianças, quando a alimentação começa a variar com a introdução de papinhas, sopas e biscoitos. Combinações perigosas, que podem levar a diarreia crônica, gases, distensão abdominal, emagrecimento e falta de apetite. “Neste caso, não há jeito. A pessoa tem que abolir o glúten da vida dela. Não existe tratamento para isso”, informa o gastroenterologista. Se não for feita a dieta adequada, a pessoa pode sofrer muito com os sintomas e pode vir a ter consequências mais graves, como anemia, além das complicações já citadas.

Mudança de vida
Hoje ao fazer uma busca rápida pela internet, por exemplo, chega-se a mais de 350 mil páginas que falam da doença. Existem ainda várias associações nacionais e internacionais formadas para discutir e compartilhar questões a respeito da doença e do tratamento. Mas há dez anos, o cenário era bem diferente. Pouco se conhecia sobre a doença, aponta Elda, lembrando que teve de voltar à condição de acadêmica para entender e saber mais sobre o assunto que afetava sua filha. “Me formei em biologia, trabalho na área como professora, mas como não encontrei ajuda profissional, larguei tudo para voltar à faculdade e fazer nutrição. Com isso, pude cuidar melhor da minha filha, que quase morreu de desnutrição. Como trata-se de uma condição para a vida toda, precisava agir diferente e fazer uma mudança total em nossa rotina e hábitos alimentares”, relata.
O conhecimento adquirido por Elda tem ajudado muitos pais e portadores da doença que encontram na Acelbra/MS apoio e orientação quanto à doença, suas consequências e a maneira correta de se alimentar.
Segundo a nutricionista, o grande problema é encontrar alimentos que não contenham aveia, centeio, cevada e, principalmente, o trigo. Os doentes celíacos, além de controlar a alimentação, ainda se veem às voltas com a procura pelos produtos, bem caros no mercado brasileiro. “Para se ter uma ideia, há cinco anos boa parte dos produtos encontrados eram importados e o preço de  200 g de macarrão sem glúten custava em torno de R$ 9. Hoje, já temos fabricantes no Brasil de produtos especiais, mas ainda arroz, macarrão e pão, ingredientes comuns em qualquer dieta, quando são sem glúten, custam em média três vezes mais do que os comuns”, exemplifica Elda.
Por isso, uma das atividades da Acelbra/MS é promover oficinas de culinária para ensinar o preparo de receitas que não levam o glúten e torná-las mais acessíveis, além de criar pratos nutritivos e saborosos. “Imagine-se numa dieta sem a maioria das massas e boa parte dos alimentos industrializados para vida inteira. É preciso ter muita criatividade e conhecimento para não ter perdas nutricionais”, ressalta.

Sintomas
Os sintomas são fáceis de ser notados, mas geralmente as pessoas não os associam a distúrbios alimentares nem intestinais por pura falta de conhecimento. A nutricionista alerta para que as pessoas fiquem atentas às azias, gases, distenção abdominal, prisão de ventre e/ou fezes despedaçadas e disformes, diarreias, dor articular, fadiga, dor de cabeça, cansaço excessivo e irritabilidade.

Diagnóstico
Muitas pessoas passam anos com problemas achando que sofrem de gastrite ou outra doença intestinal até terem o veredicto final. O diagnóstico se dá por meio de exame de sangue que faz a dosagem de anticorpos e pela biópsia do intestino delgado, conseguido por via endoscópica.
Como se trata de uma doença autoimune, não há cura e somente com a alimentação adequada é possível ficar longe dos efeitos negativos da patologia.

Cuidados específicos
A vida dos celíacos é ler rótulos, de tudo, inclusive dos cosméticos, embora nem sempre seja possível confiar totalmente neles, pois as informações nem sempre são claras. Todo cuidado é pouco para quem é portador da doença, pois não pode sequer usar  um batom ou xampu que contenham a substância. E não basta também apenas não consumir o produto com glúten, pessoas celíacas passam mal até mesmo pela proximidade dos produtos. Exemplo: não se deve assar no mesmo forno, ao mesmo tempo, alimentos com e sem glúten. Não esquente o pão de um celíaco na mesma torradeira / tostadeira em que costumar torrar os pães comuns, pois as migalhas destes, mesmo torradas, podem contaminar o pão sem glúten. E de preferência use panelas separadas para preparação de alimentos com e sem glúten.

Política

Beto Pereira reassume presidência estadual do PSDB

"Partido tem uma história gigantesca", destacou o deputado que será oficializado nesta semana

09/02/2026 17h00

Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Em meio aos burburinhos sobre sua ida ao Republicanos, o deputado federal Beto Pereira será oficializado como o presidente estadual do PSDB, posto anteriormente ocupado por Reinaldo Azambuja, que seguiu rumo ao PL. 

Reconduzido extraoficialmente à presidência do diretório estadual da sigla em dezembro de 2025, o deputado destacou em entrevista ao programa “Capital Meio Dia”, da rádio Capital FM, a importância do legado do partido tucano dentro do Estado.  

Segundo ele, o ninho tucano segue relevante, visto que elegeu os dois últimos governadores - Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP).

“É um desafio muito grande. O PSDB é um partido com história gigantesca, uma legenda com representatividade por todo Mato Grosso do Sul. Neste período pré-eleitoral, é importante consolidar e fortalecer as chapas estadual e federal para que possamos continuar tendo protagonismo”, afirmou Beto.

Atualmente o partido conta com a maior bancada de vereadores nas câmaras municipais e 20 dos 79 prefeitos do estado, lançou um novo diretório municipal de Campo Grande, com Jonas de Paula como presidente e Almir Cantero como vice-presidente.

Beto reafirmou o compromisso de apoio do partido às candidaturas de Riedel, que buscará a reeleição e de Azambuja, pré-candidato ao Senado. Para Beto, a unidade é fundamental para garantir a força do PSDB nas próximas eleições.

Serviço

Nesta quarta-feira (11), o diretório promoverá um encontro na sede do partido, em Campo Grande, reunindo militantes e simpatizantes para discutir estratégias e fortalecer a legenda. O encontro acontece a partir das 17h45. 

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ELEIÇÕES 2026

Simone Tebet está cada vez mais perto de São Paulo e de trocar MDB pelo PSB

No entanto, a ministra do Planejamento e Orçamento do presidente Lula ainda não trocou o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul

09/02/2026 08h20

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, deve disputar as eleições por São Paulo

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, deve disputar as eleições por São Paulo Valter Campanato/Agência Brasil

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Nos últimos dias, a ex-senadora por Mato Grosso do Sul e atual ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ficou mais perto de São Paulo do que do seu estado de origem para a disputa eleitoral deste ano, seja para o Senado, seja para governadora – neste caso, somente no território paulista há essa possibilidade.

Conforme apurado pelo Correio do Estado, a dúvida não é mais se ela vai para São Paulo para concorrer no pleito do próximo mês de outubro, mas quando a ex-prefeita de Três Lagoas fará o anúncio oficial, porém, tudo caminha para ser logo depois do Carnaval, pois Tebet tem uma conversa marcada com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para bater o martelo.

Aos mais próximos, de acordo com informações obtidas pela reportagem, Simone tem falado que aguardará a conversa final com o presidente Lula para definir seu futuro político e que tudo que tem sido publicado até o momento sobre a situação dela são informações de pessoas defendendo os próprios interesses.

Além disso, o Correio do Estado apurou que, pelo menos até ontem, a ministra do Planejamento e Orçamento do governo de Lula mantém o domicílio eleitoral em Mato Grosso do Sul e continua filiada ao MDB, conforme consta na sua certidão de filiação partidária, disponibilizada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – há também uma grande probabilidade de a ex-senadora deixar o atual partido, no qual está há 27 anos, para se filiar ao PSB, caso migre para São Paulo.

No entanto, com a resistência do ministro do Fazenda, Fernando Haddad (PT) de disputar as eleições gerais deste ano e o fato de o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), ter indicado a aliados que não deseja disputar cargo eletivo por São Paulo, estado que governou por quatro mandatos, caso seja descartado da chapa à reeleição do presidente Lula, está fazendo com que a pressão seja para que Tebet aceite o desafio.

PROJETO POLÍTICO

A ideia de lançar Simone ao governo paulista surge da dificuldade histórica do PT no estado e da necessidade de Lula de ter um palanque forte em São Paulo, capaz de levar a disputa contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao segundo turno.

O contexto político e o histórico eleitoral mostram que não será tarefa fácil, pois o PT nunca venceu em São Paulo e só chegou ao 2º turno duas vezes – em 2002, com José Genoino, e em 2022, com Haddad.

E, como a ministra do Planejamento e Orçamento já sinalizou que aceita transferir o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo e disputar o Palácio dos Bandeirantes, cabe somente ao presidente Lula dar o sinal verde para que essa especulação se transforme em realidade.

Entretanto, há setores do PT que seguem trabalhando para que Haddad recue da decisão de não concorrer nas eleições deste ano e seja candidato a governador, tendo Tebet na chapa majoritária como candidata ao Senado.

A meta do PT neste ano é de, pelo menos, repetir o desempenho que Haddad teve em 2022, quando somou 35,7% dos votos no primeiro turno e 44,73% no segundo.

A direita, por sua vez, aposta que Tarcísio pode liquidar a disputa ainda no primeiro turno, cenário que seria prejudicial aos petistas, pois deixaria o governador livre para apoiar um candidato contra Lula no segundo turno.

Por isso, o objetivo central não é vencer, mas impedir que a oposição abra larga vantagem.

Pesquisas internas encomendadas por aliados de Tebet indicam que a ministra sul-mato-grossense pode ser um fator surpresa na disputa paulista, dificultando a reeleição de Tarcísio, principalmente por seu perfil mais ao centro e pelo ineditismo de uma mulher no comando do maior estado do Brasil.

Aliados de Tarcísio avaliam que Simone seria uma adversária mais difícil de enfrentar do que Haddad ou o vice-presidente Geraldo Alckmin. No PT paulista, a candidatura de Tebet não encontra resistência, mas a preferência segue sendo Haddad.

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