Política

DELAÇÃO

Entregador de dinheiro diz ter ouvido de Youssef que Renan recebeu R$ 1 mi

Entregador de dinheiro diz ter ouvido de Youssef que Renan recebeu R$ 1 mi

FOLHAPRESS

31/12/2015 - 07h00
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O entregador de valores Carlos Alexandre de Souza Rocha, 52, que assinou um acordo de delação premiada no STF, afirmou em depoimento ter ouvido do doleiro Alberto Youssef que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi destinatário de R$ 1 milhão entregue por ele em Maceió (AL).

Para essa entrega, Rocha contou ter viajado primeiro para Recife (PE), sob orientação de Youssef, onde procurou um homem que ele descreveu como "arrogante" e que seria dono de uma empresa de terraplenagem. O combinado, segundo Rocha, era pegar R$ 1 milhão em espécie e levá-lo a Maceió, mas o homem no Recife só repassou R$ 500 mil.

Ao saber que teria acesso a metade do valor combinado, Rocha disse ter telefonado para Youssef, que o orientou a aceitar a quantia e se dirigir a Maceió para fazer a entrega "urgente". Na capital alagoana, no lobby do hotel Meliá, Rocha esteve com um homem que descreveu como "elegante", com 35 ou 40 anos de idade, "alto, branco, magro, cabelo escuro, muito bem vestido, portando uma bolsa de couro a tiracolo". Rocha disse que já havia entregue dinheiro a esse homem em Curitiba (PR) em outra oportunidade.

Depois de concluir a primeira entrega, Rocha retornou ao Recife para receber os R$ 500 mil restante do mesmo "homem arrogante e nervoso". Depois de uma nova viagem e nova entrega em Maceió, Rocha retornou a São Paulo de avião.

Na capital paulista, ele procurou saber de Youssef a quem se destinara o R$ 1 milhão, e o doleiro, sempre segundo Rocha, "respondeu ao declarante em alto e bom som: 'O dinheiro era para Renan Calheiros'".

Segundo o delator, o "dinheiro em questão não era um repasse da [empreiteira] Camargo Corrêa para Renan", mas sim um recebimento de Youssef da empreiteira, "como pagamento de parte da dívida que a empreiteira tinha para com ele [doleiro] na época e usou o numerário para entregar, por alguma razão, o valor a Renan".

Rocha contou aos investigadores que aquela foi a segunda vez que ouviu falar em pagamentos ao atual presidente do Senado. Segundo ele, em ano que disse não se recordar com exatidão, mas que seria entre 2009 e 2014, "entre as CPIs da Petrobras", ele disse ter ouvido de Youssef que iria "disponibilizar R$ 2 milhões para Renan Calheiros a fim de evitar a instalação da CPI" no Congresso Nacional.

Rocha disse ter estranhado o fato e indagado a Youssef se Renan não era "da situação" -para o delator, não faria sentido pagar um apoiador da base aliada para evitar uma CPI. Segundo Rocha, o doleiro respondeu que "tem que ter dinheiro pra resolver". Rocha disse não saber se "efetivamente houve o repasse desse valor" ao senador.

OUTRO LADO

O advogado de Renan Calheiros, Eugênio Pacelli, disse à reportagem nesta quarta-feira (30) que "tais declarações são de uma inconsistência absoluta, cuja narrativa sequer coloca o depoente em posição de testemunho", mas ressaltou que não teve acesso ainda ao depoimento do delator, e que o senador prestará esclarecimentos assim que isso ocorrer.

Política

Lula e Boulos multados por propaganda eleitoral antecipada em decisão judicial

Petista deve pagar R$ 20 mil por pedir voto para o pré-candidato a prefeito em ato do 1º de Maio

21/06/2024 22h00

O presidente Lula (PT) é condenado ao pagamento de multas por causa de propaganda eleitoral antecipada

O presidente Lula (PT) é condenado ao pagamento de multas por causa de propaganda eleitoral antecipada Foto: Reprodução

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O presidente Lula (PT) e o pré-candidato a prefeito Guilherme Boulos (PSOL) foram condenados ao pagamento de multas por causa de propaganda eleitoral antecipada. O petista pediu votos para o deputado federal na corrida para a Prefeitura de São Paulo durante ato do 1º de Maio.

O juiz eleitoral Paulo Sorci, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, determinou nesta sexta-feira (21) que Lula pague R$ 20 mil de multa. Para Boulos, o valor imposto é de R$ 15 mil. Ainda cabe recurso.

Em um esvaziado ato do Dia do Trabalhador promovido por centrais sindicais na zona leste da capital, Lula disse que o pleito paulistano seria uma "verdadeira guerra" e, ao lado do deputado, pediu explicitamente para que seus eleitores votem nele, confrontando a legislação eleitoral.

"Ninguém derrotará esse moço aqui se vocês votarem no Boulos para prefeito de São Paulo nas próximas eleições", disse o petista. "Vou fazer um apelo: cada pessoa que votou no Lula em 89, em 94, em 98, em 2006, em 2010, em 2018… 2022, tem que votar no Boulos para prefeito de São Paulo."

A propaganda eleitoral será permitida somente após o dia 16 de agosto, quando as candidaturas já estiverem registradas na Justiça Eleitoral. A lei estabelece pena de R$ 5.000 a R$ 25 mil para propaganda feita antes do prazo regular.

A decisão atende a pedidos dos partidos Novo (que tem Marina Helena como pré-candidata a prefeita), MDB e PP (da coligação do atual prefeito, Ricardo Nunes). O PSDB (que lançou a pré-candidatura de José Luiz Datena) também ingressou com ação, mas o juiz a rejeitou por questões processuais.

O uso da máquina pública em benefício do pré-candidato do campo governista também foi levantado pelos adversários, além de eventual abuso de poder político.

No processo, as defesas de Lula e Boulos sustentaram que não houve pedido de voto, mas apenas o exercício do direito constitucional à liberdade de expressão. O pré-candidato argumentou ainda que desconhecia previamente o discurso e que sua presença no palco não pode ser confundida com anuência.

A pré-campanha do PSOL informou em nota que recorrerá da decisão desta sexta. "Ricardo Nunes, ele sim, tem usado a máquina pública para promoção pessoal", disse, acrescentando que o emedebista é alvo de duas representações do PSOL por uso da máquina pública e campanha eleitoral antecipada.

"As ações citam reportagens veiculadas pela imprensa envolvendo o uso de servidores para compor claque de apoio a Nunes em eventos custeados pela prefeitura, bem como falas do prefeito usando eventos custeados pela prefeitura insinuando a necessidade de sua própria reeleição e fazendo ataques ao deputado Guilherme Boulos."

O advogado de Lula no caso, Angelo Ferraro, disse à reportagem que também entrará com recurso. "A nosso ver, não houve nenhum tipo de irregularidade eleitoral", reiterou. Ele insistirá ainda no pedido de produção de provas, que não chegou a ser analisado e foi negado pelo juiz já na sentença. Segundo Ferraro, a chamada instrução probatória é "importante para o debate do contraditório dentro do processo".

No âmbito da ação movida pelo Novo, a Justiça determinou no dia seguinte ao evento a exclusão do vídeo com a fala do canal do presidente no YouTube. O registro já tinha sido apagado dos canais oficiais do governo federal, que também veicularam o discurso na íntegra.

Via assessoria, Marina Helena disse que acha "muito pouco" o valor das multas. "O benefício eleitoral que Boulos teve vale muito mais que R$ 35 mil", afirmou ela, criticando ainda o uso de recursos da Lei Rouanet para o que caracterizou como "um comício".
Como mostrou a Folha de S.Paulo, o evento foi organizado por uma produtora pertencente a dois filiados ao PT que captou R$ 3 milhões da Petrobras, via Lei Rouanet, para a organização de shows em comemoração ao 1º de Maio, inclusive para o ato das centrais na Neo Química Arena, em Itaquera.

Na sentença de condenação, o juiz afirmou que foi "inquestionável a prática do ilícito eleitoral" e que houve "pedido explícito" de voto. "No discurso é realizado um verdadeiro apelo aos presentes para que votem em Guilherme Boulos para prefeito de São Paulo no pleito vindouro", escreveu.

Sorci rebateu as explicações dos advogados de que se tratou de discurso de "posicionamento político", com mero "enaltecimento das qualidades pessoais" do deputado e uso da liberdade de expressão.

Ele justificou o valor da multa menor para Boulos dizendo que não há como desconsiderar o caráter ilícito de sua conduta e que cabe "apenas atenuar sua responsabilização". Para o magistrado, o parlamentar se manteve omisso diante da fala elogiosa do padrinho político, assumindo papel de beneficiário.

"Evidentemente que, por uma questão de respeito e de elegância, ele não tomaria das mãos do representado Luiz Inácio o microfone, tampouco lhe interromperia de forma abrupta a fala, mas, com o traquejo inerente dos políticos profissionais, de carreira, uma intervenção discreta, sutil, poderia ter sim sido realizada, de forma a amenizar aquela conduta que ambos, pela experiência que têm, sabiam irregular, mas assumiram o que se chama popularmente de 'risco calculado'", afirmou Sorci.

Para fundamentar a decisão, ele lembrou, entre outros pontos, que Lula participou do evento no papel de presidente da República, acompanhado de ministros e outras autoridades, além de estar "cercado de todo o aparato institucional e guarnecido de suporte público para sua participação".

Por fim, o juiz disse que o presidente tem "notória representatividade no cenário político nacional" e "significativa e indiscutível capacidade de angariar votos" e que o deputado, por sua vez, reagiu com inércia, "mesmo podendo atuar de forma discreta para amenizar o discurso".

Na pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada em 29 de maio, Boulos marcou 24% de intenções de voto, empatado tecnicamente em primeiro lugar com Nunes, com 23%. Em seguida aparecem Datena, com 8%, também empatado com Tabata Amaral (PSB), com 8%, e Pablo Marçal (PRTB), com 7%.

A avaliação entre aliados do membro do PSOL foi a de que o presidente agiu de caso pensado, com o cálculo de que o ganho na esfera eleitoral era maior do que o risco de ser acusado de ilícito eleitoral e sofrer uma multa.

Boulos busca nacionalizar a disputa e colar sua imagem na de Lula para enfrentar Nunes, que é apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sofre alta rejeição na capital.
Segundo o Datafolha, o apoio de Lula faria 23% dos eleitores votarem com certeza em um candidato, mas levaria 45% a não votarem nele de jeito nenhum. Já a recomendação de Bolsonaro seria motivo de voto para 18%, enquanto 61% se recusariam a escolher o nome indicado.

Na época da fala, Ricardo Nunes disse que Lula teve "uma atitude que claramente é um desrespeito à lei eleitoral" e que sua pré-campanha recorreria à Justiça em busca de reparação. Afirmou ainda que, "por ser um presidente da República, [com] a experiência que ele tem, obviamente, sabia o que estava fazendo".

Ao reagir às críticas de Nunes, Boulos afirmou que o evento não era um ato oficial do governo, mas uma iniciativa das centrais, e disse que é o prefeito quem usa a máquina para propaganda irregular, já que o menciona durante inaugurações e é beneficiado pela publicidade paga com verbas públicas.

Boulos disse no dia 2 de maio que o emedebista "fala mal" dele e o ataca em "eventos públicos, com a estrutura da cidade de São Paulo". "Fico estarrecido com a cara de pau do prefeito Ricardo Nunes. Ele não tem autoridade moral para acusar ninguém em relação ao uso de máquina", afirmou.

Na ocasião, ele também minimizou as acusações de infração à legislação eleitoral, chamando as críticas de "tempestade em um copo d'água" e sinal de desespero do emedebista. Disse que Lula fez uma fala "expressando o desejo de voto dele" e que "não é segredo" para ninguém que ele o apoia.

O Ministério Público pediu, ao se manifestar no processo, que Lula pagasse valor próximo de R$ 25 mil, a maior pena prevista em lei para esses casos. Defendeu ainda que Boulos também respondesse pela infração eleitoral, mas para o pré-candidato a sugestão foi a de multa "acima do mínimo legal".

 

*Informações da Folhapress 
 

Política

Durante evento do agro, ex-ministro de Bolsonaro prega o fim da polarização política

Paulo Guedes disse que é necessário que políticos e a sociedade consigam debater sem "dar uma facada um no outro"

21/06/2024 13h30

Ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, palestrou e participou de mesa redonda no segundo dia de Interagro.

Ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, palestrou e participou de mesa redonda no segundo dia de Interagro. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Durante palestra, ministrada no Interagro, evento sul-mato-grossense que reúne produtores e empreendedores do agronegócio de todo o estado, o ex-ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, pregou que a animosidade na política e os ataques aos poderes precisam acabar.

Guedes foi chefe da Economia entre os anos de 2019 e 2022, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL), e fez menção ao ex-presidente em seu discurso, dizendo: "como dizia o meu presidente, 'eu não entendo nada de política'". Depois, sugeriu que o vencedor das últimas eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), controlasse os conflitos políticos do Brasil.

"Eu não critico ninguém (...) Eu estou constatando que cabe ao vencedor [Lula], baixar a bola, acalmar tudo. Porque se não, está alimentando, realimentando, essa escalada", disse o ex-ministro.

Guedes destacou que, em outros países, a polarização política já está "escalando", e questionou: "a gente quer escalar aqui também?".

"Não é bom. Lá fora está se questionando a eficácia do sistema multipartidário: 'quanto será que estamos gastando com a democracia? Quanto custam os órgãos, o legislativo, o judiciário? Será que funciona? Por que a China avança tanto? Será que é porque ela não gasta com política? Tem gente pensando nisso, e eu estou radicalmente contra. Eu acho o contrário. Eu prefiro ser livre, num país que cresce 3%, do que ser prisioneiro num país que cresce 14%", declarou.

O ex-ministro disse que as autoridades e a sociedade, ainda que tenham posicionamentos políticos diferentes, devem conseguir conversar sobre o assunto sem "dar uma facada" no outro.

"São valores, sistemas, visões. Nós não temos capacidade de conversar sobre isso sem dar uma facada no outro. Temos que ser capazes de discutir isso", acrescentou.

Por fim, Paulo Guedes disse que atacar um ou outro presidente, com termos como "ladrão" e "genocida" é atacar também a presidência da república

"Ataques aos presidentes são também um ataque à Presidência, assim como ataques ao judiciário também são ataques aos poderes", concluiu o ex-ministro.

Interagro

O Interagro é um evento presencial voltado a produtores e empreendedores do agronegócio de diversos portes e segmentos.

Em sua quarta edição, o encontro, que dura três dias, serve como uma vitrine para o setor, trazendo debates, palestras e cursos, além de apresentar novas tendências e tecnologias do agronegócio mundial.

Realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, o evento conta ainda com exposição de produtos e serviços, se tornando uma excelente oportunidade para ampliar a rede de contatos e firmar grandes parcerias.

O Interagro segue até este sábado (22), e a programação completa pode ser acessada aqui.

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