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Entrevista: “Estamos numa batalha diária para salvar vidas, isso não pode ficar em segundo plano”, diz Reinaldo Azambuja

Correio do Estado estreia nesta segunda, espaço exclusivo para assinantes, com entrevistas exclusivas
01/06/2020 06:30 - Eduardo Miranda


“Estamos numa batalha diária para salvar vidas e isso não pode ficar em segundo plano”. É assim que o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), pondera antes de tratar de qualquer outro tema: eleições, economia, e os vários desafios que virão nos próximos meses, e nos próximos anos. O governador estreia este espaço único para os assinantes leitores do Correio do Estado, com entrevistas exclusivas todas as segundas-feiras.  

Nesta entrevistas, claro, Reinaldo Azambuja não falou somente de sua prioridade agora, que é combater a pandemia do coronavírus, mas das estratégias para fazer com que o Estado recupere a atividade econômica rapidamente, o que parece já está acontecendo: “procuramos não paralisar nenhuma atividade”, lembrou.

Quanto à política, e sua permanência nela, nas eleições de 2022, Azambuja também não quer antecipar os planos: “qualquer planejamento com tanta antecedência tem uma grande chance de dar errado”, lembrou.  

Confira a entrevista:  

Correio do Estado: Quais as lições que a pandemia do coronavírus deixa, não somente para Mato Grosso do Sul, mas para a saúde pública brasileira?

Reinaldo Azambuja: São muitas as lições. Tenho certeza de que encarar essa doença, que tem matado pessoas pelo mundo inteiro, na mesma medida em que mostra a nossa fragilidade, também nos torna pessoas melhores, mais humanas. Os governantes vão repensar a importância do investimento em saúde. Essa sempre foi e continua sendo a nossa maior prioridade. Todos se lembram da Caravana da Saúde e estão acompanhando o trabalho de regionalização com a entrega de equipamentos, a construção e ampliação de hospitais em cidades polos. Sem contar os hospitais regionais de Dourados (em construção) e o de Três Lagoas (em fase de conclusão), são exemplos claros de nosso projeto. Mais além, creio que os governos também vão refletir sobre o teletrabalho. E o Brasil vai ter que repensar as compras internacionais. O novo coronavírus mostrou que somos muito dependentes de equipamentos de outros países, em especial da China.

Conte-nos mais sobre o desafio de conciliar a proteção à vida e a proteção à atividade econômica? Elas podem ser vistas como algo dissociado?

Este é um momento que exige enorme responsabilidade. Estamos vivendo duas crises: uma de saúde pública e outra econômica. Todo mundo está sofrendo prejuízos: a dona de casa, o trabalhador, o empregador, o empresário e os governos. Aqui em Mato Grosso do Sul, evitamos paralisar as atividades econômicas, mas, em contrapartida, criamos protocolos de biossegurança. Quero reforçar sempre que a nossa maior prioridade é salvar vidas. A economia, podemos recuperar; vidas não. Mas entendemos a preocupação de todos os segmentos de nossa economia e, por isso, tomamos uma série de medidas para minimizar os impactos econômicos principalmente das pessoas menos favorecidas, mesmo com o foco das nossas ações na saúde das pessoas, na preservação da vida. Estamos entregando 960 toneladas de alimentos para 60 mil famílias carentes. Mais além, nos 68 municípios onde a Sanesul opera, 12 mil consumidores de baixa de renda tiveram as contas de água e esgoto zeradas nos meses de abril, maio e junho. O corte de água e gás está proibido, independente da renda dos moradores. Abrimos mão do ICMS da conta de luz de mais de 142 mil famílias de baixa renda. E aumentamos em 33% o benefício do Vale Renda para 39 mil famílias que têm crianças matriculadas em escolas da Rede Estadual de Ensino. Para quem mora em casas e apartamentos da Agehab [Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul], as prestações dos contratos não estão sendo cobradas durante os meses de março, abril, maio e junho. Elas vão ser acrescidas só no final do contrato. Dentro de mais alguns dias, estaremos adquirindo máscaras para a população carente, nossos servidores públicos e alunos da rede estadual de ensino. Então, ao mesmo tempo, em que estamos tomando as medidas de segurança na área de saúde, exigindo protocolos de biossegurança, sem paralisar as atividades, ampliando leitos para atender a nossa população e colocando as barreiras sanitárias, estamos também buscando minimizar os impactos da pandemia para os trabalhadores e trabalhadoras. Podemos e vamos continuar fazendo às duas coisas: preservando a vida e protegendo as atividades econômicas e os trabalhadores.

Como está o diálogo com os prefeitos do interior do Estado. Na região Sudoeste, serão necessárias medidas mais duras, caso o contágio de coronavírus continue avançando nestas cidades?

Sempre tivemos um bom diálogo com os prefeitos e prefeitas e também com os vereadores e vereadoras de todos os municípios. Nesses seis anos e cinco meses, entregamos obras nas 79 cidades. Investimentos que foram sugeridos por eles, que são os que conhecem a real necessidade da localidade em que vivem. São eles que estão lá na ponta, que conhecem os problemas e as prioridades de suas cidades. Temos uma relação que vem sendo construída desde o primeiro mandato, com obras dentro e fora das cidades, que seriam de responsabilidade das prefeituras, mas que entendemos que eram importantes para a população. Então, até mesmo pela nossa postura municipalista, temos esse canal de diálogo aberto com todo o interior. Com relação especificamente ao combate ao novo coronavírus, todas as medidas que estamos tomando estão sendo pautadas pelo Centro de Operações Especiais, que foi criado em janeiro, bem antes da pandemia chegar ao Brasil. É este Centro que está sinalizando e orientando as necessidades da adoção de medidas, seja uso obrigatório de máscaras ou até o lockdown, que é o bloqueio total.

 Qual a estratégia do governo para acelerar a retomada da atividade econômica, quando a pandemia do coronavírus passar?

Procuramos não paralisar nenhuma atividade durante essa pandemia, mas foi necessário impor medidas de biossegurança. O impacto na economia foi inevitável aqui e no mundo todo. Antes dessa crise chegar, lançamos no dia 6 de março, o pacote de obras do Governo Presente, uma injeção de R$ 4,2 bilhões na economia. Mas aí, dias depois, fomos surpreendidos com a chegada do novo coronavírus. Isso nos fez priorizar os investimentos em saúde e segurança pública. Conseguimos lançar algumas obras daquele pacote, mas só as mais essenciais. Então, já temos elencadas as prioridades de cada um dos municípios, por meio do Governo Presente. São essas obras que vamos lançar e tocar em frente, assim que possível, na volta da normalidade, gerando empregos e renda para a população de Mato Grosso do Sul e fazendo a roda da economia girar.

 Mato Grosso do Sul rastreia bovinos há duas décadas, e tem um bom controle de sanidade de aves e suínos. Como o estado poderá se posicionar no mercado mundo pós-coronavírus, em que a demanda por produtos com certificação de origem será maior?

A qualidade da proteína animal produzida em Mato Grosso do Sul é reconhecida no mundo todo e levamos muito a sério a questão da sanidade. Estamos caminhando para alcançar o status livre de febre aftosa sem vacinação e preparados para um mercado cada vez mais exigente e para a crescente demanda por alimentos. A população mundial não para de crescer. A estimativa é de 7,7 bilhões de habitantes no mundo hoje e as Nações Unidas preveem que a população humana chegará até 11,2 bilhões em 2100, aumentando ainda mais a demanda por comida. Temos o Programa Estadual de Recuperação de Pastagens Degradadas porque sabemos que à terra é um fator básico para a produção de alimentos e, historicamente, a expansão agrícola veio acompanhada da incorporação de novas áreas de terra. Investimos muito também em infraestrutura para permitir o escoamento da nossa produção porque, da porteira para dentro, o setor produtivo faz a sua parte com muita competência e cabe ao governo garantir condição de levar esses produtos para o mercado final. Investimos em rodovias, estradas vicinais e pontes de concreto. Ao mesmo tempo, Porto Murtinho está se tornando a nova Paranaguá, com novos terminais portuários e criando uma nova rota de escoamento, e temos a Rota Bioceânica Atlântico-Pacífico, que vai encurtar em 8 mil quilômetros e facilitar o acesso dos nossos produtos ao mercado asiático.