Política

Suplemento Cultural

Frei Damião e Judas Iscariote

Frei Damião e Judas Iscariote

REGINALDO ALVES DE ARAÚJO

23/01/2010 - 08h26
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Era um trem de passageiro, um dos poucos que fazia o trajeto entre a capital João Pessoa e a pequenina Itabaiana. A estação ferroviária não cabia de gente. A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em peso, liderada pelo padre João Gomes da Costa, festejava a chegada de Frei Damião, o religioso santificador, o pregador que encantava multidões com seus sermões nas suas tradicionais Missões no nordeste brasileiro, especialmente no estado da Paraíba. Eu estava no meio do povo, com meus 11 anos, abrindo espaço para ver o santo quando o trem parou. O calendário apontava o dia 7 de dezembro de 1955. No vagão de primeira classe, dois frades ergueram a cabeça em meio a fraternais sorrisos e palmas. O mais velho, junto à janela, ainda conservava o breviário aberto, movia os lábios, rezando. Aquele é o santo, imaginei. De estatura baixa, desceu do vagão acompanhado do ajudante bem mais alto. Os seus pés calçavam sandálias de couro grosseiro, guarnecido de fivelas de metal – como as usadas pelas ordens menores do clero romano. Pertencente à Ordem de São Francisco de Assis (franciscano), ele trajava um hábito castanho, com capuz e cordão de lã branca como cinto. Ao pisar no chão cimentado da estação, foi saudado entusiasticamente pelo vigário local e, olhando para o povo, agradeceu-lhe a atenção com um gesto quase imperceptível de cabeça para, em seguida, fazer o sinal da cruz em direção à eufórica multidão. Caminhou, a pé, da estação até o pátio da Matriz de N.S. da Conceição, sem demonstrar cansaço. A pele, bem corada, recobria as suas feições simétricas de um dinâmico italiano, acentuavalhe a expressão dos olhos claros luminosos, um homem de impressiva aparência, com uma barba de tom grisalho, aparada com esmero. O frei mais moço, alto, de envergadura atlética, voltava os olhos para o santo, sempre atento a qualquer movimento para favorecê-lo. Alcançamos o pátio da Matriz quando o sol mergulhava rapidamente no poente. O santo parou, projetou os olhos no horizonte, soltou um leve sorriso de admiração, deliciando-se no espetáculo de inefável esplendor que, na minha imaginação, ele não conceberia mais fascinante no próprio Paraíso. Aquele pôr-do-sol ficou na história do lugar. O povo não perdia um só de seus movimentos, queria tocá-lo, almejava ouvi-lo. Ali mesmo, num púlpito improvisado, extravasou sua alegria com a voz de um tom grave, melodioso e agradável. – Deus está presente em muitos lugares, onde nem sequer se lhe ouve o nome – iniciou o breve sermão. A vossa manifestação de carinho em louvor ao Seu nome indica que ele habita em vosso coração... Falou fluentemente de um mundo melhor, baseando seu sermão nos textos dos profetas de Israel, cheio de fogo messiânico, ardente de esperança na libertação dos homens em demanda ao paraíso, prometido pelo Salvador. Eu bebia as suas palavras com devoção, e até hoje recordo frases inteiras daquele pronunciamento. No dia seguinte, dia de festa dedicada a N.S. da Conceição, padroeira do lugar, a paróquia enfeitou-se para o grande evento. O Frei Damião foi obviamente o destaque da comemoração, nas missas, nas quermesses e na gigantesca procissão. Tive o privilégio de ser confessado pelo santo e ter recebido de suas mãos a Hóstia Consagrada. Na última noite de festa, curioso, aproximei-me da sala sacerdotal. Frei Damião ouvia, com paciência, um figurão da cidade que dizia: “O senhor teria boas palavras para a alma danada de Judas?” Eu sentia uma alegria estranha. O silêncio penetravame cantando no coração. A voz do santo se fez ouvir: – Não devia dizer isso, meu filho; não façamos juízos precipitados. Não se deve dizer de ninguém que é uma alma perdida, porque o Senhor pode estar certo – continuou em tom grave – de que se Judas, naquele último e terrível momento em que se enforcou, se naquele momento, digo eu, antes de perder de todo a consciência, ele suspirou de pesar e arrependimento, eu lhe asseguro, meu filho, que esse suspiro foi ouvido no céu e que a primeira gota do sangue de Cristo foi vertida por Judas Iscariote. Ouvi barulho no pequeno corredor da sacristia e logo cuidei de ir para casa. A história de Judas me emocionou, pois, segundo Frei Damião, qualquer pecador poderá adquirir a Graça do Céu, é só se arrepender, dos mais cruentos pecados, no último segundo de vida. Desde criança essa mensagem me acompanha.

ELEIÇÕES 2026

Kassab reforça apoio à pré-candidatura de Nelsinho Trad à reeleição ao Senado

O senador sul-mato-grossense conversou ontem com o presidente nacional do PSD e recebeu o aval que precisava para o pleito

19/01/2026 08h20

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o senador Nelsinho Trad, pré-candidato à reeleição

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o senador Nelsinho Trad, pré-candidato à reeleição Arquivo

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Durante reunião realizada na tarde de ontem em São Paulo (SP), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, deu aval ao senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad (PSD) para viabilizar a pré-candidatura à reeleição ao Senado no pleito deste ano.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, Kassab disse que, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sinalizou um recuo da pré-candidatura a presidente da República, o PSD trabalha para que o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), participe da disputa presidencial e, portanto, o partido precisará de um palanque em Mato Grosso do Sul.

“Temos de procurar fortalecer as pré-candidaturas majoritárias em todos os estados, tanto para governador quanto para senadores. No entanto, no caso de Mato Grosso do Sul, como temos uma boa relação com o governador Eduardo Riedel [PP], vamos apoiar a reeleição dele e, por isso, para termos um palanque para o Ratinho  Jr. aí, o senador Nelsinho será o nosso carro-chefe”, explicou.

Ele também revelou que o senador Nelsinho Trad já vai iniciar a organização do reforço partidário do PSD em Mato Grosso do Sul, procurando os políticos que desejam disputar as eleições deste ano como deputados federais e estaduais pela legenda.

“O reforço do palanque estadual é importante para ajudar a nossa pré-candidatura à majoritária nacional”, explicou o presidente nacional do partido.

Já o senador Nelsinho Trad revelou ao Correio do Estado que é natural que o PSD reforce o partido em Mato Grosso do Sul para que o pré-candidato a presidente da República da legenda, Ratinho Júnior, tenha um palanque.

“O Ratinho Jr. é uma alternativa à polarização entre direita e esquerda. Acredito que, com a pré-candidatura dele a presidente da República, a minha pré-candidatura ao Senado também ficará mais fortalecida”, argumentou.

Sobre o convite feito pelo deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT e pré-candidato a senador pelo partido, para que o senador do PSD fizesse uma “dobradinha” com ele no pleito deste ano para concorrem às duas vagas ao Senado, Nelsinho rechaçou.

“Não tem a menor possibilidade de uma aliança com o PT em Mato Grosso do Sul e também no Paraná e em Pernambuco, pois, no primeiro, o candidato a governador do Ratinho Jr. tem como adversário um petista, enquanto no segundo a governadora Raquel Lyra (PSD) também terá o PT apoiando o seu principal adversário”, assegurou.

RATINHO JR. PRESIDENTE

Com o governador Tarcísio de Freitas fora do páreo na disputa pela Presidência da República, Kassab busca fortalecer o governador do Paraná e, na semana passada, chegou a se reunir com ele para acertar os detalhes de uma pesquisa eleitoral para afinar o tom da campanha.

Até então, Ratinho Jr. era visto como o mais discreto dos governadores de direita que sonham em enfrentar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste ano. Ele evitava comentar abertamente a possibilidade de se candidatar, porém mudou o tom e passou a falar abertamente e em entrevistas sobre essa possibilidade.

Ele usa o tom de alternativa à polarização, com linguagem popular, que remete ao estilo do pai, o apresentador Ratinho.

“As pessoas não estão aguentando mais esse ambiente de briga política que não está trazendo resultado nenhum para a dona Maria”, disse o governador em uma entrevista na semana passada.

O primeiro passo será conversar mais com os agentes do mercado financeiro, que preferiam Tarcísio e rejeitam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que, em dezembro, disse ser o escolhido pelo pai para representar a direita nas eleições de outubro.

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Política

Alckmin: Liderança e perseverança de Lula fizeram com que chegássemos a acordo Mercosul-UE

Ministro destacou que o pacto é aguardado há 25 anos e frisou tratar-se do maior acordo entre blocos do mundo

17/01/2026 18h00

Vice-presidente, Geraldo Alckmin

Vice-presidente, Geraldo Alckmin Crédito: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado, 17, que a liderança e a perseverança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "fizeram com que se chegasse ao dia histórico" da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O pacto firmado nesta tarde, em cerimônia em Assunção, no Paraguai, cria um dos maiores blocos econômicos do mundo.

A ponderação ocorreu em vídeo postado por Alckmin no X. O ministro destacou que o pacto é aguardado há 25 anos e frisou tratar-se do maior acordo entre blocos do mundo. "Isso significa mais comércio, mais emprego, mais investimentos recíprocos. Um ganha-ganha em benefício da sociedade. Grande conquista", afirmou.

Lula não participou da cerimônia de assinatura do pacto. Em seu lugar, compareceu ao evento o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que a ausência "deixou um sabor amargo", mas reconheceu a liderança de Lula nas negociações em torno do acordo.

Nesta sexta, 16, Lula publicou artigo em jornais de 27 países avaliando que o acordo Mercosul-UE é uma resposta do multilateralismo ao isolamento. "Em uma época em que o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e a defesa do multilateralismo escolhem um caminho diferente", diz o chefe do Executivo no texto. Ele esteve ontem em ato no Rio de Janeiro com Von der Leyen.

Na cerimônia desta tarde Vieira afirmou que o acordo estabelece uma "parceria com enorme potencial econômico" e "com profundo sentido geopolítico". Segundo o chanceler, o pacto "representa um baluarte, erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral, diante de um mundo abatido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção".

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