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DINHEIRO PÚBLICO NAS ELEIÇÕES

Fundo Eleitoral banca quase todas as campanhas para prefeito de Campo Grande

Dos R$ 7,34 milhões arrecadados, R$ 6 milhões vieram do Fundão. Vinicius Siqueira (PSL), Sidneia (Podemos) e Marcelo Bluma (PV) usam 100% de verba pública
12/11/2020 09:30 - Eduardo Miranda


Dos 14 candidatos a prefeito de Campo Grande que chegam à reta final nestas eleições, 10 têm a maior parte de suas campanhas bancada com dinheiro público. O Fundo Eleitoral, colocado às pressas no Orçamento anual da União em novembro do ano passado, responde por 82% da receita total declarada pelos candidatos a prefeito da Capital. Dos R$ 7,34 milhões que os candidatos que chegam ao fim da disputa do primeiro turno têm, R$ 6 milhões vieram do Fundão.  

Os candidatos que financiam suas campanhas integralmente com o Fundão são o vereador Vinicius Siqueira (PSL), que recebeu R$ 550 mil do partido; o engenheiro Marcelo Bluma (PV), que está usando R$ 261,1 mil do Fundo Eleitoral; e a delegada Sidneia Tobias (Podemos), que declarou até agora receita de R$ 92,8 mil, valor recebido integralmente do fundo criado pelo Congresso para bancar campanhas eleitorais nas eleições municipais.  

Esses candidatos, porém, não são os que mais usarão o Fundão nestas eleições. Não fossem algumas contribuições de pessoas físicas que pouco representam no total de receitas de suas campanhas, os milionários Dagoberto Nogueira (PDT), Marcio Fernandes (MDB) e Marcelo Miglioli (Solidariedade) também seriam integralmente bancados pelo Fundão.  

 

MILIONÁRIOS

O deputado federal Dagoberto Nogueira, por exemplo, declarou receita de R$ 1,739 milhão para esta campanha. Deste total, R$ 1,729 milhão vieram do Fundo Eleitoral, dinheiro doado via diretório nacional do partido e do diretório estadual.  

Caso semelhante é o do deputado estadual Marcio Fernandes, candidato do MDB. Dos R$ 1,284 milhão arrecadados até agora, R$ 1,253 milhão vieram do Fundão. Deste valor doado pelo partido, R$ 1 milhão tem origem no diretório nacional.  

O engenheiro e ex-secretário Marcelo Miglioli recebeu, via Solidariedade, partido ao qual pertence, R$ 1,105 milhão do Fundão. Outros R$ 100 mil vieram do bolso dele, e o restante, de pessoas físicas que doaram para a campanha.  

 

OUTROS

Fora do clube das campanhas milionárias, também há candidatos cujo dinheiro do Fundo Eleitoral é essencial para suas campanhas. Caso do deputado estadual Pedro Kemp (PT), que recebeu R$ 642 mil até agora, dos quais R$ 600 mil vieram do Fundo Eleitoral.  

Paulo Matos (PSC) arrecadou R$ 310 mil e tem R$ 300,4 mil do Fundo Eleitoral para gastar. Sérgio Harfouche (Avante), que declarou ter arrecadado R$ 73,3 mil até agora, tem R$ 70 mil de verba pública em sua campanha. Esse dinheiro, porém, tem origem em outro fundo: o Partidário, que é permanente e serve para financiar as siglas.