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REDES SOCIAIS

Grupos se articulam para protesto contra o racismo em Campo Grande

Grupos denominados antifascistas também querem participar
02/06/2020 11:55 - Da Redação


Como um efeito cascata, as manifestações que ocorrem nos Estados Unidos e nos principais centros urbanos do Brasil, como São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), começam a ascender movimentos de rua também em Campo Grande, alguns com foco em questões sociais, como o racismo, e outros visando abordar mais questões políticas, como o autoritarismo.

Por ora, um desses movimentos já tem até dia e hora marcada para ir às ruas: no próximo sábado (6), ‘Vidas Negras Importam!’ deve acontecer a partir das 13h30 na Praça do Rádio Clube - avenida Afonso Pena, entre as ruas Pedro Celestino e Padre João Crippa.

“Temos mais de 30 pessoas na organização. A comissão organizadora é composta em grande maioria por mulheres negras, militantes de diferentes áreas da cidade, a maioria estudante universitária”, explica uma das líderes da ação, Erika Pedraza.

Ela ainda completa que o grupo nasceu inicialmente para tratar do empoderamento negro, e entre os debates feitos pelas integrantes, surgiu a ideia de organizar a manifestação, feita por outra militante da causa racial, Ethieny Karen.

“Nossas pautas são a violência policial, a alta taxa de mortalidade dos jovens negros, a necropolítica e o desemprego massivo e a falta de assistência a essas famílias”, finaliza Erika ao falar sobre o protesto, que também inclui apoio à causa indígena.

Além do grupo ao qual Erika e Ethieny são integrantes, outros coletivos também devem participar do evento na Praça do Rádio. Por isso, a possibilidade de a partir desse ato ser criado um novo grupo por ora é descartado pelos organizadores, que focam a mobilização de partipantes pela internet, através das redes sociais.

COMUNICADO

Outro movimento local que vem se organizando virtualmente foi lançado há apenas dois dias, já reunindo 4 mil pessoas como membros de grupo no Facebook, é o Antifas CG. Um dos líderes do movimento, este já com cunho mais voltado ao lado político, é o estudante Enzo Guimarães, que deixou claro a indignação com a situação atual.

“Tanta coisa acontecendo no nosso mundo e uma cidade tão grande, tão inteligente, ficando calada, quieta?”, frisa o militante, que continua. “Nosso intuito é dar voz ao povo de Campo Grande, dar voz à coerência, dar voz ao que nós precisávamos falar neste tempo de tanta ternura, luta, guerra e sofrimento”.

Enzo revela que os administradores do espaço tentam melhorar o monitoramento dos debates “para não haver anarquia”, mas não haverá censura. “O grupo é antifacista, não é para eleitores do Bolsonaro, não é para racistas, não é para homofóbicos, machistas ou preconceituosos. O grupo é para pessoas que aceitam todos em um igual”, conclui.

Quanto a ideia de também irem às ruas, ele revela que existe a intenção de um evento próprio para acontecer em breve, porém, o mesmo ainda não tem data definida. Por enquanto, a intenção é apenas apoiar outros atos em Campo Grande.

MONITORAMENTO

Por ser um dos líderes do movimento, Guimarães revela já ter sido alvo de represália, feita por pessoas que se opõem ao grupo antifascista. “Sofri ameaças em um vídeo dirigido a nós. E com certeza estamos sendo monitorados também”, conta. Por ora, não houve registros feitos na polícia sobre o caso.

Outro integrante do grupo, que preferiu não se identificar, afirma que outras pessoas já receberam ameaças por postagens realizadas ali. “Deixaram aberto, então muita gente que se opõe entrou e fica monitorando e lendo tudo o que postam, inclusive já marcando os mais exaltados para usar contra nós posteriormente. É preciso mais cautela”, opina.

 
 

OUTRAS CIDADES

Um protesto convocado por grupos anti-fascistas para protestar contra o racismo terminou em confronto com a Polícia Militar na região central de Curitiba na noite desta segunda-feira (1). Manifestantes gritavam palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro e atearam fogo em uma bandeira do Brasil. Os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que atearam fogo em lixeiras, quebraram fachadas de vidro de comércio e fizeram pixações em pontos de ônibus.

O protesto começou por volta das 20h na Praça Santos Andrade, em frente à Universidade Federal do Paraná. Manifestantes carregavam cartazes com frases como “Vidas negras importam” e levavam bandeiras vermelhas e pretas que simbolizam o movimento anti-fascista. Atos semelhantes ocorrem em todo o mundo, como resposta à morte de George Floyd, em Minneapolis, nos Estados Unidos, após ser imobilizado por um policial branco.  

A confusão foi registrada depois que parte dos manifestantes saiu em direção ao Centro Cívico, também no centro da cidade. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram que os manifestantes colocaram fogo em uma bandeira do Brasil que teria sido retirada do Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná, atearam pedras no Fórum Cível e gritaram palavras de ordem contra oBolsonaro.

No domingo, um ato antifascista, que também era contra o presidente Jair Bolsonaro, terminou em confusão em São Paulo. A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o início de uma briga em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). A confusão, que durou ao menos uma hora, tomou conta da avenida e deixou vidros quebrados, caçambas de lixo e entulho revirados e fogo ateado em objetos no meio da via. Seis pessoas foram detidas, segundo a PM.

Felpuda


Pelo andar da carruagem, aqueles que se acham “proprietários” de certo partido não estão conseguindo encontrar alguém que possa encarar o desafio de ser cabeça de chapa e enfrentar adversários na disputa para prefeito. Até mesmo solução interna está difícil, porque   “lo mismo” mostra-se relutante em colocar a chuteira e participar do jogo. Tudo indica que a paciência do eleitor já se esgotou com a legenda, pelo que já foi demonstrado pelas urnas. E sai de baixo!