Política

AUTORIDADE OLÍMPICA

Indicação surpreende PCdoB

Indicação surpreende PCdoB

ESTADÃO

03/02/2011 - 17h21
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A indicação do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para comandar a Autoridade Pública Olímpica (APO) surpreendeu a cúpula do PCdoB, partido do ministro do Esporte, Orlando Silva. Dirigentes da legenda, que esperava poder escolher um nome para o cargo, souberam da notícia através da imprensa e até agora não foram comunicados oficialmente sobre a suposta decisão da presidente Dilma Rousseff. Mesmo contrariados com a decisão, o partido ainda negocia cargos no segundo escalão do governo federal e, por essa razão, prefere não questionar a indicação do ex-presidente do BC.

"Não quero precipitar nada, estamos ainda em negociação com o governo para o segundo escalão", afirmou Renato Rabelo, presidente do partido. Rabelo admitiu que a perda de poder da legenda no ministério gerou um descontentamento entre os comunistas, mas ressaltou que o partido ainda pode ampliar sua participação no governo Dilma. "Perdeu um espaço, mas pode ganhar outro", sintetizou.

O dirigente disse que a presidente se reuniu com o ministro Orlando Silva na sexta-feira, 28, quando discutiram projetos da APO, mas em nenhum momento o nome de Meirelles foi mencionado. Assim como o ministro, Rabelo soube da notícia através de jornais e blogs. Até agora, o Planalto não desmentiu ou negou a indicação.

Nos bastidores do partido, o nome de Meirelles incomoda porque, além de não ter passado pelo crivo do ministro do Esporte ou do partido, os comunistas nunca aprovaram sua gestão à frente do BC. Além disso, o partido se sente desprestigiado por ter a APO separada da sua pasta. "A APO ficaria na esfera de quem cuida da política de esporte do País. A expectativa era de que ficasse no âmbito do Ministério do Esporte", reclamou um dirigente da sigla.

Caso o nome de Meirelles seja confirmado pela presidente, o partido não deverá oferecer resistência. "Não é nosso papel inviabilizar a nomeação do Meirelles. Temos a capacidade de conviver institucionalmente com qualquer gestor público, afinal temos uma Olimpíada para fazer", afirmou o secretário nacional de Comunicação do PCdoB, José Reinaldo Carvalho.

O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), que também viu "essa notícia pela imprensa", apoiou a posição do secretário do partido. "Vamos saber compreender a presença do Henrique Meirelles. É uma decisão presidencial e isso tem de ser respeitado", resignou-se. Protógenes destacou que é preciso se acostumar com o estilo reservado da presidente no trato com os aliados, diferente do estilo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Esse é o perfil da Dilma. Nenhum governo é igual ao outro", afirmou. Para o deputado recém-empossado, Meirelles é reconhecido por sua capacidade de administrar grandes recursos e um nome internacionalmente conhecido, o que pode ajudar na preparação da Olimpíada.

Insatisfação

Em reunião da executiva do PCdoB na sexta-feira, 28, os líderes discutiram o "hegemonismo" do PT no governo federal. "O PT tomou conta do governo de uma maneira absoluta", protestou um dirigente. Os dirigentes defenderam a elevação do salário mínimo para R$ 580 e criticaram a "postura intransigente" do governo em deixar o mínimo em R$ 545. Eles também desaprovaram a política de juros do Banco Central, a "supervalorização" cambial e a política de ajuste fiscal.

Outro tema de destaque no encontro do PCdoB foi a demonstração de desinteresse do governo em implementar as reformas. A legenda acredita que Dilma precisa acelerar temas como as reformas política, tributária, agrária e urbana, fazer mudanças nos sistemas de educação e de saúde e democratizar os meios de comunicação.

Política

Durante evento do agro, ex-ministro de Bolsonaro prega o fim da polarização política

Paulo Guedes disse que é necessário que políticos e a sociedade consigam debater sem "dar uma facada um no outro"

21/06/2024 13h30

Ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, palestrou e participou de mesa redonda no segundo dia de Interagro.

Ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, palestrou e participou de mesa redonda no segundo dia de Interagro. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Durante palestra, ministrada no Interagro, evento sul-mato-grossense que reúne produtores e empreendedores do agronegócio de todo o estado, o ex-ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, pregou que a animosidade na política e os ataques aos poderes precisam acabar.

Guedes foi chefe da Economia entre os anos de 2019 e 2022, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL), e fez menção ao ex-presidente em seu discurso, dizendo: "como dizia o meu presidente, 'eu não entendo nada de política'". Depois, sugeriu que o vencedor das últimas eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), controlasse os conflitos políticos do Brasil.

"Eu não critico ninguém (...) Eu estou constatando que cabe ao vencedor [Lula], baixar a bola, acalmar tudo. Porque se não, está alimentando, realimentando, essa escalada", disse o ex-ministro.

Guedes destacou que, em outros países, a polarização política já está "escalando", e questionou: "a gente quer escalar aqui também?".

"Não é bom. Lá fora está se questionando a eficácia do sistema multipartidário: 'quanto será que estamos gastando com a democracia? Quanto custam os órgãos, o legislativo, o judiciário? Será que funciona? Por que a China avança tanto? Será que é porque ela não gasta com política? Tem gente pensando nisso, e eu estou radicalmente contra. Eu acho o contrário. Eu prefiro ser livre, num país que cresce 3%, do que ser prisioneiro num país que cresce 14%", declarou.

O ex-ministro disse que as autoridades e a sociedade, ainda que tenham posicionamentos políticos diferentes, devem conseguir conversar sobre o assunto sem "dar uma facada" no outro.

"São valores, sistemas, visões. Nós não temos capacidade de conversar sobre isso sem dar uma facada no outro. Temos que ser capazes de discutir isso", acrescentou.

Por fim, Paulo Guedes disse que atacar um ou outro presidente, com termos como "ladrão" e "genocida" é atacar também a presidência da república

"Ataques aos presidentes são também um ataque à Presidência, assim como ataques ao judiciário também são ataques aos poderes", concluiu o ex-ministro.

Interagro

O Interagro é um evento presencial voltado a produtores e empreendedores do agronegócio de diversos portes e segmentos.

Em sua quarta edição, o encontro, que dura três dias, serve como uma vitrine para o setor, trazendo debates, palestras e cursos, além de apresentar novas tendências e tecnologias do agronegócio mundial.

Realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, o evento conta ainda com exposição de produtos e serviços, se tornando uma excelente oportunidade para ampliar a rede de contatos e firmar grandes parcerias.

O Interagro segue até este sábado (22), e a programação completa pode ser acessada aqui.

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JOGOS

Lula diz que vai sancionar projeto que libera cassinos e jogos de azar

Exploração dos jogos é proibida no Brasil desde 1946

21/06/2024 11h30

Foto: Divulgação

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (21), que deve sancionar o projeto de lei que propõe a legalização de cassinos e jogos de azar, como bingo e jogo do bicho, no Brasil. Para Lula, entretanto, não é isso “que vai salvar o país” em termos de receitas e geração de empregos.

Em entrevista à Rádio Meio Norte, em Teresina, no Piauí, o presidente disse que, se o texto for aprovado no Congresso, com acordo entre os partidos políticos, “não tem porque não sancionar”. Lula cumpre agenda de trabalho hoje na capital piauiense.

Na última quarta-feira (19), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, por 14 a 12 votos, relatório sobre o Projeto de Lei 2.234/2022, que veio da Câmara dos Deputados, onde foi aprovado, e tramita no Senado desde 2022. O tema agora deve ser remetido ao plenário da Casa. 

A proposta prevê a permissão para a instalação de cassinos em polos turísticos ou em complexos integrados de lazer, como hotéis de alto padrão (com pelo menos 100 quartos), restaurantes, bares e locais para reuniões e eventos culturais. O texto propõe ainda a possível emissão de uma licença para um cassino em cada estado e no Distrito Federal. Alguns estados teriam exceção, como São Paulo, que poderia ter até três cassinos, e Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazonas e Pará, com até dois cada um, sob a justificativa do tamanho da população ou do território.

A exploração de jogos de azar no Brasil é proibida desde 1946. Parlamentares contrários ao projeto argumentam sobre o aumento do vício em jogos e a criação de um ambiente favorável à prostituição, ao consumo de drogas e máfia.

O presidente Lula disse que não joga, não é favorável a jogos, mas também não acha que é um crime.

“Houve um tempo em que esse discurso sobre jogos de azar tinha alguma verdade. De todos os jogos que acontecem, eu sempre achei que o jogo do bicho era o jogo que mais distribuía a dinheiro, porque o cara ganha R$ 50, R$ 40, R$ 30. Isso é considerado contravenção, é proibido. Jogar baralho, jogar poker, apostar dinheiro é proibido, fazer cassino é proibido. Mas é jogatina que você tem hoje na televisão, no esporte? Criança com celular na mão, fazendo aposta o dia inteiro. Quem é que segura isso?”, questionou.

“Eu não acredito no discurso de que ‘se tiver cassino o pobre vai gastar tudo que tem’. O pobre não vai no cassino, o pobre vai trabalhar no cassino, ele pode até ver a sua cidade se desenvolver, mas ele não vai porque o cassino é uma coisa pra gente que tem dinheiro”, acrescentou o presidente.

Já quem é a favor do projeto argumenta sobre os ganhos econômicos, geração de emprego e o desenvolvimento turístico das regiões com a presença dos cassinos, além do aumento da arrecadação de impostos para o governo. Apesar de concordar com esses benefícios, para Lula, “não é isso que vai resolver o problema do Brasil”.

“Essa promessa fácil de que vai gerar dois milhões de empregos, de que vai desenvolver não é verdade também. O meu jogo é fazer a economia brasileira voltar a crescer, o meu jogo é fazer muito investimento no ensino profissional, técnico, nas universidades e no ensino fundamental. Meu jogo é fortalecer a escola de tempo integral do Brasil inteiro, é gerar emprego, aumentar salário, distribuir renda porque é isso que deixa o povo feliz. É esse jogo que o povo tem que apostar e é esse jogo que o povo vai ganhar”, ressaltou. 

Leilão de arroz

Durante a entrevista, o presidente também comentou sobre a oferta de arroz no país e afirmou que os leilões para a importação de 1 milhão de toneladas do grão estão mantidos. Para ele, a “decisão drástica” sobre importar o produto se deu em função da alta do preço ao consumidor final.

“O cara me mostrou um pacote de arroz de 5 quilos [kg] a R$ 36 reais, a R$ 33. Eu falei ‘não é possível’, o povo não pode pagar R$ 36 num pacote de 5 kg, esse arroz está caro, aí tomei a decisão de importar. Depois tivemos a anulação do leilão porque houve uma falcatrua em uma a empresa”, contou.

O governo federal decidiu anular o leilão realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no dia 6 de maio e cancelou a compra das 263,3 mil toneladas de arroz que seriam importadas para o país, em razão de “fragilidades” no edital do certame. As empresas participam do leilão representadas por corretoras em bolsas de Mercadorias e Cereais e só são conhecidas ao final.

Novo edital será publicado, com mudanças nos mecanismos de transparência e segurança jurídica, mas ainda não há data para o novo leilão.

“Mas por que eu vou importar? Porque o arroz, ele tem que chegar na mesa do povo [no máximo] a R$ 20 um pacote de 5 kg, que compre R$ 4 um quilo de arroz, mas não dá para ser a um preço exorbitante”, disse, reafirmando ainda a intenção do governo em expandir a área produtiva de arroz do país. “Vamos financiar, vamos oferecer o direito do cara plantar e a gente vai dar uma garantia de preço para que as pessoas não tenham prejuízo.”

O objetivo da importação do arroz é garantir o abastecimento e estabilizar os preços do produto no mercado interno, que tiveram uma alta média de 14%, chegando em alguns lugares a 100%, após as inundações no Rio Grande do Sul em abril e maio deste ano.

O estado é responsável por cerca de 70% do arroz consumido no país. A produção local foi atingida tanto na lavoura como em armazéns, além de ter a distribuição afetada por questões logísticas no estado.

*Com informações da Agência Brasil

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