Política

CORTE DE CONTAS

Jerson Domingos se despede do TCE-MS presidindo pela última vez a Sessão do Pleno

A simbólica homenagem ocorreu durante a 11ª sessão plenária, que contou também com a participação dos conselheiros Iran Coelho, Osmar Jeronymo e Marcio Monteiro

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O vice-presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), conselheiro Jerson Domingos, que no próxima sexta-feira (14) completará 75 anos de idade e terá de se aposentar compulsoriamente do cargo, despediu-se, nesta quarta-feira (12), comandando, pela última vez, a Sessão do Pleno da Corte de Contas.
 
O presidente do TCE-MS, conselheiro Flávio Kayatt, delegou o comando em reconhecimento à marcante trajetória de Jerson Domingos à frente da Corte de Contas. A simbólica homenagem ocorreu durante a 11ª sessão plenária, que contou também com a participação dos conselheiros Iran Coelho das Neves, Osmar Jeronymo e Marcio Monteiro.
 
Também participaram presencialmente o conselheiro substituto Célio Lima de Oliveira e o procurador-geral de contas do Ministério Público de Contas (MPC), João Antônio de Oliveira Martins Junior, sendo que o conselheiro Waldir Neves participou de forma virtual.
 
A trajetória de Jerson Domingo na instituição foi amplamente reconhecida por todos os conselheiros e servidores, em um vídeo institucional, que deixou emocionado o homenageado. Na sessão, o presidente Flávio Kayatt fez questão de ler a carta de congratulações, enviada pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas (Atricon), em reconhecimento ao trabalho realizado por Jerson Domingos como conselheiro em Mato Grosso do Sul.
 
“Em nome da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil e de todo o sistema de tribunais de contas, expressamos, nesta data, nossa mais sincera homenagem e reconhecimento à exemplar trajetória do conselheiro Jerson Domingos no serviço público brasileiro. O encerramento de um ciclo não representa o fim de uma jornada, mas a consagração de uma história que permanece viva na memória das instituições e de todos aqueles que tiveram a honra de acompanhar sua atuação”, discorreu. 

Legado 

Com 30 anos de vida pública, primeiro, atuando como deputado estadual na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e depois como presidente da Casa de Leis, ele cumpriu dez anos como conselheiro do TCE-MS, sendo dois deles como presidente.
 
Em sua gestão na presidência, Jerson Domingos implementou um modelo que priorizou a orientação preventiva aos gestores públicos, buscando o diálogo e a cooperação técnica. Essa postura resultou na humanização do TCE-MS, aproximando-o ainda mais dos jurisdicionados e servidores da Corte de Contas.
 
“Um legado que fica para a história dos Tribunais de Contas do País”, como frisou o procurador-geral de contas do MPC, João Antônio de Oliveira Martins Junior, em seu discurso.
 
O grande destaque de sua gestão, além da valorização do servidor público, foi a criação do Programa Integrado pela Garantia dos Direitos da Primeira Infância (PPI), enquanto presidiu a Corte, considerado modelo no Brasil.
 
A iniciativa une municípios, órgãos de controle e gestores em um objetivo comum: garantir um início de vida digno, saudável e com acesso à educação e cuidados básicos. O programa, focado na transversalidade e na efetivação dos direitos previstos no Marco Legal da Primeira Infância, se consolida como o principal legado social de sua atuação.
 
“Sou grato a Deus por me conceder esta oportunidade. Considero-me um dos muitos afortunados no Brasil por ter recebido carinho, amor, respeito e consideração. Retribuo tudo isso com uma única palavra: gratidão. Agradeço ao amigo e presidente Flávio Kayatt por todo apoio, aos conselheiros Waldir, Iran, Célio, Patrícia, Osmar, Marcio Monteiro, por toda parceria e pelas palavras de carinho. No momento da minha partida, peço apenas uma coisa a vocês, que reservem em seus corações um espaço para Jerson Domingos. Que Deus os abençoe. Muito obrigado por tudo o que fizeram por mim”, agradeceu.
 
A aposentadoria compulsória encerra uma etapa da vida pública de Jerson Domingos, mas seu legado de gestão orientativa, humanizada e comprometida com o futuro das novas gerações permanece como uma marca indelével na história do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul.
 

TROCA DE COMANDO

Secretária de Fazenda pode não voltar ao cargo após licença

O Correio do Estado apurou que o futuro da titular da Sefaz será a exoneração e o substituto deve sair da própria equipe

15/12/2025 08h00

A secretária municipal de Fazenda, Márcia Helena Hokama, está no cargo desde abril de 2022

A secretária municipal de Fazenda, Márcia Helena Hokama, está no cargo desde abril de 2022 Marcelo Victor

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À frente das finanças da Prefeitura de Campo Grande desde abril de 2022, a secretária municipal de Fazenda, Márcia Helena Hokama, não vai mais retornar ao cargo depois da prorrogação da licença médica por estresse e ansiedade iniciada em 20 de novembro deste ano e com previsão de encerrar no dia 8 de janeiro de 2026.

O Correio do Estado obteve a informação com exclusividade por meio de fontes do alto escalão da administração municipal de Campo Grande, que ainda explicaram que a prefeita Adriane Lopes (PP) teria sido comunicada da impossibilidade de a titular da Secretaria Municipal de Fazenda (Sefaz) reassumir as funções por conta de suas condições mentais.

Diante disso, a chefe do Executivo da Capital já teria determinado a procura por um substituto e, por enquanto, a tendência é de que o atual secretário-adjunto da Sefaz, Isaac José de Araújo, seja elevado a titular da Pasta por fazer parte da equipe técnica que foi montada por Márcia Hokama, considerada muito competente por Adriane Lopes.

A reportagem também foi informada de que a decisão da secretária de participar da corrida de rua de Bonito, realizada no dia 6, durante o afastamento por questões de saúde e o fato ter ganhado repercussão na mídia municipal teria pesado para que a continuidade dela no cargo após o fim da licença médica ficasse insustentável.

Márcia Hokama chegou a ser fotografada ao concluir um percurso de 10 km e conquistar o 23º lugar na categoria (competidores com idade entre 50 e 59 anos), e a imagem dela sendo publicada pelos principais órgãos de imprensa “pegou” muito mal até mesmo a imagem da prefeita, que é uma grande defensora do trabalho da secretária.

Porém, como a mulher de César não basta ser honesta, ela também precisa parecer honesta, a corrida foi a gota d’água para fim dos mais de três anos dela à frente das finanças municipais, período marcado por muito desgaste político e pressões decorrentes de crises no transporte coletivo urbano, na saúde e nas finanças, chegando a ser cobrança publicamente pela Câmara Municipal de Campo Grande.

O ponto alto desse desentendimento com os vereadores foi quando Márcia Hokama faltou à convocação para dar explicações sobre a crise, e, na época, ela já chegou a alegar problemas de saúde. Em novembro, a situação mental dela teria chegado no fundo do poço, obrigando o pedido de licença médica.

A partir da oficialização da concessão do afastamento, os boatos começaram dando conta de que ela não retornaria mais ao cargo, porém, a prefeita Adriane Lopes assegurava o retorno da titular da Sefaz após o fim da licença médica.

Entretanto, depois da divulgação da participação de Márcia Hokama da corrida de rua de Bonito a prorrogação da dispensa das funções foram decisivas para que a chefe do Executivo Municipal cedesse à pressão pela exoneração da secretária.

Procurada pelo Correio do Estado, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, não quis comentar até o fechamento desta edição. O espaço continuar aberto para a manifestação da chefe do Executivo Municipal.

*SAIBA

A trajetória de Márcia Hokama começou em abril de 2022, quando foi nomeada pela prefeita Adriane Lopes como titular da Secretária Municipal de Finanças (Sefin), ficando responsável pelas finanças do município de Campo Grande e deixando o cargo de secretária-adjunta, o qual ocupava desde 2021.

Em janeiro deste ano, a prefeita reconduziu Márcia Hokama ao cargo, mas com novo nome Secretaria Municipal de Fazenda (Sefaz). Portanto, ela já está na função de liderança na Sefin/Sefaz desde 2022.

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POLÍTICA

Em pedido de renúncia, Zambelli diz que segue viva e que Brasil continuará ouvindo sua voz

Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por mandar um hacker invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e está presa na Itália desde julho.

14/12/2025 22h00

Deputada federal Carla Zambelli

Deputada federal Carla Zambelli Agência Câmara

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A agora ex-deputada federal, Carla Zambelli (PL-SP), usou o pedido de renúncia de seu mandato para elogiar a proteção recebida pela Câmara e para dizer que "segue viva" mesmo após deixar os quadros da Casa. Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por mandar um hacker invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e está presa na Itália desde julho.

"A história registra: mandatos podem ser interrompidos; a vontade popular, jamais. Eu sigo viva, a verdade permanece, e o Brasil continuará a ouvir minha voz", afirmou, na solicitação encaminhada ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).

Zambelli também agradeceu as decisões da Câmara que mantiveram o mandato da deputada, antes de Supremo Tribunal Federal anulá-las e determinar a perda de mandato de Zambelli. "Esse ato da Câmara foi institucional e constitucional: um momento em que a Casa do Povo afirmou a soberania do voto, o devido processo legal e os limites do poder punitivo do Estado", escreveu.

Leia a íntegra do comunicado:

RENÚNCIA AO MANDATO PARLAMENTAR

AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR

PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

DEPUTADO FEDERAL HUGO MOTTA

Excelentíssimo Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados,

Povo brasileiro,

Eu, Carla Zambelli Salgado de Oliveira, Deputada Federal eleita para a 57ª Legislatura (2023-2027), representante do Estado de São Paulo, legitimada por 946.244 votos nas eleições gerais de 2022, faço esta manifestação por intermédio de meus advogados constituídos, Dr. Fabio Pagnozzi e Dr. Pedro Pagnozzi, diante da impossibilidade de comparecer pessoalmente a esta Casa, em razão de encontrar-me privada de liberdade em território estrangeiro. Falo, portanto, não apenas como parlamentar, mas como voz de quase um milhão de brasileiros que confiaram em mim sua representação.

O que se registra neste ato não é apenas a renúncia a um mandato, mas um marco institucional. A Câmara dos Deputados exerceu integralmente sua competência constitucional, observando o procedimento previsto no artigo 55 da Constituição Federal, especialmente seus ?? 2º e 3º, que atribuem exclusivamente ao Poder Legislativo a deliberação sobre a perda de mandato parlamentar, mediante decisão do Plenário, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

No curso desse procedimento, foi elaborado relatório pelo Relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, Deputado Diego Garcia, demonstrando, de forma técnica e fundamentada, que não existem provas jurídicas aptas a sustentar a perda do meu mandato, tampouco elementos que embasem qualquer condenação. Esse relatório trouxe à luz uma verdade elementar do Estado de Direito: não se cassa um mandato sem provas.

Essa compreensão foi confirmada pelo Plenário da Câmara dos Deputados, que, ao não deliberar pela cassação, afirmou que não havia fundamento jurídico legítimo para suprimir um mandato conferido por quase um milhão de brasileiros. Esse ato foi institucional e constitucional: um momento em que a Casa do Povo afirmou a soberania do voto, o devido processo legal e os limites do poder punitivo do Estado.

A História constitucional ensina que os regimes livres somente subsistem quando cada Poder reconhece seus limites. Montesquieu advertia que "todo aquele que detém poder tende a abusar dele, indo até onde encontra limites". O registro aqui produzido reafirma que o Parlamento não é instância acessória, mas Poder constitucional autônomo, cuja competência não pode ser esvaziada sem grave risco ao Estado Democrático de Direito. Este episódio permanecerá como referência institucional para situações semelhantes, nas quais se discuta a preservação do mandato popular frente à expansão indevida do poder punitivo estatal.

Posteriormente, deliberação do Supremo Tribunal Federal determinou a perda do mandato, afastando o resultado do procedimento conduzido por este Parlamento.

É diante desse quadro, e não por medo, fraqueza ou desistência, que comunico, de forma pública e solene, minha renúncia ao mandato parlamentar, para que fique registrado que um mandato legitimado por quase um milhão de votos foi interrompido apesar do reconhecimento formal, por esta Casa, da inexistência de provas para sua cassação.

Este gesto não é rendição. É registro histórico. É a afirmação de que mandatos passam; princípios permanecem. A democracia não se resume às urnas; ela vive no respeito às instituições e na coragem de registrar a verdade.

Dirijo-me, por fim, ao povo brasileiro. Aos meus eleitores, afirmo: a verdade foi dita, a história foi escrita e a consciência permanece livre. Ideias não se cassam. Convicções não se prendem. A vontade popular não se apaga.

A história registra: mandatos podem ser interrompidos; a vontade popular, jamais. Eu sigo viva, a verdade permanece, e o Brasil continuará a ouvir minha voz.

Que Deus abençoe o povo brasileiro, ilumine esta Nação e a conduza, sempre, pelo caminho do direito, da justiça e da liberdade.

Respeitosamente,

Carla Zambelli Salgado de Oliveira

Deputada Federal - Brasil

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