Política
TRF3

Justiça Federal retoma Lama Asfáltica, operação que prendeu ex-governador

André Puccinelli e o filho passaram cinco meses presos sob a acusação de que chefiavam esquema de corrupção

Celso Bejarano

25/06/2022 08:00

 

A Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal (PF) deflagrada em julho de 2015, suspensa em dezembro do ano passado, seis anos e meio depois, ressurgiu nesta sexta-feira por determinação da Justiça Federal.  

A ofensiva policial havia desarticulado uma organização criminosa, segundo a PF, que teria desviado recursos públicos por meio de licitações supostamente fraudadas e superfaturamento em obras tocadas pelo governo de Mato Grosso do Sul nas gestões de André Puccinelli (MDB), que foram de 2007 a 2014.

A Lama Asfáltica, inclusive, pôs na cadeia, em julho de 2018, o ex-governador, que hoje é pré-candidato ao governo. Investigadores do caso, para justificarem o pedido de prisão, afirmaram que Puccinelli chefiava um esquema de corrupção. O ex-governador e o filho André Júnior ficaram encarcerados por cinco meses.

Ocorre que, em dezembro passado, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinou o afastamento do juiz da 3ª Vara Federal de Campo Grande Bruno Cezar da Cunha Teixeira, então magistrado que tocava as ações penais e os inquéritos da Lama Asfáltica.  

A corte entendeu que Teixeira estaria agindo de maneira parcial no processo. Ou seja, com a decisão do TRF-3, caíram a zero as investigações contra o ex-governador e o filho. No entanto, o tribunal mandou substituir o “juiz suspeito”, segundo sua interpretação.

Já em uma de suas primeiras ações como magistrada da Lama Asfáltica, a substituta, a juíza da 3ª Vara Federal de Campo Grande Júlia Cavalcante Silva, acatou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o empreiteiro João Amorim, a sócia e as três filhas. Antes da troca de magistrados, o quinteto era réu por crime de lavagem de dinheiro.  

Com a remoção do juiz Bruno Cezar, o empreiteiro, as filhas e a sócia tinham se livrado do processo. Agora, voltaram a ser réus. Contra Amorim, nesse processo, a suspeita é de que ele tenha lavado dinheiro na compra de duas fazendas, uma na cidade de Jaraguari e outra em Porto Murtinho, no valor de R$ 33,5 milhões.