Política

Tempus Veritatis

A+ A-

Lideranças partidárias acreditam que operação enfraquece Bolsonaro em MS

Para elas, os eleitores da direita mais conscientes não devem aceitar o fato de o ex-presidente ter planejado golpe de Estado

Continue lendo...

O Correio do Estado ouviu algumas lideranças partidárias de Mato Grosso do Sul para saber o reflexo que a Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal (PF) contra o ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL) e altos oficiais do Exército que integraram o seu governo, terá sobre as eleições municipais deste ano no Estado.

Todas acreditam que o ex-chefe do Executivo teve a imagem arranhada com os eleitores da direita mais conscientes.

Na avaliação dessas lideranças, apesar de ainda ser muito cedo para uma análise aprofundada, o fato de uma decisão judicial proibir que Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que está preso por porte ilegal de arma de fogo, se comunicarem agrava a situação, pois ambos são os responsáveis por bater o martelo na escolha dos candidatos a prefeitos e vice-prefeitos da sigla, afetando os planos da legenda no pleito deste ano.

 Além disso, em cerca de 30 dias será aberta a janela eleitoral. Conforme essas mesmas lideranças, sem o consenso dos dois caciques para decidir quais candidatos do partido apoiar, quais políticos de outras legendas vão se filiar ao PL, com quais siglas farão coligações e em quais cidades do Brasil eles estarão presentes nos palanques, tudo isso prejudicará de sobremaneira as pretensões eleitorais dos liberais.

Para o ex-governador e atual deputado estadual Zeca do PT, um dos caciques do partido no Estado, ao analisar a repercussão que pode ter esse caso nas eleições deste ano em MS – o qual, segundo ele, é desdobramento “da barbaridade que está chegando ao conhecimento público das coisas cometidas pelo núcleo mais radical do bolsonarismo” –, o saldo será negativo para a direita sul-mato-grossense.

“Primeiro, eu acho que é muito prematuro a gente fazer qualquer análise agora de que reflexo pode ter eleitoralmente, mas, com certeza, teremos. Acredito que o maior reflexo será nos setores da direita mais conscientes e mais capazes de analisar friamente a maluquice que foi cometida, a barbaridade e o risco que 
a democracia brasileira correu”, declarou.

Zeca do PT reforçou que, de fato, a operação poderá sim interferir “no voto dessas pessoas da direita com grau de discernimento e de consciência mais apurados”.

“Eu acredito que desse lado deve ter reflexo, sim. Agora, a gente tem também que ter claro de que nós temos no Estado um grupo de bolsonaristas mais radicais que, mesmo sendo público e notório que Bolsonaro eventualmente cometa suicídio, eles vão achar que foi o presidente Lula quem matou”, brincou.

No entanto, conforme o deputado estadual, o ex-presidente Bolsonaro teve sua figura arranhada junto aos eleitores da direita mais conscientes. “Entretanto, a gente tem que aguardar um tempo, até para verificar se a operação da PF terá mais desdobramentos. Aí, sim, checaremos os resultados nas pesquisas de intenção de voto”, argumentou.

Uma das lideranças do PSDB que preferiu não se identificar disse ao Correio do Estado que os eleitores da direita mais conscientes devem pensar duas vezes antes de votar em alguém apoiado por Bolsonaro.

"Acredito que o maior reflexo será nos setores da direita mais conscientes e mais capazes de analisar friamente a maluquice que foi cometida, a barbaridade e o risco que a democracia brasileira correu” Zeca do PT, projetando que a operação da PF deve tirar votos de candidatos apoiados por Bolsonaro

“Quem tem bom senso e votou em Bolsonaro deve ficar retraído de votar em candidatos apoiados por ele. Como essas pessoas não votam na esquerda, acredito que esses votos podem sim migrar para os candidatos do PSDB, que é um partido de centro”, projetou, completando que os bolsonaristas mais radicais não devem mudar os votos independentemente do que possa acontecer ao ex-presidente.

 O Correio do Estado também ouviu uma liderança estadual do MDB. Ela disse que, de imediato, a operação causa um estrago na imagem do ex-presidente e de seus aliados. Conforme opinou, se porventura eles queriam o apoio de Bolsonaro, agora deverão repensar se vale a pena tê-lo no palanque.

“Porém, somente com mais tempo é possível avaliar o impacto disso nas eleições municipais em Mato Grosso do Sul. Será que teremos mais desdobramentos dessa operação? Ou foi só isso mesmo? Se foi só isso, Bolsonaro deve contra-atacar e tentar contabilizar a seu favor a ação da PF, pelo menos junto aos seus seguidores mais fiéis”, projetou.

Cientista político vê prejuízo 

O cientista político Tércio Albuquerque também vê prejuízo à imagem do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) com a operação deflagrada pelo Polícia Federal (PF) que investiga sua participação no planejamento de um golpe de Estado com os generais que ocupavam cargos de ministro em seu governo.

“Sem dúvida nenhuma que é um prejuízo imenso para Bolsonaro e para a sigla dele em todo o Brasil nas próximas eleições municipais, quando se desencadeia uma operação como essa, desenvolvida por determinação do STF [Supremo Tribunal Federal] e com apoio da polícia federal”, disse.

No entanto, Albuquerque cobra muita seriedade por parte da Corte na identificação dos eventuais atos criminosos, para que não se repitam os erros cometidos no julgamento do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando se gerou todo um estardalhaço e acabou anulado.

“Então, é muito importante que não se siga na mesma trajetória que não foi bem traçada”, recordou.

O cientista político avaliou que, em Mato Grosso do Sul, com Bolsonaro impedido judicialmente de falar com investigados pela Operação Tempus Veritatis – um deles, inclusive, sendo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto –, tira a possibilidade de qualquer diálogo que possa formalizar candidaturas em nível municipal.

“O prejuízo é claro e iminente. O que vai ser muito determinante é se essas medidas serão suspensas ou se serão mantidas por muito tempo, podendo agravar ainda mais a situação”, pontuou.

 Albuquerque projetou que todos os partidos de oposição ou que não estão alinhados ao PL vão usar, sem dúvida nenhuma, essa operação contra o ex-presidente.

“Portanto, acredito que criará mais uma dificuldade para a vitimização bolsonarista, porque o que é que vai acontecer no momento da janela partidária, no momento em que for necessária uma adequação diante de novos fatos? Muitos poderão mudar de posição, de vinculação partidária, para não correr risco”, argumentou.

Ele analisa que, se Bolsonaro e Costa Neto não conseguem articular a direção do PL em favor dos pretensos candidatos, ambos ficarão órfãos dentro da estrutura do Estado e também no resto do País.

“Muito provavelmente isso vai refletir na definição de escolha de partido para o lançamento das candidaturas. E a oposição vai, sem dúvida nenhuma, se apropriar desse discurso, de que Bolsonaro, que pregou uma anticorrupção, está envolvido em vários escândalos de corrupção, além de outras questões, como o golpe contra a democracia. E não tem coisa pior do que ser desmentido publicamente”, afirmou.

Albuquerque disse que a posição mais confortável é do presidente Lula, justamente porque Bolsonaro está experimentando do próprio veneno.

“Repito, por mais que haja uma tentativa de se dizer que Bolsonaro está sendo perseguido injustamente, as provas que estão sendo levantadas mostram o contrário. Então, realmente, não vai ser muito fácil tentar se utilizar de um discurso inverso 
a seu favor”, concluiu. 

Assine o Correio do Estado

Impasse

Governo quer apresentar proposta de calendário de emendas, afirma Padilha

A liberação de recursos para obras nas bases eleitorais dos congressistas, por meio das emendas, é um dos meios pelos quais o governo obtém apoio para seus projetos no Legislativo

20/02/2024 17h00

Ministro do STF, Flávio Dino e ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha Futura Press/Folhapress

Continue Lendo...

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta terça-feira (22) que o governo pretende apresentar uma proposta de calendário para pagamento de emendas. O assunto é politicamente delicado porque a liberação de recursos para obras nas bases eleitorais dos congressistas, por meio das emendas, é um dos meios pelos quais o governo obtém apoio para seus projetos no Legislativo.

"O governo, através do debate com a Junta de Execução Orçamentária, quer apresentar, como sempre apresentou, como fizemos no começo do ano passado, um calendário de empenho das emendas individuais, das emendas de bancada, do conjunto dos recursos discricionários do Executivo", declarou o ministro.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada pelo Congresso para 2024 continha um calendário para pagamentos, o que tirava o poder do governo sobre o timing da liberação dos recursos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, vetou o trecho. Agora, o governo tenta evitar a rejeição do veto pelo Congresso, o que restituiria o calendário.

"Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, quem determina, quem tem as condições, a prerrogativa de estabelecer um calendário de pagamento é o Executivo", afirmou Padilha nesta terça-feira.

O ministro falou ao lado do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, que ficou em silêncio durante a entrevista a jornalistas. A declaração foi feita após reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros e líderes do governo no Legislativo para discutir os projetos prioritários do Executivo para 2024.

Estavam presentes, de acordo com a agenda de Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin; os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Márcio Macêdo (Secretaria-Geral), Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Paulo Pimenta (Secom); os líderes do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, na Câmara, José Guimarães, e no Senado, Jaques Wagner. Além deles, o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Marcola, também esteve na reunião.
 

Conta de Luz Zero

Governo deve prorrogar recadastramento do Programa Energia Social até o dia 10 de maio

Prazo anteriormente previsto para 10 de março pode ser prorrogado para 10 de maio; projeto tramita na Assembleia

20/02/2024 15h26

Reprodução: João Pedro Flores/Governo do Estado

Continue Lendo...

 

O governador Eduardo Riedel protocolou na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul um Projeto de Lei que visa modificar o período para que os interessados em participar do "Programa Energia Social: Conta de Luz Zero" realizem o cadastramento na Secretaria de Assistência Social e dos Estado de Direitos Humanos (Sead).

Até o momento, a data prevista para o cadastro é de 10 de janeiro a 10 de março. No entanto, o texto propõe que o prazo seja estendido, de 1º de fevereiro a 10 de maio em 2024.

O projeto para prorrogar o prazo, recebido pela Alems nesta terça-feira (20), deve tramitar em regime de urgência.

Programa Energia Social

O Conta de Luz Zero permite que o Estado pague a conta de energia de famílias de baixa renda, residentes de Mato Grosso do Sul, cujos imóveis (unidades consumidoras) sejam utilizados exclusivamente para fins residenciais, ajudando diretamente na renda destas pessoas.

No ano passado, o programa beneficiou 152 mil famílias de Mato Grosso do Sul, com custo mensal de R$ 12 milhões por mês aos cofres estaduais. Já está disponível, no site da Sead, o preenchimento de dados para recadastramento para a edição de 2024 do programa.

Para serem atendidas, as famílias precisam fazer parte do Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico), e se enquadrar nas seguintes regras:

  • residir em imóvel que pertença à classe de consumo “residencial – que tenha como consumo mensal até 220 kWh (duzentos e vinte quilowatt-hora), observada a periodicidade de leitura prevista pelo órgão regulador;
  • não ser proprietário de mais de 1 (um) imóvel residencial urbano ou rural;
  • ser beneficiário do Programa Tarifa Social de Energia Elétrica do Governo Federal, previsto na Lei Federal nº 12.212, de 20 de janeiro de 2010;
  • estar inscrito no cadastro próprio do Programa Energia Social: Conta de Luz Zero;
  • ter renda familiar mensal per capita igual ou inferior a meio salário mínimo nacional ou renda familiar mensal total de até 2 (dois) salários mínimos nacionais.

Mais informações, leia na íntegra a Lei n. 6.170, de 21/12/2023.

Assine o Correio do Estado.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).