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BRASÍLIA

Mandetta confirma demissão e diz que preparou sistema de saúde para enfrentar pandemia

Bolsonaro escolheu oncologista Nelson Teich para o Ministério da Saúde
16/04/2020 15:30 - Adriel Mattos


 

Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) confirmou que o presidente da República, Jair Bolsonaro, o demitiu do Ministério da Saúde. O chefe do Executivo escolheu o médico oncologista Nelson Teich para substituí-lo.

Em três publicações na rede social Twitter, Mandetta agradeceu a oportunidade de ocupar o cargo. “Quero agradecer a oportunidade [...] de planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar”, escreveu.

O sul-mato-grossense conquistou a atenção do público por sua atuação na pasta no combate ao avanço à pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Porém, Bolsonaro discorda de várias ações tomadas pelo ministério.

O presidente já vinha criticando as medidas de restrição tomadas por governadores. Isso levou à convocação de manifestações na segunda quinzena de março em diversos locais do País, o que irritou Mandetta. Aglomerações de pessoas são condenadas pelas autoridades de saúde pelo risco de contágio da Covid-19.

Questionado, o ministro disse que o ideal era não ir. “E continua não sendo para todo mundo”, destacou à época. Naquela semana, o presidente ainda faria novo exame para saber se tinha ou não contraído o novo coronavírus.

Ao cumprimentar apoiadores em manifestação em 15 de março, em Brasília (DF), houve a primeira de uma série de desentendimentos entre Mandetta e Bolsonaro. E ao longo do último mês, o presidente deu várias declarações minimizando a pandemia.

Entre elas, questionou a necessidade do isolamento, já que um dos grupo de risco são idosos; que a quarentena traria prejuízos econômicos; além de entrar em rota de colisão com os governadores de São Paulo, João Doria Júnior (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

Em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, em 24 de março, Bolsonaro mais uma vez rechaçou a gravidade da pandemia, dizendo que a Covid-19 não passaria de “gripezinha” ou “resfriadinho”. Quatro dias depois, o ministro enfatizou várias vezes em entrevista a necessidade do isolamento.

Já no dia 30 de março, o governo determinou as entrevistas coletivas à imprensa para divulgação de dados atualizados sobre o novo coronavírus passassem a ser dadas no Palácio do Planalto. Até então, o ato ocorria no Ministério da Saúde, com técnicos da pasta, que deram lugar a outros ministros.

No começo de abril, Bolsonaro passou a alfinetar Mandetta. Em entrevista à rádio paulistana Jovem Pan, no dia 2, o presidente disse que faltava “humildade” ao ministro. Mas a ameaça de demissão surgiu no dia 5, quando Bolsonaro declarou que integrantes do governo se tornaram “estrelas” e que ele não teria medo de “usar a caneta” para demitir.

A tensão se elevou no dia 6, quando o presidente decidiu pela demissão. Ele passou o dia em reuniões com o gabinete e foi convencido pela ala militar a manter Mandetta do cargo para não desgastar o governo. O Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizou ao Planalto que não aceitaria a demissão. “Médico não abandona paciente”, resumiu o ministro na noite daquele dia, ao anunciar que continuaria no cargo.

Em seguida, o desentendimento pareceu ter sido superado, após o presidente declarar estar “tudo resolvido” na quarta-feira (8). Na sexta-feira (10), Bolsonaro novamente passeou por Brasília, causando aglomeração. No domingo (12), a situação se tornou ainda mais crítica.

Pela manhã, Bolsonaro declarou durante transmissão ao vivo com religiosos que o novo coronavírus “já está indo embora”. O presidente não contava com a resposta de Mandetta: uma entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, com uma série de críticas veladas.

Além de conceder entrevista à emissora considerada “inimiga” do presidente, o ministro a fez no Palácio das Esmeraldas, residência oficial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), com quem Bolsonaro havia rompido politicamente no fim de março.  

O ministro disse que havia duas visões no governo no combate à Covid-19. E que o Brasil “não sabe se escuta o ministro ou o presidente”. A entrevista à Globo foi a gota d’água para o presidente.

Os ministros militares retiraram seu apoio a Mandetta e o vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), chegou a defender a permanência do ministro, mas criticou a entrevista. “O ministro cruzou a linha da bola e cometeu uma falta grave”, declarou na terça-feira (14).

A quarta-feira começou o rumor de que Mandetta avisou à equipe do ministério que seria demitido até o fim da semana. A ameaça levou o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, deixar o cargo.

O presidente e o gabinete já estariam formando uma lista de substitutos, que incluía o oncologista Nelson Teich, além da oncologista Nise Yamaguchi; Ludhmila Hajjar, diretora de Ciência e Inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia; Claudio Lottemberg, presidente do conselho do Hospital Israelita Albert Einstein; Antonio Barra Torres, presidente interino da Agência Nacional de Vigilância Sanitária; e Osmar Terra, deputado federal e ex-ministro da Cidadania.

 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.