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REPRESENTATIVIDADE

Mulheres defendem cota para elas nos parlamentos de Mato Grosso do Sul

Mara Caseiro, que está de volta à Assembleia, Simone, Rose e Soraya querem cota feminina
19/11/2020 10:30 - Flávio Veras


Terminada as eleições municipais, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu pautar proposta de emenda à constituição (PEC), que institui cota para mulheres nas câmaras de vereadores, assembleias legislativas e na Câmara dos Deputados. 

O Correio do Estado ouviu parlamentares, principalmente mulheres, para saber qual a opinião deles sobre esse tipo de parcela de gênero destinada às Casas Legislativas do Brasil.

Quando fez a afirmação, Maia lamentou a representação “muito pequena” das mulheres nas eleições proporcionais. “Hoje, já temos quase 2 mil municípios que não têm uma única mulher representando a sociedade nas câmaras de vereadores”, disse.

Nas eleições de 2018, nenhuma mulher conseguiu se eleger ou relegar a Assembleia Legislativa do Estado (Alems). A ex-diretora-presidente da Fundação Estadual de Cultura, Mara Caseiro, conseguiu ficar como suplente pelo PSDB. 

Com a morte do tucano, Onevan de Matos, ela assumiu a cadeira deixada por ele em cerimônia realizada na manhã de ontem, na Assembleia. Além disso, a agora parlamentar foi a última mulher a ocupar o posto na Assembleia, quando exerceu dois mandatos, de 2010 a 2018.

De acordo com Caseiro, o fato da baixa representatividade da mulher na política não se deve “a falta de capacidade”, como muitos insistem em dizer. 

“Temos mulheres que ocupam lugar de destaque em todos os segmentos da sociedade, por exemplo, na iniciativa privada e no setor público também, em que se encontram secretarias municipais e estaduais ou nos ministérios, e fazem um grande trabalho. Em relação aos cargos eletivos, a mulher tem uma complicação a mais, pois acumula a função de mãe e esposa, além da profissão. Portanto, eu acho necessário ter essa regra de cota mínima, pois é a única forma de promovermos a igualdade nos parlamentos”, projetou.  

A deputada afirmou ainda que, apesar de diversos manifestos em prol a esse tipo de projeto, quando eles entraram em pauta no Congresso Nacional não foram aprovados. 

“Quando surgiu esse PL em 2015, fizemos uma campanha para sensibilizar o parlamento. Mesmo com uma cota inicial de 10% na primeira eleição e depois ir aumentando gradativamente, ele não passou. Como hoje temos 30% destinado ao gênero feminino para compor as chapas, eu acredito que essa parcela deveria ser estipulada para um número de cadeiras nas Casas de Leis”, salientou.

 
 

Ao Correio do Estado, a senadora Simone Tebet (MDB) ressaltou que já apresentou um projeto parecido, porém, percorre um caminho diferente. 

“Na busca pela ampliação da participação feminina na política. Inspirada no acordo firmado entre o Ministério Público Eleitoral e o meu partido, o MDB, e homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral, propus uma cota de 30% de mulheres nos comandos partidários de todas as legendas. Partimos do pressuposto de que, com mais mulheres nos órgãos diretivos dos partidos políticos, a escolha das candidaturas femininas se dará entre as que realmente sejam competitivas, e tenham maiores chances nas eleições. Assim, paulatinamente, vamos conseguindo mudar a política de um espaço majoritariamente masculino para um ambiente mais equilibrado. Afinal, homens e mulheres podem somar suas visões de mundo e habilidades, com o intuito de bem representar o povo brasileiro”, explicou.

Sobre uma maior participação feminina na política, a senadora afirmou que a luta é longa. 

“É certo que já avançamos com a política de cotas e a garantia de 30% dos recursos financeiros e do tempo de rádio e TV nas campanhas. No entanto, não ultrapassamos 15% das vagas dos Legislativos municipais, estaduais e federal. Ainda muito pouco para um País cujas mulheres representam cerca de 52% do eleitorado”, lamentou.

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EXCLUSÃO VELADA

Para a deputada federal Rose Modesto (PSDB), a cota de vagas é um instrumento importante, que se mostra necessário por causa da exclusão social velada que existe na política, na qual as mulheres são minoria em virtude de valores que as idealizam no ambiente doméstico.  

“Nos partidos, as mulheres são discriminadas quando disputam espaço nos diretórios partidários e nas próprias campanhas, enquanto outras são completamente enganadas com a promessa de que serão prioridades eleitorais. Um exemplo da importância da cota, mesmo com suas falhas, é a obrigatoriedade dos partidos terem 30% das candidaturas do sexo feminino. Com essa regra , houve um crescimento de cerca de 50% de mulheres eleitas entre 2016 e 2018. Esse resultado derruba o argumento de que falta interesse de mulheres para a política, como é costumeiramente afirmado. O que precisa é ser garantida condições reais para a disputa de vagas”, argumentou.

Para a senadora Soraya Thronicke (PSL), esse tipo de medida é importante em países onde ainda não tem uma maturidade política, como é o caso do Brasil. 

“Em democracias em que o eleitorado tem uma consciência política avançada, esse tipo de medida não é necessária. Porém, em democracias em que ainda se buscam esse tipo de necessidade, deve-se ter projetos que viabilizam essa igualdade. Claro, esse tipo de medida deve ser aplicada por um período, até alcançarmos essa consciência”, exemplificou.

 

Felpuda


Ex-petista de quatro costados, que acabou se aboletando em outro partido já há algum tempo, decidiu se submeter mais uma vez às urnas na tentativa de voltar a comandar cidade do interior de Mato Grosso do Sul. O eleitorado não botou fé e decidiu reeleger o atual prefeito.

Agora, há quem diga que o dito-cujo, que é fã de Carnaval, já pode ir preparando sua fantasia: “palhaço das perdidas ilusões”. Ô maldade!