Política

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O indescritível Charlie Chaplin

O indescritível Charlie Chaplin

Redação

05/06/2010 - 20h38
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No finzinho de 1959 os itabaianenses estavam eufóricos com a inauguração do Cine Ideal, cinema moderno, confortável, o melhor e mais concorrido da região agreste paraibana, fadado a receber, em seu palco, as maiores estrelas da música nordestina, como Luis Gonzaga, Marinê e sua gente, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda... Às terças-feiras eram exibidos filmes de bang bang e aos domingos os clássicos e nacionais. A cidade nunca esteve tão alegre.

Nos primeiros dias de 1960 chegaram os filmes de Charlie Chaplim. O pátio do cinema, naquele domingo, apanhava grande multidão. Entrei na enorme fila para comprar o ingresso e quando dei por mim estava na frente do professor Almeida, diretor do Ginásio de Itabaiana, numa conversa que versava sobre a literatura francesa, com a professora de francês, senhora Selma Monteiro. Curioso, recuei o mais que pude para ouvi-los.

– Gosto muito da prosa francesa do século XVI – disse o estudioso diretor.

A docente ergueu os olhos para o movimento da bilheteria, coçou delicadamente os cílios com o polegar direito e, enquanto a fila andava, informou que dominaram a prosa francesa do sécu1o XVI dois dos mais originais e deleitosos pensadores de todas as literaturas, Rabelais e Montaigne. Diferentes de temperamento. Rabelais, jocoso e bom camarada; Montaigne, a ponderação que sorri de leve. Juntos criaram a prosa francesa. Exerceram grande influência sobre os ensaístas e satiristas ingleses. Seus escritos e a tradição a que deram origem floresceu em esplêndidos escritores franceses como os modernos Anatole France e Victor Hugo. Rabelais, com sua prosa, faz o leitor arrepiar-se com o seu humor trágico, nele não há rir alto e, quando menos se espera, é um gargalhador tremendo. Rebelais, que havia sido frade e depois médico, não tinha nenhum respeito por batinas, becas ou graus. Ele possui um vocabulário prodigioso, em parte por ele inventado, e empilhava imagens e analogias em massa. Já Montaigne comunga quietamente com a sua própria natureza e os livros. O "ensaio" é a única literatura cuja paternidade e data natalícia conhecemos com certeza. O "ensaio" tem pai e certidão de nascimento. Quando em março de 1571 Montaigne se retirou duma sociedade rumorosa para a torre do seu castelo a fim de conversar consigo mesmo, o "ensaio" estava a gestar-se. E Montaigne, o primeiro ensaísta, manteve-se o maior de todos. A primeira edição dos ENSAIOS, de sua lavra, data do ano de 1580. O ensaísta supremo, o verdadeiro pai, está admitido que seja aquele homem que se encerrava na torre para conversar consigo mesmo.

Chegamos à bilheteria e a aula de literatura francesa morreu ali. Corremos todos para um encontro inesquecível, na tela do cinema, com o fantástico Charlie Chaplim. Cinema mudo, não nos incomodou, os movimentos e a gesticulação do fabuloso ator falavam claramente o sentido real das cenas.

Charlie Chaplin nos contou os desígnios do transparente CARLITOS, a vida do vagabundo CARLITOS, estado a que chegou, na Terra, um anjo caído ao Céu. Um conto sem palavras.

Carlitos. Inocente. Triste. Fazia rir com a sua inocência e sua tristeza. Carregava as coisas mais belas do mundo. Poesia. Lembro-me dos olhos dele e do sorriso que nunca pode sorrir. Corpo de Carlitos era um bailado de folhas mortas. Música. Lembro-me dos passos, dos gestos dele. Sim, um anjo no exílio. Disfarçado nas calças sem fim, no fraque cada vez mais roído, em cima dos sapatos enormes, o coco dançando na cabeça, a bengalinha entre os dedos. Não tinha idade. Sempre igual. Orfeo sem lira, Hamlet na rua, Dom Quixote a pé. Orfeo, Hamlet, Dom Quixote, mais ou menos sozinhos, falaram. Carlitos não falou.

Carlitos, pobre dos pobres, imigrante, pastor de almas, vidraceiro, artista de circo. Sofreu em busca de ouro, sofreu na guerra, sofreu na cadeia. Barbeiro tímido do Gueto, o confundiram com o mais arrogante dos ditadores. Doce irmão das estrelas e das esquinas. Um espantalho. Mas em Carlitos os pássaros vinham pousar, cantando. Tão puro! Tão amoroso! Tão repelido! Não sabia distinguir o bem e o mal. Tudo para Carlitos era o mesmo espanto encantado, a mesma ternura esparsa nas coisas e nos seres.

O indescritível Charlie Chaplin, vivenciando CARLITOS, é simplesmente inesquecível.

 

Reginaldo Alves de Araújo

Política

Alckmin: Liderança e perseverança de Lula fizeram com que chegássemos a acordo Mercosul-UE

Ministro destacou que o pacto é aguardado há 25 anos e frisou tratar-se do maior acordo entre blocos do mundo

17/01/2026 18h00

Vice-presidente, Geraldo Alckmin

Vice-presidente, Geraldo Alckmin Crédito: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado, 17, que a liderança e a perseverança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "fizeram com que se chegasse ao dia histórico" da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O pacto firmado nesta tarde, em cerimônia em Assunção, no Paraguai, cria um dos maiores blocos econômicos do mundo.

A ponderação ocorreu em vídeo postado por Alckmin no X. O ministro destacou que o pacto é aguardado há 25 anos e frisou tratar-se do maior acordo entre blocos do mundo. "Isso significa mais comércio, mais emprego, mais investimentos recíprocos. Um ganha-ganha em benefício da sociedade. Grande conquista", afirmou.

Lula não participou da cerimônia de assinatura do pacto. Em seu lugar, compareceu ao evento o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que a ausência "deixou um sabor amargo", mas reconheceu a liderança de Lula nas negociações em torno do acordo.

Nesta sexta, 16, Lula publicou artigo em jornais de 27 países avaliando que o acordo Mercosul-UE é uma resposta do multilateralismo ao isolamento. "Em uma época em que o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e a defesa do multilateralismo escolhem um caminho diferente", diz o chefe do Executivo no texto. Ele esteve ontem em ato no Rio de Janeiro com Von der Leyen.

Na cerimônia desta tarde Vieira afirmou que o acordo estabelece uma "parceria com enorme potencial econômico" e "com profundo sentido geopolítico". Segundo o chanceler, o pacto "representa um baluarte, erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral, diante de um mundo abatido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção".

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PROJEÇÃO

Rodolfo Nogueira aposta no retorno da direita ao poder em 2027

Deputado ressalta que mantém fidelidade política a Bolsonaro

17/01/2026 09h30

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) acredita que a direita retornará ao poder em 2027

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) acredita que a direita retornará ao poder em 2027 Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

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O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), conhecido como Gordinho do Bolsonaro, afirmou que o Brasil passará por uma mudança significativa a partir de 2027 e classificou as eleições deste ano como decisivas para esse cenário.

Segundo o parlamentar sul-mato-grossense, o pleito será marcado pela derrota do Partido dos Trabalhadores (PT).

“Minha mensagem para 2026 é essa: para o povo brasileiro voltar a sorrir, precisamos varrer o PT do Brasil, eu creio”, declarou Nogueira, que é pré-candidato à reeleição.

A expectativa da oposição é de que a direita retorne ao comando da Presidência da República nas próximas eleições.

Nesse contexto, Rodolfo Nogueira declarou apoio irrestrito à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando acreditar que o nome representa a continuidade do projeto político iniciado pelo ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL), que está cumprindo pena de mais de 27 anos de prisão em regime fechado.

A princípio, ele estava na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, mas, na quinta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a transferência de Bolsonaro para a Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha, por ficar no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Considerado um dos parlamentares mais críticos ao governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Nogueira ressaltou que sempre manteve fidelidade política a Bolsonaro e que, ao longo de seu mandato, tem adotado posicionamentos firmes contra as políticas implementadas pelo atual governo federal.

Em Mato Grosso do Sul e no Brasil, Nogueira é considerado uma das principais lideranças da direita, atuando em pautas alinhadas a esse espectro político. O deputado federal também é citado como um dos parlamentares federais mais atuantes do Estado.

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