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CÂMARA

Oposição ao prefeito é minúscula, mas existe

Na atual legislatura, a maioria dos vereadores deve compor a base do prefeito Marcos Trad (PSD), mas pelo menos cinco parlamentares prometem independência
26/02/2021 09:30 - Flávio Veras


O prefeito Marcos Trad (PSD) ampliou sua base de apoio na Câmara Municipal de Campo Grande nas últimas eleições. Seu partido conta com seis parlamentares na Casa, a maior bancada. Além disso, a base aglutina outras siglas importantes, como MDB, PP, Patriota, Podemos, Republicanos, PTB e Solidariedade.

Porém, a oposição ao governo Trad, apesar de ser minúscula e às vezes velada, existe.  

Essa minoria aglutina parlamentares do espectro da esquerda, como Camila Jara (PT), Marcos Tabosa (PDT) e Professor André Fonseca (Rede).  

Além deles, o grupo ainda agrega, de forma menos incisiva, Coronel Villasanti (PSL) e o atual vice-presidente da Câmara, Dr. Loester (MDB).

Os três primeiros citados afirmam ser oposição, mas dizem que exercem esse direito do jogo democrático de forma propositiva. Ao projetar suas posturas, a maioria profere a frase, que muitos consideram um clichê político: “Melhor construir pontes, em vez de muros”.  

ÚNICA MULHER DA CASA

Camila Jara, única mulher da Casa e parlamentar pelo PT, partido que tem uma ideologia diferente da sigla do prefeito, o PSD, afirma que foi eleita para ser oposição ao governo Trad, porém, avalia que essa postura deve ser propositiva.  

“Eu fui eleita para ser opositora. Vou cobrar da prefeitura questões que precisam ser cobradas e que não são desenvolvidas no município atualmente, ou seja, será uma oposição responsável. Se ele apresentar algum projeto que possa trazer benefício para a população, a gente vota com o Executivo. Caso seja um projeto que retira direitos, vamos votar de forma contrária”, concluiu.

Para o vereador Professor André, da Rede, essa separação entre esquerda e direita, ou oposição e situação, é uma dicotomia que só atrapalha o processo democrático brasileiro e, consequentemente, a sociedade. “Eu sempre afirmo que há muita gente lutando para apontar quem é o mais corrupto, o político de esquerda ou o de direita. Eu já penso que corrupto é corrupto, sem distinção ideológica. Pode ser utópico, mas só mudaremos alguma coisa estando dentro da Câmara e praticando a boa política”, disse.

GUERRA OU PAZ

Oposição ferrenha ao governo Trad nos últimos quatro anos, Marcos Tabosa afirmou que sua atuação contra ou a favor ao atual prefeito nos próximos anos dependerá da postura dele. “Se o Marcos [Trad] quiser paz, ele terá, mas se partir para guerra, também a terá”, alertou.

OPOSIÇÃO DA DIREITA

Em um espectro mais à direita, bolsonarista, e ocupando um espaço deixado pelo ex-vereador Vinicius Siqueira (PSL), um dos principais adversários políticos de Marcos Trad, aparece o Coronel Villasanti, que afirmou que é e será a força oposta ao prefeito reeleito da Capital.

“O PSL julgou que deveríamos ser uma alternativa ao atual governo, por isso apoio uma candidatura própria. Pretendo manter essa medida e ser um contraponto ao prefeito e fazer uma legislatura comprometida e séria, com muita tranquilidade e com serenidade também. Penso que devemos ser abertos para o diálogo, mas bastante combativos quando necessário”, resumiu.

INDEPENDENTE

Já o vereador Dr. Loester sempre teve uma postura independente ao longo dos últimos quatro anos do governo Trad. Ele protagonizou algumas discussões com colegas, desde aqueles de oposição ferrenha até os mais próximos do prefeito da Capital. Agora o parlamentar foi eleito vice-presidente da Casa de Leis, tendo como uma de suas prerrogativas uma política mais articuladora e pragmática em relação ao Executivo municipal.  

Em certo ponto da entrevista, o experiente parlamentar deixou escapar que os colegas já o acusaram de ficar “em cima do muro”, por ter essa postura mais pragmática.

“Não devemos tomar nossa postura pelo fato de ‘se vai ou não com a cara do prefeito’. O importante é discutir, melhorar os projetos que entram na Casa e verificar se eles vão ou não beneficiar a população. Ser situação por situação ou oposição ferrenha para antagonizar com o prefeito não é o melhor caminho. O parlamentar deve analisar o que é melhor para a cidade, para melhorar a vida da nossa sociedade”, explicou.

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