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POLÍCIA FEDERAL

Parlamentares apoiam suspensão de Ramagem

Senador Nelson Trad foi o único que se opôs a decisão do Supremo
30/04/2020 10:00 - Yarima Mecchi


Após a repercussão negativa no Congresso e a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que suspendeu a posse de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro editou novo decreto, na tarde de ontem, revogando a nomeação, a qual já havia sido publicada no Diário Oficial da União na terça-feira (28). O novo ato também anula a exoneração de Ramagem do cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Questionados, parlamentares federais de Mato Grosso do Sul divergiram sobre a decisão do STF. Procurados pelo Correio do Estado, dos oito deputados, três responderam à reportagem, dos quais dois são senadores.

O deputado e advogado Fábio Trad (PSD) concordou com a decisão do STF. Ele alegou que as declarações do ex-ministro Sergio Moro quando deixou o governo – sobre o presidente Jair Bolsonaro querer interferir na Polícia Federal (PF) – precisam ser levadas em consideração.  

“Penso que a decisão de Alexandre de Moraes foi acertada, diante das peculiaridades da situação. Não tem nada a ver com as qualidades morais do indicado, mas com as falas de Zambelli, Moro e do presidente Bolsonaro, que giram em torno do nome de Ramagem como alguém que poderia ser adjuvante da intenção do presidente de intervir na autonomia da Polícia Federal. Por isso, agiu com prudência o ministro, exercendo fino e rigoroso controle judicial de atos administrativos sob o prisma dos princípios constitucionais da administração pública, em especial, a moralidade e a impessoalidade”.

Irmão de Fábio, o senador Nelson Trad Filho (PSD) não concordou. Ele acredita que não deve haver interferência entre os poderes. “Não é saudável para o fortalecimento do Estado Democrático de Direito.

O indicado chegou à Abin e teve um excelente desempenho. Oriundo dos quadros da própria PF, onde já exerceu relevantes serviços em diferentes postos. E sempre teve elogios de sua conduta ética e imparcial. Não iria jamais macular sua trajetória de agir diferente das suas gestões anteriores. Agora, a decisão do Supremo se cumpre e ponto-final”.

O deputado Beto Pereira (PSDB) ressaltou que a decisão do Supremo Tribunal Federal foi embasada na Constituição e deve ser respeitada. “A decisão do ministro Alexandre de Moraes foi pautada no que há de mais criterioso na nossa Justiça, que são os princípios constitucionais, que, inclusive, precedem os artigos da Constituição Federal. Então, quando tomou a decisão de impedir a posse de Alexandre Ramagem no comando da Polícia Federal, o ministro levou em conta preceitos que não podem jamais ser violados”.

Oposição ao governo Bolsonaro, o deputado petista Vander Loubet ressaltou que não sabe discutir a competência de Ramagem, mas, sim, sua ligação com a família do presidente. “Essa avaliação é uma prerrogativa do presidente. O que precisa ser discutido é a ligação de Ramagem com a família Bolsonaro e as circunstâncias em que essa nomeação está ocorrendo. Diante das graves acusações que foram feitas pelo ex-ministro Moro, a nomeação de um amigo íntimo da família Bolsonaro indica uma tentativa do presidente de ter alguém com quem possa ter acesso às investigações sigilosas sobre seus filhos, o que justamente confirma parte das acusações do Moro. É lamentável. O governo Bolsonaro segue como uma fábrica de confusões e tensões e isso só tem a causar prejuízo para o Brasil”.

A senadora Simone Tebet (MDB) diz que, com as mudanças, a “bola volta ao jogo” e o Brasil precisa andar. “O juiz Celso de Mello [ministro] apita. Está autorizada a partida [investigação]. Técnico Bolsonaro escala jogador Ramagem. Mal entra em campo, bandeira Alexandre de Morais aponta impedimento. Pelo VAR, 11 decidirão se houve violação do regulamento (CF).

Depois, bola no chão...

O Brasil da pandemia e do desemprego tem pressa. Já está na UTI”, disse.

STF

A decisão de Alexandre de Moraes foi liminar, ou seja, de caráter provisório, e terá de ser analisada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. O ministro atendeu a uma ação judicial movida pelo PDT. Ramagem foi escolhido por Bolsonaro para chefiar a PF em substituição ao delegado Maurício Valeixo.

 

Felpuda


Candidato a prefeito de cidade do interior foi buscar “inspiração” para elaborar seu programa de governo.

Assim, não se fez de rogado em beber da fonte de prefeito que tenta a reeleição em município da Bahia.

O dito-cujo cá dessas bandas copiou as propostas e vinha as apresentando como sendo de sua autoria.

A população já descobriu o plágio e ainda aguarda uma explicação.

Se não houver, as urnas certamente a darão.