Política

LAVA JATO

Polícia capta conversa de Lula com diretor da Odebrecht

Ambos combinam posicionamento sobre viagens à África que empreiteira pagou

FOLHAPRESS

15/08/2015 - 13h51
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Pela primeira vez nas investigações da Operação Lava Jato, a Polícia Federal captou uma conversa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com um investigado que logo depois foi preso.

No diálogo, com um diretor da Odebrecht chamado Alexandrino Alencar, o executivo avisa o ex-presidente que irá combinar um posicionamento conjunto com o Instituto Lula sobre as viagens à África que a empreiteira bancou. Alexandrino fez seis viagens com Lula à África, entre 2011 e o início de 2015.

Na época do diálogo, Lula e a Odebrecht estavam sendo questionados sobre os motivos que levaram a empreiteira abancar as viagens do ex-presidente depois de ter recebido recursos do BNDES.

A conversa ocorreu em 15 de junho deste ano, quatro dias antes de Alexandrino ser preso pela PF, sob suspeita de pagar propina a políticos e funcionários de estatais.

"Eu conversei hoje com o Paulo, pra gente acertar o posicionamento nosso junto com o de vocês, tá? Combinado?", diz Alexandrino, referindo-se provavelmente a Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula. "Tá bom, tá bom. Um abraço, meu irmão. Tchau", responde Lula.

Lula não é investigado pela Lava Jato. Ao ser questionado se o ex-presidente poderia ser alvo da apuração, o procurador Carlos Fernando de Lima disse que "ninguém está isento de ser investigado".

Na conversa telefônica, de 3 minutos e 42 segundos, Lula e Alexandrino conversam sobre um seminário realizado pelo jornal "Valor Econômico" no qual Marcelo Odebrecht defendeu os empréstimos do BNDES.

Lula liga a Alexandrino para saber como foi o evento. "Muito bom, muito bom", diz Alexandrino. "O Marcelo andou distribuindo umas verdades lá."

Marcelo Odebrecht, que também foi preso em junho, criticou o que chamou de "desinformação" e "politização" sobre os empréstimos do BNDES para empresas brasileiras que atuam fora do país.

Alexandrino conta a Lula que até um "tucano de primeira plumagem", o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, defendeu as viagens ("isso não é matéria para politizar, nós temos que estar preocupados com o Brasil").

Lula diz que falou com o economista Delfim Netto sobre a mesma questão: "Ele vai publicar um artigo no 'Valor' dando o cacete", conta.

No artigo "Exportação de serviços e o 'complexo de vira-lata'", publicado um dia após a conversa, Delfim diz que "a maior miopia é não enxergar que 'exportar é o que importa'" e que demonizar os empréstimos do BNDES é "a maior afirmação do famoso 'complexo de vira-lata'".

Em nota, a Odebrecht disse que "lamenta que as informações sejam colocadas fora de contexto, traçando conclusões equivocadas que confundem a opinião pública".

O Instituto Lula não se pronunciou a respeito.

ELEIÇÕES 2026

Valdemar recebe Azambuja e Riedel em março para alinhar campanha eleitoral

O presidente nacional do PL esteve em Campo Grande na terça-feira e definiu a data do encontro de alinhamento político em MS

12/02/2026 08h20

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-governador Reinaldo Azambuja

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-governador Reinaldo Azambuja Reprodução

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O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, receberá, no início de março, em Brasília (DF), o presidente do partido em Mato Grosso do Sul, o ex-governador Reinaldo Azambuja, e o governador Eduardo Riedel (PP), para alinhar a campanha eleitoral no Estado.

A reunião foi confirmada ontem ao Correio do Estado por Azambuja, informando que a data foi marcada na terça-feira pelo próprio Valdemar durante visita à sede do PL sul-mato-grossense em Campo Grande.

Conforme o ex-governador, na pauta do encontro do próximo mês está a estratégia para a campanha eleitoral do pré-candidato a presidente da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), em Mato Grosso do Sul, bem como para a campanha à reeleição do governador Riedel.

“Nosso compromisso é engrandecer o PL e derrotar a esquerda nas próximas eleições”, declarou Azambuja, informando que talvez entre na pauta do encontro a questão de os deputados Marcos Pollon (federal) e João Henrique Catan (estadual) terem anunciado as respectivas pré-candidaturas a governador e a senador pelo partido.

Na semana passada, após reunião, em Brasília (DF), com Valdemar Costa Neto e com o secretário-geral nacional do PL, senador Rogério Marinho (RN), o ex-governador Reinaldo Azambuja informou que a executiva nacional da legenda iria conversar com Pollon e Catan para que entendam o projeto eleitoral para Mato Grosso do Sul.

A princípio, está mantida a aliança para a reeleição do governador Riedel e a montagem de chapas mais competitivas possíveis para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa.

Ele reforçou que o encontro foi a oportunidade para que a executiva estadual esteja em sintonia com a nacional de olho na disputa eleitoral deste ano.

“Precisamos estar em sintonia, pois a nossa intenção é a montagem de chapas competitivas, tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa. O nosso foco é fazer três federais e, pelo menos, seis estaduais”, informou.

Sobre a disputa ao Senado, o ex-governador destacou que o PL vai continuar seguindo o que já tinha sido combinado.

“Isto é, uma das pré-candidaturas é minha e o outro nome será definido com base em quem aparecer melhor nas pesquisas de intenções de votos. Isso não mudou”, avisou.

A respeito dos dissidentes João Henrique Catan e Marcos Pollon, o presidente estadual do PL reforçou não entender o posicionamento de ambos.

“O nosso adversário é o PT e precisamos fazer um palanque unificado da direita e do centro para o senador Flávio Bolsonaro enfrentar o concorrente em comum, que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, argumentou.

Procurado pelo Correio do Estado, Pollon disse, por meio de sua assessoria, que ainda não foi convidado para participar da reunião com o presidente nacional do PL, porém, reforçou que, por enquanto, ainda mantém a pré-candidatura a governador de Mato Grosso do Sul pela legenda.

*Saiba

Valdemar quer Tereza como vice de Flávio

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu, ontem, a escolha de uma mulher como vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Ele apontou o nome da senadora Tereza Cristina (PP) como ideal para compor a chapa de Flávio Bolsonaro.

Para ele, Tereza seria um bom nome até mesmo para concorrer ao Palácio do Planalto. Já Tereza Cristina disse que é muito cedo para falar sobre uma possível candidatura à vice-presidente em uma chapa da direita.

“Eu acho muito cedo para essa conversa. O vice é a última coisa. Ninguém se candidata a vice. O candidato é presidente da República. Isso é uma conjuntura que os partidos que se coligarem vão sentar e colocar nomes, e aí nós vamos decidir”, afirmou a senadora, dizendo estar lisonjeada com a lembrança de Valdemar Costa Neto.

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Política

Ministra indicada por Lula será relatora de ação no TSE contra desfile da Acadêmicos de Niterói

Indicada por Lula em 2025, Estela recebeu o caso nesta terça-feira

11/02/2026 21h00

Indicada por Lula em 2025, Estela recebeu o caso nesta terça-feira

Indicada por Lula em 2025, Estela recebeu o caso nesta terça-feira Foto: Divulgação

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A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha foi sorteada relatora do julgamento da ação apresentada pelo Partido Novo que tenta barrar o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na representação, a legenda acusa Lula, o PT e a escola de samba de propaganda eleitoral antecipada.

Indicada por Lula em 2025, Estela recebeu o caso nesta terça-feira, 10. Não há data prevista para o julgamento. Como mostrou o Estadão, ao indicá-la, o presidente esperava fortalecer a Corte para lidar com desinformação e eventuais conflitos com plataformas digitais nas eleições de 2026.

Na ação, o Novo sustenta que o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e assume caráter de campanha ao fazer referências à polarização de 2022, utilizar jingles históricos do PT e aludir ao número de urna do partido, além de empregar expressões que, segundo a legenda, configurariam pedido de voto

O partido também questiona o aporte financeiro de R$ 1 milhão realizado pela Embratur, com interveniência do Ministério da Cultura, à escola. Um termo de colaboração firmado entre a empresa pública de fomento ao turismo e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) prevê investimento total de R$ 12 milhões (R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial), destinado oficialmente à promoção internacional do carnaval do Rio como produto turístico.

Procurados, o Ministério da Cultura, a Embratur e a Liesa não se manifestaram. A Acadêmicos de Niterói também foi procurada para comentar a ação e o projeto de lei. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos.

O Novo ainda destaca que o presidente de honra da escola, Anderson Pipico, é vereador do PT em Niterói, o que, para a sigla, fragilizaria qualquer alegação de neutralidade artística. Pipico afirmou à reportagem que nunca ocupou cargo de direção na Acadêmicos de Niterói.

Estela Aranha, que julgará a representação do Novo, é uma dos dois advogados da classe dos juristas, todos nomeados pelo presidente da República a partir de listas tríplices elaboradas pelo STF. O TSE é composto por sete ministros titulares, com mandatos de dois anos, renováveis por mais dois: três oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF), dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois da classe dos juristas.

Lula confirmou a aliados que irá ao Rio para assistir ao desfile no próximo domingo, 15. O enredo "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil" homenageia a trajetória do petista. O prefeito Eduardo Paes ofereceu dois camarotes da prefeitura do Rio para Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e convidados na Marquês de Sapucaí.

Outra ação sobre o caso já foi rejeitada. Nesta quarta, a 21ª Vara Federal Cível do Distrito Federal extinguiu, sem analisar o mérito, a ação popular que tentava impedir a Acadêmicos de Niterói de homenagear o presidente no desfile de carnaval deste ano.

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