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CRISE

Políticos esperam alinhamento do governo no combate à Covid-19

Pedido de demissão do ministro da Saúde gerou nova crise no Planalto e instabilidade entre poderes
16/05/2020 10:30 - Yarima Mecchi


 

O pedido de demissão do então ministro da Saúde, Nelson Teich, na manhã de sexta-feira (15) causou instabilidade no governo federal e instabilidade no combate ao novo coronavírus (Covid-19), avaliam políticos entrevistados pelo Correio do Estado. Ainda sem um nome definido para assumir a pasta, o esperado é que o sucessor continue seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da ciência.  

Teich, que ficou 29 dias no cargo, foi nomeado no dia 16 de abril, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) demitir Luiz Henrique Mandetta (DEM) por divergências no combate à doença e no uso do medicamento cloroquina, defendido pelo presidente. Conforme divulgado pela imprensa nacional, o uso da substância em grande escala também foi o motivo de Teich ter saído da pasta.  

Conforme o Estadão, o anúncio de Bolsonaro em uma live, na quinta-feira (14), de que haveria mudança no protocolo do governo em relação à cloroquina foi o motivo para Teich pedir demissão. “Os dois conversaram na quinta-feira e não houve acordo sobre o tema. Mais tarde, na live, Bolsonaro insistiu no tema, o que desagradou muito ao ministro. O médico oncologista confidenciou a amigos que naquele momento já havia chegado ao seu limite e que tinha um nome a zelar”.

O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), disse que a situação causa preocupação, mas que continuará seguindo as recomendações da pasta. “Recebemos com preocupação [a demissão], mas torcendo para que o novo titular obedeça à ciência. A gente estava atendendo todas as recomendações do ex-ministro e vamos atender todas as recomendações do interino ou não”, disse, ressaltando que, enquanto um novo nome não é escolhido para comandar a Saúde, o chefe interino da pasta é o general Eduardo Pazuello.  

“A razão da nossa preocupação é ter dois ex-ministros extremamente técnicos, experientes, responsáveis e que optaram por ficar do lado da ciência, ainda que contrariasse o seu patrão”, complementou Trad.

Nas redes sociais, políticos sul-mato-grossenses se manifestaram sobre a demissão e mais uma crise em Brasília. O deputado federal Fábio Trad (PSD) disse que o mais grave é a possibilidade de um militar assumir a pasta e ainda mandou um recado para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS). “Mais grave do que a demissão de Teich será a nomeação de outro militar em seu lugar. São centenas ocupando postos reservados a civis. Será que somente militares são competentes? O que está por trás disso? Ministra Tereza Cristina, abra o olho você também”.

Também da bancada estadual na Câmara dos Deputados, Dagoberto Nogueira (PDT) disse no Twitter que o foco do governo federal deveria ser o novo coronavírus. “E lá se vai mais um ministro da Saúde na derrocada do governo Bolsonaro. Sinceramente, do jeito que vai, esse governo não chega até o fim de jeito nenhum. O foco deveria ser a #COVID19! #BrasilpedeSocorro”.  

Procurado pelo Correio do Estado, o senador Nelson Trad Filho (PSD) avaliou que mais um crise nasce no governo federal. “Creio que, infelizmente, brota-se mais uma crise em cima do governo. Torceremos, e eu farei o que puder na qualidade de senador para ajudar o Brasil a superar tudo isso”. Sobre a escolha do próximo ministro, Trad avaliou que é  “prerrogativa total e exclusiva do presidente”.  

O deputado federal Beto Pereira (PSDB) também disse estar preocupado com a situação e ainda ressaltou que a crise piora a situação econômica do País. “Preocupante demissão do segundo ministro da Saúde em um mês. Essa descontinuidade fragiliza qualquer planejamento de combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil. Sem uma política estruturada e planejada em saúde, a economia do País também vai demorar para se recuperar”.

De acordo com a assessoria de imprensa do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), ele não deve se manifestar sobre o assunto.  

Em nota o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou  que, em vez de buscar soluções, Bolsonaro desmoraliza agentes públicos.  

“Absurda mais uma troca no Ministério da Saúde. O Brasil segue sem um plano coordenado para combater a pandemia. O presidente Bolsonaro é, hoje, o grande aliado do coronavírus. [...] Em vez de buscar soluções, o presidente tem preferido desmoralizar agentes públicos e confrontar governadores e prefeitos que realmente fazem o trabalho de combate à doença. Enquanto milhares morrem, perdemos tempos em políticas de tentativas e erro”.

O secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, espera um alinhamento entre os poderes. “Tem que ser nomeado alguém que continue seguindo a linha da ciência, precisamos ter linhas definidas para que todos nós, ministério, secretários de Estado e de municípios, possamos travar essa luta contra o inimigo, que é o coronavírus”. 

Após deixar o Ministério da Saúde, Nelson Teich se tornou o ministro que ficou no comando da pasta por menos tempo desde a redemocratização. Ele ficou no cargo por apenas 29 dias. 

 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.