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CAMPO GRANDE

Prefeito começa a gostar da ideia de auxílio municipal

Visto com ressalvas após ser proposto por vereadora petista, auxílio tem ganhado apoio da base
06/04/2021 08:06 - Flávio Veras


O prefeito Marcos Trad (PSD) parece ter gostado da ideia de criar um auxílio emergencial no Município de Campo Grande. 

Inicialmente restrito à vereadora Camila Jara (PT) e com algumas resistências entre os governistas, agora o projeto é visto com outros olhos pelos apoiadores do prefeito. 

O consenso na base de Marcos Trad é de que a rejeição a qualquer ajuda pública neste momento, em que a cidade sai de medidas restritivas que duraram duas semanas, poderia prejudicar a popularidade do chefe do Executivo.  

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O projeto proposto por Camila Jara poderá entrar em discussão já nesta terça-feira (6) na Câmara Municipal. 

O impacto aos cofres municipais somaria R$ 28 milhões, e a bolsa, que seria destinada a 32 mil famílias de Campo Grande, seria de R$ 300. 

O valor, segundo a assessora da vereadora, já está disponível no orçamento do município para este ano, na rubrica “assistência social”.  

O critério para participação seria ter cadastro ativo no CadÚnico, do governo federal, o mesmo, diga-se de passagem, utilizado pelo governo do Estado ao criar o programa Mais Social, sancionado pelo governador Reinaldo Azambuja ontem.  

O auxílio do município se somaria a outros dois auxílios: o do governo federal (com valores de R$ 150, R$ 250 e R$ 375) e o Mais Social, do governo do Estado, que tem caráter permanente, além de um crédito de R$ 200 para gastar com higiene e alimentação.  

POPULARIDADE

O prefeito da Capital passou a ver a proposta de Jara com bons olhos, segundo apurou o Correio do Estado com a base de Trad na Câmara. Existe também um dividendo político que pode ser angariado por Trad, com a provação de uma medida como esta.  

Por exemplo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conseguiu elevar sua popularidade na Região Nordeste, que historicamente é um reduto eleitoral do lulopetismo. Para muitos analistas, esse fenômeno ocorreu em virtude do incremento econômico alcançado pelo auxílio federal.  

De acordo com o chefe do Executivo, há um levantamento sendo realizado por técnicos da prefeitura com o objetivo de avaliar se realmente o impacto financeiro do auxílio aos cofres seria o previsto no primeiro texto da lei. 

Além disso, Trad enfatizou que a medida só seria viabilizada caso não gerasse conflito com uma das prioridades da gestão atual, que é o pagamento dos funcionários públicos, além do combate à pandemia.  

“Outra coisa que a gente tem que ver é iniciativa de competência legislativa, mas isso é o de menos. Tendo o dinheiro e não prejudicando o pagamento do funcionário público, independentemente de a iniciativa ser do Legislativo ou do Executivo, a gente vê com bons olhos”, ressaltou.

EM CONSONÂNCIA

Líder do prefeito na Câmara, Beto Avelar tem uma visão semelhante à de Trad sobre o tema. 

“Eu vejo com simpatia o projeto. Já discuti a proposta com o prefeito e ele tem atenção especial para este assunto. Com responsabilidade, a prefeitura iniciou um estudo que está em desenvolvimento para verificar a viabilidade financeira. Tudo agora depende desse estudo para que seja possível implantar a renda emergencial em Campo Grande, sem que haja danos aos cofres públicos e ao orçamento municipal. Todos os vereadores certamente são favoráveis à proposta, desde que esteja dentro do orçamento”, revelou.

AUTORA

Autora do projeto, Camila Jara tem se reunido com lideranças que sempre foram favoráveis a algum tipo de auxílio à população de baixa renda, entre elas, o vereador de São Paulo e ex-deputado federal Eduardo Suplicy (PT). 

Quando esteve no Congresso Nacional, em 2004, o parlamentar propôs o projeto nacional Renda Básica Cidadã, que previa uma ajuda financeira universal aos brasileiros mais pobres.  

Além dele, Jara tem conversado com titulares de outros municípios que também viabilizaram projetos parecidos para combater os impactos financeiros da pandemia às famílias de baixa renda, entre eles, dois representantes do município de Nova Lima (MG), que aprovaram em dezembro do ano passado um projeto parecido com o que a petista pretende colocar em prática na Capital. 

No município, localizado no interior de Minas Gerais, a legislação pretende atender 3,1 mil famílias, totalizando um investimento de R$ 2 milhões.

“Renda Básica tem a ver com dignidade, porque ela garante o mínimo para a sobrevivência, principalmente neste momento de pandemia, que sabemos que nem todos conseguem tirar seu sustento. Temos visto exemplos no Brasil, e Nova Lima é um deles, de que quando o Poder Executivo investe na população nos momentos de crise a economia sente menos o impacto e, de uma forma geral, a cidade consegue segurar a inflação e ainda garante que todos tenham o mínimo para sobreviver a esse período”, explicou.

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