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GOVERNO FEDERAL

Prisão de Queiroz cria nova crise, avaliam parlamentares

Ex-assessor do filho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, estava na casa do advogado da família
19/06/2020 11:45 - Yarima Mecchi


A prisão do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, na casa de propriedade do advogado Frederick Wassef leva a crise para dentro do gabinete de Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.  

Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, tinha como assessor Fabrício Queiroz quando ainda era deputado estadual do Rio de Janeiro. Conforme o Estadão Conteúdo, o dono da casa onde estava Queiroz, Frederick Wassef, é advogado de Flávio no caso que o assessor é investigado, o que levanta a suspeita sobre uma possível troca de informações entre investigados, o que poderia representar tentativa de obstrução de Justiça. Em entrevistas, o senador já afirmou não saber o paradeiro do ex-assessor e chegou a alertar que não mantinha mais contato com Queiroz justamente para que não fosse interpretado como crime.

Frederick Wassef afirmou, em ao menos duas ocasiões no ano passado, desconhecer o paradeiro do ex-assessor Fabrício Queiroz. “Não sei. Não sou advogado dele”, afirmou ele em entrevista à GloboNews, em setembro do ano passado.  Antes disso, em junho, disse à revista Veja que nem sequer o conhecia. Segundo o delegado da Polícia Civil Osvaldo Nico Gonçalves, o ex-funcionário do gabinete do senador Flávio Bolsonaro morava numa casa do advogado em Atibaia, no interior de São Paulo, havia um ano.

Analises políticas consideram que as circunstâncias da prisão "liga politicamente à Presidência da República a negócios privados de um filho do presidente em investigação por organização criminosa, peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro".  

Procurado pelo Correio do Estado, o senador Nelson Trad Filho (PSD) não quis se manifestar sobre o assunto, mas disse que politicamente é mais uma crise no governo de Jair Bolsonaro.  "Eu acho que isso é uma evidência de mais uma crise que deve ser enfrentada pelo governo".  

O deputado de oposição ao governo, Dagoberto Nogueira (PDT), acredita que o presidente deve deixar o cargo. "Ele estava sendo bem cuidado na casa do advogado do Bolsonaro. Eu acho que esse governo já acabou, apesar que eu acho que nunca existiu, fica desmoralizado. Ele falou em combate a corrupção, mas a situação dele é muito mais delicada do que outros presidentes. Eu fico muito triste com isso, eu avisei, mas as pessoas estavam de boa fé. Eu acho até que o Bolsonaro, se tiver algum brio, tem que pedir a saída do governo".  

O deputado federal Fábio Trad (PSD) afirmou que ainda não é possível dimenssionar os efeitos da prisão, mas espera uma posição do presidente. "É imprevisível a onda que sobrevirá no oceano da política brasileira. Espera-se do presidente que não assuma esta questão da prisão de Queiroz como se fosse pauta do país, uma vez que ela é circunscrita a uma relação que não diz respeito aos interesses do povo brasileiro. A personalidade de Bolsonaro nos leva a crer que reagirá com exacerbado tom emocional, vitimizando-se. Ocorre que esta nova crise tem uma particularidade. É que ela é uma franja de outra maior: a crise decorrente da pandemia que, por sua vez, está entrelaçada a crise econômica". 

SENADOR

Em seu perfil oficial no Twitter, o senador Flávio Bolsonaro disse estar tranquilo com a prisão do ex-assessor. "Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim.Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!".

 
 

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.