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VOTOS

PSL-MS se cala sobre pedido Impeachment contra Jair Bolsonaro

Executiva Nacional do PSL pedi Impeachment do presidente Jair Bolsonaro e PSL-MS se cala
22/04/2020 08:00 - Yarima Mecchi


O diretório estadual do PSL em Mato Grosso do Sul se calou sobre a nota que a executiva estadual do partido divulgou. 

O texto repudia a presença do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL e atual sem partido) nas manifestações de domingo, em que parte dos integrantes pedia a volta da ditadura militar, o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).  

Conforme nota publicada na página oficial do partido no Facebook, Jair Bolsonaro assinou um documento quando era integrante do PSL se comprometendo a defender a democracia; por não cumprir o acordado, não faz mais parte da agremiação. 

“O PSL repudia atos antidemocráticos, motivo pelo qual o presidente Bolsonaro não faz mais parte do PSL. Neste documento, assinado por ele, promete ‘preservar as instituições e proteger o Estado de Direito’. Quem defende o AI-5 e o fechamento do Congresso não comunga dos nossos valores”.

Na publicação do partido consta uma foto do suposto documento, assinado pelo então deputado federal Jair Bolsonaro, com data de 4 de janeiro de 2018.

No ato, o PSL comunica a imprensa e toda a sociedade que Bolsonaro era pré-candidato do partido à disputa pela Presidência do Brasil.

“Tanto para o presidente Luciano Bivar quanto para o deputado Jair Messias Bolsonaro, são prioridades para o futuro do País o pensamento econômico liberal, sem qualquer viés ideológico, assim como o soberano direto à propriedade privada e à valorização das forças armadas e de segurança. Ambos comungam também da necessidade de preservar as instituições, proteger o Estado de Direito em sua plenitude e defender os valores e princípios éticos e morais da família brasileira”, diz um trecho do texto.  

PROCURADOS

Pelo Correio do Estado, a presidente do PSL-MS e senadora, Soraya Thronicke, e o vice-presidente, Danny Fabrício Cabral Gomes, não responderam até o fechamento desta reportagem.  

SORAYA THRONICKE:

Durante a pré-campanha e campanha de 2018, Soraya ficou conhecida como a “senadora do Bolsonaro” e foi eleita com 16,19% dos votos, sendo a preferida de 373.712 eleitores. 

Após a eleição, a parlamentar foi empossada como presidente do PSL em Mato Grosso do Sul por conta da proximidade com o presidente nacional, Luciano Bivar.  

CRISE:

No ano passado, o PSL passou por grande crise, sendo dividido entre bivaristas e bolsonaristas, e Soraya não declarou seu apoio ao presidente. Ao contrário do filho do presidente e também senador Flávio Bolsonaro, que deixou o partido, a parlamentar permaneceu na sigla justificando que continuaria votando a favor do presidente e manteria a representatividades da sigla nas comissões do Senado Federal.  

CAPITÃO CONTAR:

O deputado estadual Capitão Contar também foi procurado pelo Correio do Estado para se manifestar sobre a nota do partido, mas a reportagem não obteve retorno. Contar se posicionou sobre as manifestações de domingo, defendeu o presidente e atacou a imprensa. 

“Quando algumas pessoas vão às manifestações e levam faixas com dizeres que remontam à ‘ditadura’, ‘AI-5’ ou ‘intervenção militar’ entendo que desejam levar a mensagem do ‘basta’, do ‘tudo ou nada’, da revolta profunda sobre a política atual ou a forma como agem os Poderes. 

E acredito que isso não representa o motivo principal dos movimentos, mas parece que a imprensa parcial gosta de se apoiar nesses dizeres, como forma de desconstruir a credibilidade e trazer aos dias atuais temas já enterrados de nossa história. Em nenhum momento Bolsonaro defendeu essas ideias ou incitou o fechamento de Poderes. 

O que ele defende, e eu também, é que os poderes funcionem de modo a atender a vontade e os interesses do povo brasileiro. Nós defendemos a democracia, ou seja, o poder a serviço da população. E que os seus representantes possam fazer esse trabalho sem chantagem, corrupção ou demagogia”.

Contar é apontado por Soraya como pré-candidato a prefeito de Campo Grande. Ao contrário da eleição de 2018, o deputado não deve ter apoio de Bolsonaro. 

O presidente já afirmou que não vai apoiar candidatos do PSL.

PEDIDO IMPEACHMENT:

Líder do PSL na Câmara, Joice Hasselman, protocolou pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (24), com base em crime de responsabilidade. 

O PSL é o partido pelo qual Bolsonaro foi eleito.

Joice afirmou que conversou com juristas que participaram do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT) para formular o pedido, que segundo ela, foi motivado pela denúncia de interferência direta na Polícia Federal, que investiga crimes de filhos de Bolsonaro.  

A acusação foi feita pelo ministr Sérgio Moro, durante anúncio de sua demissão, após a exoneração   do diretor-presidente da Polícia Federal, Maurício Valeixo. 

O ex-ministro afirmou que a troca ocorreu porque Bolsonaro queria obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.  

Segundo a líder do ex-partido do presidente, o pedido de impeachment foi informado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que se absteve de fazer comentários. 

"Até pelo bom andamento do trabalho legislativo, não cabe a mim fazer pressão ao presidente da Câmara", disse.  

Joice já havia criticado Bolsonaro na quinta-feira (23), quando se ventilou a possibilidade de demissão do ex-ministro. 

Nesta sexta-feira (24), ela elogiou a postura de Moro e o defendeu da acusação feita pelo presidente, de que Moro teria condicionado a demissão de Valeiro a uma indicação no Supremo Tribunal Federal (STF).   "Não é verdade que ele estava negociando uma vaga no Supremo", disse.

 
 

Felpuda


Entre sussurros, nos bastidores políticos mais fechados, os comentários são que história apregoada por aí teria sido construída para encobrir o que realmente foi engendrado em conversa que resultou em negociata. 

O script foi na base do “você finge que é assim, e nós fingimos que acreditamos”. 

Batido o martelo, a encenação prosseguiu e, conforme o combinado, deverão ser apresentados novos episódios.

Ah, o poder!