Política

FIM DE ANO

Renan sinaliza que Congresso pode ter recesso suspenso

Governo defende estratégia, que acelera votação do impechment de Dilma

FOLHAPRESS

08/12/2015 - 19h23
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O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou nesta terça-feira (8) que o Congresso poderá ter seu recesso parlamentar de final de ano suspenso. A estratégia é defendida pelo governo para que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff seja analisado o mais rapidamente possível por considerar que, neste momento, tem votos para garantir a permanência da petista no cargo.

"Cruzar os braços nesse momento significa fragilizar a representação política e agravar as crises que estão postas. Não podemos fazer isso", afirmou Renan ao chegar no Senado no fim desta tarde. A opinião do peemedebista era alvo de especulações desde que o governo indicou querer acelerar o processo do impeachment.

Renan não explicitou, no entanto, se deixará de convocar uma nova sessão conjunta do Congresso para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias até o final do ano. De acordo com algumas interpretações das regras regimentais, o Congresso só poderia entrar em recesso após a aprovação da LDO e, diante desse entendimento, o governo defende que os trabalhos sejam estendidos, tendo uma pausa apenas nas semanas do Natal e do Ano Novo.

Além deste caso, o Congresso pode cancelar o recesso caso seja convocado por um ato conjunto dos presidentes da Câmara e do Senado, a requerimento da maioria dos congressistas ou da própria Dilma. Porém, em todos esses casos, é preciso aprovação por maioria absoluta pelos plenários da Câmara e do Senado -pelo menos 257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores.

"Mas essa é uma decisão que caberá a todos, principalmente à sociedade. Ela precisa ser ouvida sobre se quer o congresso funcionando, votando o que tem que ser votado e concluindo esse processo que já começou ou se quer que o congresso nesse momento cruze os braços. Essa é uma decisão que temos que dividir com todo mundo, principalmente com a sociedade", disse Renan.

O governo defende que o Congresso não interrompa suas atividades para analisar o mais rápido possível o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Já a oposição avalia que é melhor esperar passar as férias de janeiro e o Carnaval em fevereiro para conseguir uma maior mobilização pelo fim do mandato da petista.

O senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, afirmou nesta tarde que propôs a Renan uma alternativa intermediária de se antecipar o início do próximo ano legislativo, que começaria no meio de janeiro ao invés de começar em 2 de fevereiro, como prevê a Constituição.

"Assim, não deixaríamos o país em suspenso mas ao mesmo tempo permitiríamos que houvesse uma mínima organização da sociedade, daqueles movimentos que querem acompanhar esse processo", disse.

De acordo com o tucano, se Renan concordar com sua proposta, ele irá convencer os demais líderes da oposição para fechar o acordo. "Se houver entendimento de que esse é um bom caminho, eu me dispus a conversar com os oposição para que possamos, não pelo caminho da não votação da LDO, que nos parece inconstitucional, proposto por algumas lideranças da base", disse.

Para ele, se o governo insistir na interpretação de que a não votação da LDO também suspende o recesso do final do ano -o texto constitucional define que a suspensão do recesso acontece no meio do ano mas há interpretações de que ela pode suspender o do fim do ano também- a questão acabará parando no STF (Supremo Tribunal Federal). "Essa é uma casa política, que deve definir as coisas pelo diálogo. A proposta é de um equilíbrio", disse.

CASO CLAUDINHO SERRA

Delator cita em "esquema" empresa que faz assessoria técnica para 25 prefeituras

O Instituto Multidisciplinar de Consultoria (Imdico) oferece assessoria técnica especializada no segmento administrativo

19/06/2024 08h00

Tiago Basso, ex-servidor da prefeitura de Sidrolândia, durante depoimento ao Gecoc e Gaeco

Tiago Basso, ex-servidor da prefeitura de Sidrolândia, durante depoimento ao Gecoc e Gaeco Foto: Reprodução

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O ex-servidor municipal de Sidrolândia, Tiago Basso da Silva, citou, na delação premiada aos promotores de Justiça do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) sobre a suposta estrutura criminosa que seria comandada pelo vereador licenciado Claudinho Serra (PSDB) na prefeitura do município, o envolvimento do Instituto Multidisciplinar de Consultoria (Imdico) no esquema fraudulento.

Fundada por ex-funcionários da CN&A Consultoria, onde assessoraram diversas prefeituras e câmaras municipais em Mato Grosso do Sul, a Imdico oferece assessoria técnica especializada na área administrativa para prefeituras e órgãos governamentais. 

No site da empresa, há a informação de que mais de 25 municípios são atendidos, incluindo importantes cidades como Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã. Além disso, o Imdico reforça no seu portal na Internet que sua equipe é multidisciplinar, composta por profissionais de diversas áreas, como Administração, Contabilidade, Economia e Direito. 

De acordo com a empresa, essa abordagem integrada permite oferecer soluções personalizadas que atendem às necessidades específicas de cada município, sempre com foco na qualidade da gestão, na otimização dos recursos e no bom desempenho da máquina pública, permitindo aos gestores fazer solicitações e acessar relatórios atualizados a qualquer momento, conferindo maior transparência e agilidade à gestão governamental.

No entanto, em um dos depoimentos prestados aos promotores de Justiça Adriano Lobo Viana de Resende e Bianka Machado Arruda Mendes, Tiago Basso colocou em xeque a idoneidade do Imdico, sugerindo que a empresa de assessoria técnica especializada na área administrativa estaria envolvida no esquema de notas frias que seria coordenado pelo vereador licenciado Claudinho Serra, que na época era o titular da Secretaria Municipal de Finanças, Tributação e Gestão Estratégica de Sidrolândia (Sefate).

A empresa aparece na delação quando o promotor de Justiça Adriano Lobo Viana de Resende questiona Tiago Basso quem seria a pessoa chamada apenas de “Rafael” – não confundir com Rafael Soares Rodrigues, que estava à frente da Secretaria Municipal de Educação de Sidrolândia e foi exonerado após ser preso por envolvimento no esquema – e que foi citada em alguns momentos do depoimento.

“Esse Rafael é sobrinho da prefeita {Vanda Camilo, do PP}. Ele sempre estava lá, junto com nós (sic), lá na Secretaria {Sefate}, sempre estava na minha sala. Até o pessoal brincava que a minha sala já era bem pequeninha e que não cabia ninguém lá, mas entravam o Carlos {ex-secretário municipal de Saúde, Luiz Carlos Alves da Silva, o Pitó} e o Rafael lá e ficava sentado o dia inteiro”, explicou Tiago Basso ao promotor de Justiça, entretanto, o Correio do Estado apurou que Vanda Camilo não tem nenhum sobrinho com o nome de Rafael.

Em prosseguimento ao depoimento, o delator disse que estranhou o Rafael, pois, na primeira vez em que ambos se encontraram na sua sala na Sefate ele já trouxe uma nota fiscal da Imdico.

“A primeira vez ele me trouxe uma nota da empresa chamada Imdico, Imdico com ‘M’, né? Imdico com ‘M’. E ele deixou lá comigo”, revelou.

Neste momento, o promotor de Justiça interrompe Tiago Basso dizendo que, em relação a esse caso, o assunto seria tratado em outro anexo, pois não faria parte da investigação principal.

“Vamos tratar por anexo, se for diferente de uma outra situação, vamos se limitar aqui. Esse Rafael não tinha a ver com o que está descrito na denúncia?”, questionou Adriano Lobo Viana de Resende.

Em resposta, o delator fala que não.

“Não, o Rafael não tem a ver com essa parte da denúncia. Ele é um sobrinho da prefeita que vivia lá”, recordou, reforçando outra vez que o rapaz seria sobrinho da prefeita, sem saber que ela não tem nenhum sobrinho com esse nome.

Mais uma vez o promotor de Justiça explica que essa questão será tratada em um outro anexo, o qual o Correio do Estado não teve acesso.

“Tem outro anexo que vai ser específico sobre outros assuntos. Da denúncia que o senhor lembra, tem mais alguma coisa?”, perguntou novamente, recebendo como resposta uma negativa do delator. “Não, o que eu lembro é isso daí”, finalizou Tiago Basso.

A EMPRESA

O Correio do Estado fez uma consulta rápida sobre o Imdico e apurou que a empresa tem como CNPJ o nº 13.814.929/0001-04, sendo fundada no dia 26 de maio de 2011 e com capital inicial de R$ 400 mil. 

A empresária Ana Lucia Piroli aparece como sócia-administradora e o endereço comercial é no Edifício Evolution Center, localizado na Avenida Afonso Pena, 5.723, sala 1.002, Bairro Chácara Cachoeira, em Campo Grande (MS).

Pela Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE), o Imdico tem como atividade principal atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica, enquanto as atividades secundárias são representantes comerciais e agentes do comércio de mercadorias em geral não especializado e consultoria em tecnologia da informação,

O Imdico ainda atua com tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na Internet, atividades de contabilidade, atividades de consultoria e auditoria contábil e tributária, aluguel de máquinas e equipamentos para escritório, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial e, por último, outras atividades de ensino não especificadas anteriormente.

PCC

Também em sua delação ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Tiago Basso apontou o envolvimento da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) com o esquema.

Ele contou que, quando foi preso com Ueverton da Silva Macedo, o “Frescura”, e Roberto Valenzuela no Presídio de Trânsito em Campo Grande, em julho de 2023, percebeu que o PCC estaria envolvido na estrutura criminosa.

“Nós três ficamos no corró {gíria para o local onde os presos recém chegados são colocados}, na sexta-feira, no sábado, no domingo e, na segunda-feira, a gente já foi transferido para a mesma cela, a cela 8 do presídio. Então, nós ficamos juntos na mesma cela e todo mundo na época ficou abismado lá, porque geralmente as pessoas não saem do corró com menos de 10 dias”, contou, citando que tinham detentos no corró há mais de 14 dias e eles ficaram só três dias.

Na cela 8, o ex-servidor disse que conversava muito sobre a “Operação Trumper” e o “Frescura” falou para ele ficar tranquilo, que eles iriam sair em 15 dias no máximo.

“Mas, quando eu vi que realmente não era isso, que a coisa era bem mais séria do que eles me falavam, questionei o Frescura sobre a possibilidade de eu fazer, de nós fazermos, uma delação premiada. Ele ficou alterado e no dia não quis mais conversar comigo”, revelou.

Tiago Basso explicou que “Frescura” só falou com ele dois dias depois.

“No domingo, ele me chamou para conversar. Aí a gente foi caminhando pela quadra, só nós dois conversando, ele falou: ó, vou ser bem honesto com você, se você tomar a decisão de fazer uma delação premiada, você pode ter certeza que antes da minha mãe chorar, a mãe que vai chorar vai ser a sua”, recordou a ameaça feita.

O ex-servidor pediu para falar com o seu advogado e ele o aconselhou a tentar se afastar do “Frescura”, conversando o mínimo possível até sair do presídio.

“Porque dava para ver a ligação que ele tinha com os presos lá, o contato que ele tinha com os presos, todo mundo conhecia ele lá dentro. Todo mundo tinha um vínculo de amizade ou de favor que devia pra ele ir lá. E o presídio que a gente ficou era uma unidade faccionada do PCC, o PCC comanda ali, aquela unidade. Então dava para ver que ele tinha muito contato com aquelas pessoas ali e aquilo me deixou atônito na época e falei para o meu advogado que não queria mais conversar, não queria mais nada, que queria só ficar no meu canto”, afirmou.

Tiago Basso revelou ainda que, quando eles ficaram sabendo que ele estava pensando em fazer a delação premiada, o seu advogado foi procurado por um advogado chamado Douglas Matos.

“Ele foi até o presídio e mandaram eu falar com ele, sendo que o Frescura foi junto comigo. Ele não chamou só eu para conversar, ele chamou o Frescura junto, então entrou nós dois na sala junto para conversar”, lembrou.

Ainda conforme o delator, Frescura teria sido bem direto com o advogado.

“Ele falou diretamente ao advogado: eu só quero saber se o senhor veio falar em delação premiada. O advogado disse que não, nem pensar em delação premiada. O Frescura disse que era para eu ficar tranquilo, que o meu pagamento seria por parte deles. Inclusive, disse que a minha família lá fora, enquanto eu estivesse preso, eles iriam cuidar”, ressaltou.

O Correio do Estado ligou para o telefone comercial da empresa, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve sucesso. O espaço continua aberto para a manifestação do Imdico, caso queira comentar a delação.

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Pesquisa

Datafolha: aprovação de Lula sobe para 36% e reprovação cai pra 31%

No mesmo período da gestão Jair Bolsonaro, ex-presidente era aprovado por 32% e reprovado por 44%

18/06/2024 18h17

Aprovação de Lula teve leve alta

Aprovação de Lula teve leve alta Arquivo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viu uma leve melhora na sua avaliação, conforme revelado pela nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, 18 de junho.

A aprovação de Lula subiu de 35% em março para 36% no levantamento atual. Ao mesmo tempo, a reprovação caiu de 33% para 31%. A avaliação regular apresentou uma leve variação, passando de 30% para 31%.

Comparando com o mesmo período do governo de Jair Bolsonaro, Lula está em uma posição mais favorável. Nos primeiros seis meses de gestão, Bolsonaro contava com 32% de aprovação e uma reprovação significativa de 44%, segundo os dados do Datafolha.

Em termos de expectativas econômicas, os dados mostram otimismo. Cerca de 40% dos entrevistados acreditam que a economia irá melhorar, enquanto 28% preveem uma piora e 27% acham que a situação permanecerá a mesma. Em março, essas expectativas eram de 39%, 27% e 32%, respectivamente.

Desafios econômicos

Apesar desse otimismo, muitos brasileiros ainda veem desafios econômicos. De acordo com a pesquisa, 42% dos entrevistados afirmaram que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, enquanto 27% notaram uma melhora.

Quando perguntados sobre suas próprias finanças, 29% relataram uma melhora, enquanto 24% sentiram uma piora.

A pesquisa Datafolha foi realizada entre 4 e 13 de junho, ouvindo 2.008 eleitores em 113 municípios brasileiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, garantindo uma representação precisa das opiniões dos eleitores.

Esses números são importantes indicadores da percepção pública sobre a administração de Lula e fornecem uma visão clara das expectativas e preocupações econômicas dos brasileiros.

Com a aprovação ligeiramente maior que a reprovação, Lula tem um sinal positivo, mas ainda enfrenta desafios significativos, especialmente no campo econômico.

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