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POLÍTICA

Rogério Marinho assumirá Secretaria Especial da Previdência Social

Formado em engenharia da computação, Canuto assumirá a DataPrev
07/02/2020 09:25 - Estadão Conteúdo


Sem avisar nem mesmo seus aliados, o presidente Jair Bolsonaro dispensou ontem, 6, o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e chamou para o seu lugar o ex-deputado Rogério Marinho, até então secretário especial da Previdência e braço direito do titular da Economia, Paulo Guedes Canuto foi o quinto ministro a cair desde o início do governo.

A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O Ministério do Desenvolvimento Regional é estratégico: responsável pelo Minha Casa, Minha Vida, programa que Bolsonaro pretende turbinar, a pasta tem grande influência nas políticas municipais. O movimento do Palácio do Planalto, agora, é para ter uma marca social e entrar no Nordeste, reduto petista.

Próximo ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e filiado ao PSDB, Marinho foi o principal articulador do governo para a aprovação da reforma da Previdência. Natural do Rio Grande do Norte, ele tem boa relação com o Congresso, tanto que chegou a ser cotado para assumir a Casa Civil, comandada por Onyx Lorenzoni. Bolsonaro preferiu, porém, que ele ficasse no comando de um ministério prioritário em ano de eleição por controlar recursos de interesse de prefeitos e parlamentares, como verbas para obras de saneamento, construção de cisternas e moradia.

Marinho também foi relator da reforma trabalhista quando era deputado. Atualmente, ele articula a aprovação do programa Verde Amarelo, que prevê incentivo à contratação de jovens de 18 a 29 anos. Foi bastante criticado por propor a taxação do seguro-desemprego para bancar o plano.

A mudança no Desenvolvimento Regional já havia sido cogitada no ano passado, quando o Planalto abriu uma frente de negociação com a Câmara e o Senado para obter apoio político, recriando o Ministério das Cidades. Como o acordo não foi adiante, Canuto acabou permanecendo no cargo.

O presidente estava contrariado com o desempenho de Canuto, que não conseguiu reformular o Minha Casa, Minha Vida. O orçamento do programa era de R$ 4,2 bilhões em 2019, mas caiu para R$ 2,8 bilhões neste ano. Nos bastidores, o diagnóstico é que o agora ex-ministro não tinha nem mesmo interlocução com Guedes. Na dança das cadeiras, Canuto assumirá a direção da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). Para o lugar de Marinho na secretaria especial da Previdência foi escalado Bruno Bianco, atual adjunto.

As novas mudanças na equipe ocorrem após Bolsonaro afirmar, em entrevista ao Estado, que dará "cartão vermelho" a quem usar o cargo para tirar proveito eleitoral. "Se algum ministro quer ser eleito, que abra o jogo. E se, porventura, estiver usando ministério para seu respectivo Estado, vai pegar um cartão vermelho de primeira", afirmou o presidente.

Bandeira

O núcleo político do Planalto avalia que a falta de uma agenda com visibilidade na área social é um dos principais problemas da gestão Bolsonaro, que vê sua popularidade cair nas últimas pesquisas, e pode causar ainda mais embaraços em um ano de eleições. O Estado apurou que o presidente quer dar ao social a mesma credibilidade obtida pelos ministérios da Economia, controlado por Guedes, e da Justiça, comandado por Sérgio Moro.

Mudanças

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, deve se manter na Esplanada, dependendo das circunstâncias políticas. Mas Bolsonaro também tem outros planos para ele. Um das possibilidades é transferi-lo para o comando da fundação que montará o programa do Aliança pelo Brasil.

O novo partido, no entanto, ainda está em fase de coleta de assinaturas e dificilmente conseguirá sair do papel a tempo de disputar as eleições municipais. Se essa ideia vingar, Weintraub ficaria responsável por desenhar a base intelectual do bolsonarismo.

 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.