Política
ELEIÇÕES 2022

Saiba por que adversários querem Rose Modesto como vice nas eleições

Frenética ascensão política, batuta no voto e com cargos exercidos que exigiram diálogo com eleitores ao longo de sua trajetória

Celso Bejarano

20/05/2022 08:00

Episódio inabitual na política sul-mato-grossense ocorre já nos preparativos da disputa pelo governo do Estado deste ano: entre três pré-candidatos de siglas vigorosas e com chances de chegada, três querem compor chapa com uma adversária, a deputada federal Rose Modesto, que concorre ao governo pelo União Brasil.

Na linguagem política, o desejo pelo trato ofertado à “opositora”, no caso, tem significado prático: Rose é tida como “bom partido” no pleito de outubro. 

“Inflaram a bola dela. Bom para ela, notaram sua importância diante das urnas”, disse um antigo político, já sem mandato, que, por “transitar” entre os pré-candidatos, incluindo a parlamentar, não quis ver o nome publicado.

Contudo, pelo andar da carruagem, o propósito do trio só não segue adiante por um senão, também inusitado: os postulantes ao cargo público mais importante de MS impuseram uma condição à, “por agora”, benquista Rose Modesto.  

Os pré-candidatos só querem ela do lado, desde que como vice em uma eventual chapa. E isso ela já rejeitou repetidas vezes.

O Correio do Estado elencou algumas ações e qualidades políticas de Rose que poderiam fundamentar tamanho assédio político pela deputada federal, que proclama desde o ano passado: “Vou ser a primeira governadora de Mato Grosso do Sul”.

Eduardo Riedel (PSDB), Marquinhos Trad (PSD) e André Puccinelli (MDB) são os pré-candidatos que querem Rose em uma aliança. Nenhum deles, até agora, a cinco meses da eleição, escolheu de vez vices, a não ser a tentativa frustrada de atrair o apoio da deputada federal.

VIDA POLÍTICA

Rose Modesto estreou na política em 2008, como vereadora de Campo Grande. Sete anos depois, a então parlamentar virou vice-governadora no primeiro mandato do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). 

No meio do caminho, em 2012, reelegeu-se vereadora, uma das mais bem votadas, indicativo forte de que seria boa em briga eleitoral.

Como vice, cargo que assumiu em janeiro de 2015, foi indicada por Azambuja para ocupar o cargo máximo da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho, pasta que mexe geralmente com famílias carentes. E que votam.  

Dali saiu em abril do ano seguinte, 2016, com a intenção de dar outro salto na carreira. Ela concorreu à Prefeitura de Campo Grande. Perdeu no segundo turno para o ex-prefeito Marquinhos Trad, que agora a quer como aliada, mas como vice. Retornou à vice-governadoria.

Daí, então, Rose resolveu ficar fora da disputa como vice-governadora, em 2018, e rumou para uma outra instigação política, a de concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. 

Deu certo. Elegeu-se como a deputada federal mais bem votada, superando o desempenho eleitoral de políticos com décadas de estrada.

Em 2020, retomou o desejo por administrar Campo Grande, mas, por imposição do partido, o PSDB, que apoiou candidato de outra legenda, não pôde concorrer a prefeitura. A partir dali, segundo disse ao Correio do Estado, ela deu início ao plano de se tornar governadora de MS. Lá se foram dois anos, e, agora, disse não ter conversa a não ser sua candidatura como cabeça de chapa na corrida pela sucessão estadual.

Filha de pequenos agricultores, nascida em Fátima do Sul, interior de MS, a deputada, antes de investir na política, formada em História, dava aulas e desenvolvia trabalhos sociais com seus alunos. Tocava projetos, como o Aprendendo com Música e o Tocando em Frente, que disponibilizam aulas de Artes, esportes e reforço escolar.

No fim do ano passado, ela divulgou abertamente a vontade de sair do ninho dos tucanos, que já haviam escolhido Eduardo Riedel como o pré-candidato ao governo. Bastou. Assediada por mais de um partido, o MDB de Puccinelli entre eles, resolveu assinar ficha no União Brasil, o partido que juntou o DEM ao PSL.

Assim que disse que ia concorrer ao governo, dissidentes do atual governo tucano formaram uma rede de apoio para a campanha dela. Ex-aliados do PSDB e, consequentemente, da gestão estadual hoje participam do arco de sustentação da pré-candidata.