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NOVOS RUMOS

Sem o Aliança, bolsonaristas buscam outras alternativas

Apoiador do presidente tentou entrar no DEM, mas Mandetta não autorizou
11/04/2020 07:52 - Izabela Jornada


 

Com a não criação do Aliança pelo Brasil, legenda do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), apoiadores do líder do Executivo tiveram de buscar outras alternativas.

Este é o caso do deputado estadual Coronel David (sem partido), que trouxe pela primeira vez Bolsonaro a Mato Grosso do Sul quando ele era pré-candidato à Presidência.  

Ainda em março, David foi autorizado pela Justiça Eleitoral a sair do PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu, mas, como não foi aceito pelo Democratas (DEM), acabou ficando de fora da janela partidária, que encerrou-se no dia 4 de abril. “Preferi arriscar ficar fora [das eleições municipais] do que deixar de apoiar Bolsonaro”, afirmou.

O parlamentar referia-se à determinação do presidente em relação àqueles que continuarão no PSL. “O presidente já disse que não vai apoiar quem não sair do PSL”, reforçou David.  

Porém, a suspeita é de que a expectativa de David seja o adiamento das eleições municipais, em razão da pandemia do novo coronavírus. O pleito está marcado para outubro deste ano, mas há especulações de que pode ser adiado. Caso isso aconteça, o parlamentar está sendo cotado para ingressar no partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Porém, a sigla já anunciou que o deputado Márcio Fernandes será o pré-candidato para concorrer à Prefeitura de Campo Grande.  

“Eu mesmo fiz o convite para ele, Junior Mochi (presidente do partido regional), e André (Puccinelli, ex-governador) também o convidou. Se (Coronel David) se filiar agora, será para ser companheiro na nossa campanha em CG e na Assembleia formarmos bancada com quatro deputados”, afirmou Fernandes, reforçando que não abre mão para mais ninguém.

INDICAÇÃO

Em contrapartida, David declarou que vai para onde o Bolsonaro indicar e que “o MDB pode ser um dos destinos”. O parlamentar afirmou também que a conversa dele é diretamente com o presidente e que não tem relação com outras pessoas que estariam aguardando indicação para ir para algum partido. “Estou tratando o meu caso, que pode ter ou não consequência aí na sucessão municipal”, afirmou.  

David referia-se ainda ao relacionamento que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), tem com Bolsonaro. A suspeita é de que Tereza tenha indicado David para ser pré-candidato em Campo Grande pelo DEM, mas, em razão do parentesco de Mandetta com o prefeito da Capital, Marcos Trad (PSD), a ida de David para o Democratas foi barrada pelo ministro, que já se comprometeu a apoiar o projeto de reeleição do primo.

Em contrapartida, a ministra estaria articulando, junto do presidente, a ida de David para o MDB, fortalecendo assim o candidato escolhido pela sigla que é comandada pelo “padrinho político” de Tereza, o ex-governador André Puccinelli.

SAÍDA

Outro bolsonarista, o deputado federal Luiz Ovando está tentando sair do PSL. O parlamentar afirmou que quer deixar a sigla por justa causa, pois não há mais “clima político para continuar na legenda”. Ovando está participando das discussões internas do APB e aguarda aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  

Além do deputado sul-mato-grossense, mais 25 parlamentares da Câmara dos Deputados entraram com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o mesmo pedido.

“Todos nós estamos aguardando a criação do APB (Aliança pelo Brasil), mas também não podemos ficar sem partido”, disse Ovando ao frisar que sem legenda os deputados perdem representatividade na Câmara, pois não conseguem fazer parte de mais de uma comissão.  

“São 25 comissões, e o parlamentar que não tem partido pode entrar em apenas uma”, explicou Ovando.

A expectativa aumenta a cada dia para que o partido do presidente seja criado. Conforme apoiadores de Bolsonaro, a sigla só não ficou pronta para as eleições municipais de outubro porque não conseguiu atender à demanda de assinaturas.  

O deputado federal disse também que o presidente autorizou os apoiadores dele a ingressarem em outras siglas. “Temos que amarrar isso bem certinho, para que sejamos liberados sem problemas quando o Aliança ficar pronto”, afirmou Ovando.

Além dele no Estado, o PSL tem o deputado federal Loester Trutis, a senadora Soraya Thronicke e o deputado estadual Renan Contar, porém, os três parlamentares decidiram continuar na agremiação.

* Colaborou Yarima Mecchi

 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.