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NELSON TRAD

Senador diz que o momento é de pacificação e combate à Covid-19

Nelson Trad Filho disse que "governo sem crises não é governo", ao comentar possível demissão de Moro
24/04/2020 08:00 - Yarima Mecchi


 

Procurado pelo Correio do Estado para se manifestar sobre a possível demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro, o senador por Mato Grosso do Sul Nelson Trad Filho afirmou que o momento precisa ser pacífico no governo federal e de esforços para combater a transmissão do novo coronavírus (Covid-19).  

“O governo sem crise não é governo: tem conflitos, tem interesses, [mas] há que se ter uma habilidade maior para contornar essas crises e organizar as carruagens. Um baque da saída no meio da pandemia, parece que o diabo está tentando para prevalecer, tudo errado”, avaliou Trad.  

O senador acredita que a possível demissão do comandante da Polícia Federal, Maurício Valeixo, não é por questões políticas, mas seria por questões profissionais. “A mexida que ele [Jair Bolsonaro] quis fazer não foi para atingir [Sergio Moro]. Acabou que tomou as dores e teve essa reação. Espero que ele contorne. A saída do ministro Moro agora é muito ruim, mas a caneta é dele. Eu digo: parece que o diabo está atentando. Esse vírus é coisa do demônio. Acho que não tem componente político, é coisa técnica”, avaliou.

Entre os deputados federais, alguns preferiram não se manifestar sobre as informações da imprensa nacional.

“A demissão não foi efetivada. Não há nada de concreto ainda com relação à saída do ministro Sergio Moro do Ministério da Justiça. O próprio Ministério não confirmou o pedido de demissão. Precisamos aguardar o desenrolar desse fato e ver se ele se confirma”, resumiu o tucano Beto Pereira.

Aliado de Bolsonaro, o deputado do PSL Luiz Ovando alegou que é invenção da oposição a saída do ministro. “Não vejo nada porque ele não pediu demissão. É mais uma mentira da oposição”.

Correligionário de Ovando, Loester Trutis acredita que o presidente não deve demitir o comandante da PF sem falar com o ministro Sergio Moro. “Sinceramente, não acredito que o presidente vai demitir ou trocar do posto de comando sem comum acordo com o ministro. Menos ainda acredito que seja possível ele demitir o Moro, que eu acho que é o principal pilar do governo Bolsonaro, já que a bandeira principal da campanha do candidato Bolsonaro era o combate a corrupção”.  

O parlamentar ressaltou ainda que espera a permanência de Moro na pasta. “Eu sinceramente prefiro aguardar, mas torço muito para que tanto o ministro quanto o time dele permaneçam”.

Deputados da oposição, Dagoberto Nogueira (PDT) e Vander Loubet (PT) criticaram o presidente Jair Bolsonaro.  

Loubet ressaltou que o ex-juiz federal colaborou com a eleição de Bolsonaro, ficou conhecido como o juiz da Lava Jato, operação que foi marcada pelo combate à corrupção. “A verdade é que o Moro, de forma consciente ou não, foi um instrumento usado para que o Bolsonaro chegasse ao poder. Ao invés de atuar como juiz, o Sergio Moro agiu de forma política nos casos envolvendo o Lula. Vazou informações, ignorou a ausência de provas, cerceou a defesa, ajudou na construção das acusações, etc. Tudo isso já está comprovado através das reportagens do The Intercept”, citando o site conhecido por vazar conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e o promotor Deltan Dallagnol sobre a Operação Lava Jato.

O parlamentar avaliou ainda que o possível pedido de demissão de Moro seria pela dificuldade de diálogo com o presidente. “Por outro lado, todos sabemos que o Moro tem perspectiva de poder, desde a época em que era juiz. Provavelmente, percebeu que esse governo está afundando e não quer afundar junto, pois isso prejudicaria os planos dele para as eleições que deseja disputar. Ou seja, esse pedido de demissão é só mais uma evidência do quanto está insustentável ter o Bolsonaro na Presidência”.

Dagoberto afirmou que já esperava a saída de Moro do governo, principalmente após o ministro ser melhor avaliado que o presidente. “Eu já esperava essa troca. Eu já disse isso em várias entrevistas. Desde aquela pesquisa que mostrou o Moro à frente [de Bolsonaro], o Moro passou a ser um problema para ele. E principalmente agora que esse delegado estava investigando a participação dele nesses atos contra a democracia. Então, não obedece ele, ele quer demitir. As pessoas no governo dele não podem ser sérias; se o Moro for sério, tem que sair de lá mesmo”.

 

Felpuda


Comentários maldosos nos meios políticos dão conta que duas figurinhas que se rebelaram contra os próprios colegas poderão ficar no sereno político e, de forma indireta, serem personagens das próprias manifestações.

Um deles defendeu a redução do número de vereadores, e o outro disse ter vergonha de exercer o cargo. Agora enfrentam altos e baixos na campanha eleitoral.