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ANÁLISE

Sérgio Moro fez certo em sair do governo Bolsonaro

Correio do Estado ouviu cientista político e conselheiro da OAB sobre o tema
17/06/2020 06:00 - Ricardo Campos Jr


Na próxima semana, a saída polêmica de Sérgio Moro do Ministério da Justiça completará dois meses. 

A crise na cúpula do Executivo Federal, que daria enredo de novela, já teve seu desenrolar. Vídeo de reunião fechada, divulgado com autorização da Suprema Corte, abertura de inquérito, troca de comando da Polícia Federal. 

E após tudo o que já veio à tona nos capítulos dessa história: será que o ex-juiz agiu certo?

O Correio do Estado pediu a dois especialistas que comentassem o assunto. Em resumo: a postura do ex-ministro abriu margens para diversos questionamentos, já que, tecnicamente, as acusações levantadas por ele ainda não fora capaz de adquirir arestas concretas.

“Sérgio Moro não saiu porque quis, saiu porque já não havia espaço político para ele, enquanto ministro. 

Na política o que aparenta nunca é (trata-se da guerra feita por outros meios), ou seja, é uma arte, não é ciência. E Moro não é artista e não tem habilidade política para transitar neste mundo. Ele estava na condição: ou saia, ou caia”, afirmou o cientista político Tito Carlos Machado.

Além disso, segundo ele, a mulher do ex-juiz tem um dos maiores e bem sucedidos escritórios de advocacia paranaense, então há muito que se pensar no pano de fundo das declarações e retirada do cargo.

 
 

Na opinião do cientista político, dizer que o motivo foi o fato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentar interferir no trabalho da Polícia Federal “não passa de conversa fiada. O que houve [na minha opinião] é que o presidente já não estava mais disposto a cumprir o que havia acordado com Moro ao coloca-lo no Ministério da Justiça”. 

Luiz Renê Gonçalves do Amaral, conselheiro federal e corregedor-adjunto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), afirma que, do ponto de vista jurídico, Moro deixou o governo “atirando com balas de festim”, já que para o advogado as provas e evidências trazidas à tona até o momento não foram capazes de enquadrar Bolsonaro, tratam-se apenas de indícios.

“Todas aquelas coisas que o ex-ministro suscitou como razões de sua saída, inclusive pugnando ao Supremo Tribunal Federal pela divulgação de um vídeo institucional a portas fechadas, tudo aquilo de grave que ele levantou como razões de sua decisão em pedir exoneração não se confirmaram, nem no vídeo, nem nas mensagens de WhatsApp”, afirmou ao Correio do Estado.

Para Amaral, Moro apenas mostrou que havia intenção do presidente em controlar as investigações, mas não há como provar que, de fato, o chefe do Executivo fez mudanças na corporação em benefício próprio, ou de seus parentes e apoiadores.

“Há uma aparente intenção do presidente, que depois se tornou realidade de mudar a cúpula, mas isso é uma prerrogativa de um mandato eletivo que o presidente ocupa”, diz o conselheiro nacional da OAB.

Na avaliação dele, Sérgio Moro poderia ter deixado o cargo de cabeça erguida. 

“Ao participar do governo indica que você compartilha dos valores ideológicos do mandatário máximo. Então se ele já não compartilhava, ele deveria ter saído mesmo. Então ele não fez mal em sair, o problema que me chamou a atenção foi a forma como ele saiu, imputando fatos graves, com graves consequências ao estado democrático de direito, sem conseguir provar e depois, no depoimento, ter afirmado que não chegou a imputar crime algum, a Bolsonaro. Acredito que isso foi uma emenda que ficou pior que o soneto”, completa.

 
 

FIM DA RELAÇÃO

Sérgio Moro foi o magistrado responsável por vários processos da Lava Jato em Curitiba. 

Ele deixou o cargo no Poder Judiciário para migrar ao Executivo tão logo Bolsonaro ganhou as eleições.

Ao comunicar que deixaria o cargo, ele reuniu a imprensa e disse que a única condição para aceitar a proposta do presidente era que a família dele fosse amparada por algum tipo de pensão caso alguma coisa acontecesse com ele, embora nos bastidores circulam até hoje informações de que seria um dos nomes para o Supremo quando o atual gestor puder indicar um membro.

Moro disse que Bolsonaro queria receber informações privilegiadas sobre inquéritos da Polícia Federal, lembrando que filhos do presidente são investigados por envolvimento em uma rede de disseminação de notícias falsas.

O ex-ministro disse que Bolsonaro teria afirmado a intenção de interferir na gestão da corporação durante reunião a portas fechadas com sua alta cúpula. 

O vídeo do encontro acabou divulgado a toda a sociedade, mas até o momento, as apurações se Bolsonaro de fato cometeu irregularidades ainda não terminaram.

 

Felpuda


Ex-cabecinha coroada anda dizendo por aí ser o responsável por vários projetos para Campo Grande, executados posteriormente por sucessor. 

Ao fim de seus comentários, faz alerta para que o eleitor analise atentamente de como surgiram tais obras e arremata afirmando que não foi “como pó mágico de alguma boa fada madrinha. 

Houve muito suor nos corredores de Brasília”. Então, tá!...